Estádio Pacaembu

Por: Augusto Oliveira, Edilson Muniz, Gianluca Florenzano e Victoria Bonachelli

Paulo Machado de Carvalho, popularmente conhecido como Pacaembu, é sem dúvida nenhuma o estádio mais tradicional de São Paulo. Localizado na zona oeste, no bairro em que é apelidado, o estádio é de fácil acesso, pois fica bem próximo ao metrô Clínicas, linha verde. Além da atração de jogos, o campo esportivo possui um museu próprio, que conta a história do futebol no País.

Por esses gramados já passaram diversos craques – Pelé, Sócrates, Ademir da Guia e Leônidas da Silva, são exemplos de atletas renomados que atuaram no local. Sem falar, que o complexo já abrigou jogos de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e da seleção brasileira.

Hoje em dia, o Pacaembu vive um impasse administrativo. Com as arenas modernas construídas pelos grandes clubes da cidade – principalmente o Corinthians que era o seu maior cliente, o estádio acaba por receber poucos jogos. Além do mais, o atual prefeito de São Paulo, João Doria, busca transferir a gestão do estádio para a iniciativa privada.

 

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Samba na ZL: Terreiro de Crioulo

 

Imagens por Clara Marques, Giulia Villa Real, Isabella Rocha e Victoria Bassi

Edição por Isabella Rocha

O Terreiro de Crioulo resgata o samba raiz e as origens africanas na região da Zona Leste de São Paulo.

Localização:

Rua José Pinheiro Bezerra, 100 – Vila Maria Zélia.

Tendal da Lapa: um coração cultural em São Paulo

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Há quase 30 anos o bairro da Lapa abriga um dos centros culturais mais emblemáticos da cidade de São Paulo. O Tendal da Lapa, como é conhecido, é um conjunto arquitetônico tombado desde 2007 e tem a missão de oferecer cultura gratuita a capital paulista, em especial a população lapense. A história do espaço cultural tem forte ligação com o desenvolvimento do bairro no qual está localizado, uma das primeiras regiões ocupadas de São Paulo.

O início das atividades datam de 1989, com uma “invasão cultural” no antigo prédio do mais importante entreposto de carnes da região, que na época era chamado de Fábrica dos Sonhos. O grupo cultural se chamava Teatro Pequeno e as atividades tiveram início em uma tenda, com forte predominância do circo e do teatro, presentes até hoje no local.

O Tendal da Lapa é formado por um espaço amplo, com uma área aproximada de 7.000 m². Em um dos galpões que o compõe, muitos grafites e formas geométricas se vinculam a trilha sonora da linha férrea, que segue seu curso ao fundo.

 

A estrutura do centro cultural permanece caracterizada pelo seu objetivo primário: a circulação, armazenamento e distribuição de carnes no início do século XX. Por isso, é possível observar traços das construções industriais, que devem ser mantidos graças ao tombamento do edifício pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

O espaço, de caráter singular, abriga as mais diversas linguagens artísticas, de palestras a oficinas, que buscam incentivar o aprendizado e valorizar trabalhos que não alcançaram visibilidade e apoio. As oficinas, ministradas por professores voluntários, englobam a música, o teatro, a dança, o esporte, as artes plásticas etc.

Ponto de encontro entre muitos jovens, o Tendal da Lapa recebe cerca de 1.200 pessoas por dia, abrigando também a Prefeitura Regional da Lapa e serviços públicos como Farmácia Popular, a Junta de Serviço Militar e o atendimento da Agência Lapa do IBGE.

 

O Vozes do Bairro conversou com Bel Toledo, gestora do Tendal da Lapa, que conta como é o dia a dia no espaço:

 

SERVIÇO:

Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 22h, sábados e domingos, das 9h às 18h

Telefone: (11) 3862-1837

E-mail: contato.tendal@gmail.com

Site: https://www.facebook.com/espacoculturaltendaldalapa/

Onde: Rua Guaicurus, 1100 – Rua Constança, 72 (estacionamento); CEP: 05033002

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Obra inspirada em Shakespeare, peça sertãohamlet estreia no SESC Pinheiros

Por: Alessandra Monterastelli, Georgia Barcarolo, Julia de Alencar, Letícia Sepúlveda, Luiza Vilela.

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Imagem promocional da peça sertãohamlet

Inspirado na obra shakespeariana Hamlet, sertãohamlet, peça do ator e diretor Guido Campos, estreia no Sesc Pinheiros. Guido é bastante conhecido por seu trabalho como ator, tendo atuado no aclamado Carandiru (2003) e mais recentemente no curta Sagrado Coração (2012).

