Falando a língua dos refugiados

Por: Ana Luiza Menechino, Ana Beatriz Pattoli e Paula Zarif

Quem entra no espaço onde funciona o Abraço Cultural, logo sente que ele responde bem ao nome do projeto: todo mundo é recebido com sorrisos e a porta fica sempre aberta. A escola, que une professores refugiados de diversos países e alunos curiosos, tem como objetivo ensinar não somente um novo idioma, mas também uma nova cultura. 

O Abraço Cultural começou em 2014, durante a 1ª Copa Mundial de Refugiados, organizada pela ONG Atados,que mostrou o potencial dos imigrantes para ensinar línguas e trocar experiências. Com o projeto, cada refugiado passou a ter a oportunidade de ser protagonista da própria renda e, assim, se inserir melhor no mercado e na sociedade.

As aulas de inglês, espanhol, francês e árabe começaram em 2015 e tiveram mais de 500 inscritos, apesar de o esperado ser menos de 50. Todos os refugiados interessados são capacitados para dar aula e contam com um material didático próprio, desenvolvido junto com os professores.

A proposta é que as aulas possam ser variadas, envolvendo culinária, danças típicas, debates sobre filmes ou qualquer outra parte de cultura, o que também ajuda a  quebrar barreiras e preconceitos que, muitas vezes, passam despercebidos. O professor de árabe, Ali Jeratli, 29, por exemplo, ensina o alfabeto para os alunos com músicas, mas já garante que pretende dar uma aula mostrando como é a verdadeira comida árabe.

Ali é da Síria e veio para o Brasil por conta da guerra, em 2014. A escolha do país coincidiu com a vontade de assistir um jogo da Copa e ele acabou conseguindo trabalhar como tradutor no estádio assim que chegou aqui. Na época, conheceu muitas pessoas e percebeu que a maioria tinha uma visão “muito errada” de seu país e gostou de poder mostrar como era a Síria que ele conhecia e decidiu ser professor.

Com o Abraço Cultural, Ali conseguiu dar aulas de inglês e árabe para várias turmas, mas contou que também aprendeu muito com seus alunos. A aula acaba ficando parecida com uma roda de amigos, trocando vivências.

Giulia Manccini, 24, escolheu fazer as aulas do novo idioma no Abraço Cultural para poder ter a experiência completa e comentou que “saber da vida do professor colabora para a experiência cultural”. Ela já fez aulas em outras escolas tradicionais, mas prefere esse formato, que, além de estimular o emprego, deixa os alunos muito mais a vontade para tirar dúvidas e conversar.

O Abraço tem hoje 84 turmas, em São Paulo e no Rio de Janeiro e a proposta é crescer ainda mais. No próximo semestre, serão abertas as turmas do Abracinho, com aulas voltadas para crianças de 8 a 12 anos. Para conhecer mais sobre o projeto e se inscrever em uma das turmas é só acessar o site http://abracocultural.com.br/.

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