A Companhia do Sertão Teatro Infinito finaliza, com a peça, uma trilogia realizada sobre a temática do sertão. Contando as primeiras montagens, de A Terceira Margem do Rio – baseado na obra de Graciliano Ramaos – e BOI, o projeto levou 23 anos para ser concluído e tem encerramento com sertãohamlet.  

A extensa pesquisa para o projeto foi realizada no Ceará, na região do Cariri. A proposta é trazer ícones do sertão, incluindo o mito do Lampião. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e o clássico Hamlet se cruzam por terem em comum o assassinato de seus pais e o desejo por vingança.

A cenografia é bastante baseada na região nordestina, assim como seus personagens simples e bastante verossímeis. A peça tem sua primeira passagem por São Paulo tendo como palco o Sesc Pinheiros, em curta temporada de 16/11 a 16/12.

O Sesc Pinheiros

Inaugurado em 2004, o Sesc Pinheiros recebe uma programação diversa e ao mesmo tempo bastante focada em teatro e dança, sendo muitos dos espetáculos estrangeiros.

Sendo um dos maiores da cidade, o Sesc movimenta a região de Pinheiros e tem importância para a comunidade, principalmente devido à programação infantil e à Comedoria, o restaurante do local, com capacidade para servir 3 mil refeições diariamente.

Para os associados do Sesc, as refeições completas e pensadas por nutricionistas saem a preços extremamente acessíveis, como não se encontra em mais nenhum lugar de São Paulo – principalmente em bairros da Zona Oeste.

Além da programação cultural e artística, a instituição oferece uma série de cursos e oficinas profissionalizantes e é um ponto de encontro bastante acessível. Mais que um ambiente fechado, as unidades do Sesc, com ênfase para a unidade Pinheiros por seu tamanho e programação vasta, tornam-se ambiente de convivência e vivência da cidade de São Paulo, contando com Wi-Fi livre e programas de saúde para a população.

Da região

Ao contrário das outras regiões de São Paulo, a Zona Oeste é difícil de ser categorizada de forma única. Cada bairro possui características bastante distintas e perfis muito diferenciados de moradores.

Em Pinheiros, um dos bairros mais antigos de São Paulo, o cenário boêmio e gastronômico chama atenção, mas o cenário cultural, protagonizado pelo Sesc Pinheiros, também é bastante expressivo.

O bairro abriga o instituto Tomie Ohtake, um dos principais museus de São Paulo. Inaugurado em 2001, o espaço destaca-se por suas exposições e mostras estrangeiras que valorizam os últimos 60 anos das artes plásticas – em homenagem à própria artista que dá nome ao instituto  –  e por sua arquitetura única.

A programação aberta ganhou nos últimos anos bastante espaço no bairro, que agora recebe a “praia do largo da batata”, nome dado ao Largo da Batata aos fins de semana, quando o local recebe shows e espetáculos gratuitos, além de disponibilizar cadeiras de praia para o descanso de quem passeia pela região.

Museu a céu aberto

Por Clara Marques, Giulia Villa Real, Victória Bassi

O beco da rua Gonçalo Afonso, na vila Madalena, bairro famoso da Zona Oeste, é um lugar muito visitado por turistas e até mesmo por moradores de São Paulo que querem apreciar a arte de forma gratuita. Conhecido como Beco do Batman, ganhou esse nome por um grafite do super-herói desenhado nos anos 1980. O desenho do Batman servia como referência e ganhou fama por ser representado de diversos jeitos por outros artistas. Os melhores grafiteiros do Brasil e do mundo deixam um pouco da sua arte neste museu ao ar livre.

Grafiti no Beco do Batman / Fonte:Reprodução

Hoje, o Beco do Batman é um dos lugares mais democráticos para arte na cidade de São Paulo, uma galeria a céu aberto. Nas ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de Albuquerque, dezenas de grafites enfeitam as paredes. O bairro da Vila Madalena, desde os anos 1980, deixou de ser apenas um bairro residencial. As ruas do bairro são conhecidas por aglomerados de bares que fazem as noites paulistanas e os carnavais mais animados da cidade.

Grafiti no Beco do Batman / Fonte:Reprodução

Os desenhos muito coloridos são cenários para filmes, sessões de fotos e muitas selfies de turistas. Por ser um bairro famoso e boêmio da cidade de São Paulo, apesar das reclamações dos moradores e da movimentação constante, a maioria entende que é normal esse tipo de situação. Para Severino Castro, 62, a rua que está localizado o Beco do Batman se tornou ponto de sexo, drogas e pancadão. Todos os finais de semana existe algum tipo de tumulto, o que causa constrangimento para os moradores. “Eu gosto muito do bairro e da questão turística, mas na minha opinião era importante um pouco mais de segurança e controle por parte do Governo.”

Como chegar ao Beco do Batman

Para chegar ao Beco do Batman, os turistas podem ir de carro e estacionar em um dos diversos estacionamentos que tem no bairro, por aproximadamente R$ 20 ou então de transporte público. As duas estações de metrô mais próxima são a Clínicas (Linha Verde) e Fradique Coutinho (Linha Amarela).

Como chegar no Beco do Batman / Fonte: Google Maps

São apenas 15 a 20 minutos de caminhada para chegar ao Beco do Batman.

O bairro que se reinventa a cada esquina

 

Por: Alessandra Monterastelli, Georgia Furquim, Julia Alencar, Letícia Sepúlveda e Luiza Vilela.

A Mooca sempre foi um bairro muito importante na cidade de São Paulo, um dos mais antigos da região, sempre se caracterizou por ser referência no fluxo de imigrantes. Chegou a receber milhões de italianos entre o final do século XIX e o início do século XX. Povo que veio para ficar e que transformou definitivamente o bairro.

As casinhas organizadas em pequenas vilas, as cantinas italianas que se tornaram referência da culinária da região, e as ruínas das antigas fábricas que fizeram desses italianos operários reconhecidos, fazem do bairro um lugar único.

Na Mooca também está localizado, o Museu da imigração do Estado de São Paulo, com um grande acervo que conta com documentos, fotos e objetos que os imigrantes japoneses, portugueses, espanhóis e sobretudo italianos trouxeram ao Brasil. Entre os anos de 1886 e 1887, foi construída a Hospedaria de imigrantes do Brás, com o objetivo de receber os estrangeiros, acolhê-los e encaminhá-los para postos de trabalho no estado.

Hoje, o museu da imigração ocupa parte do local em que foi construída a hospedaria. O espaço fica aberto para visitação de terça-feira a sábado das 9 horas às 17 horas, e aos domingos, das 10 horas às 17 horas, na Rua Visconde de Parnaíba, 1316. Próximo à estação do metrô Bresser-Mooca.

Na Mooca, também ocorre a 46 anos a quermesse mais típica da região, na Paróquia São Rafael, que mistura a cultura da festa junina típica brasileira, com a cultura italiana. A palavra quermesse é uma derivação da palavra flamenga “kerkmesse”. “Kerk” quer dizer igreja, “messe” quer dizer feira, logo significa “feira de igreja”.

A festa está originalmente ligada ao catolicismo, presta homenagem à três santos muito importantes da religião. Santo Antônio, 13 de junho, São João, dia 24 de junho e São Pedro, dia 29 de junho. Ainda durante o período colonial, a tradição foi trazida pelos Portugueses para o Brasil e desde então, se tornou um marco muito importante para a cultura brasileira.

Júlio Cezar Ribeiro, o “Julinho”, conhecido de todos no bairro da Mooca, trabalha na organização da quermesse a cerca de 20 anos, ele explica: “A festa para nós, da organização, começa em janeiro, vamos atrás de doações, documentação, médicos, ambulância, banheiros químicos, sem isso a festa não acontece”.

Os próprios moradores da região ajudam nas vendas, ao todo, são 14 barracas com cerca de 10 pessoas em cada uma. É o caso do “seu” Cláudio, senhor simpático, com um carregado sotaque italiano. “‘Eu vendo algodão doce aqui na quermesse faz 17 anos, sempre com muita alegria”.

“Seu” Cláudio com o algodão doce que faz a 17 anos

Foto de Letícia Sepúlveda  

A festa ocorre no período entre os meses de junho e julho, vale a pena comparecer, se quiser conhecer uma quermesse diferente das demais. A cada esquina a Mooca se reinventa, bairro que foi alterado para sempre devido a cultura de seus imigrantes, serve de refúgio para aqueles que sentem saudades de sua terra de origem.  

Falando a língua dos refugiados

Por: Ana Luiza Menechino, Ana Beatriz Pattoli e Paula Zarif

Quem entra no espaço onde funciona o Abraço Cultural, logo sente que ele responde bem ao nome do projeto: todo mundo é recebido com sorrisos e a porta fica sempre aberta. A escola, que une professores refugiados de diversos países e alunos curiosos, tem como objetivo ensinar não somente um novo idioma, mas também uma nova cultura. 

O Abraço Cultural começou em 2014, durante a 1ª Copa Mundial de Refugiados, organizada pela ONG Atados,que mostrou o potencial dos imigrantes para ensinar línguas e trocar experiências. Com o projeto, cada refugiado passou a ter a oportunidade de ser protagonista da própria renda e, assim, se inserir melhor no mercado e na sociedade.

As aulas de inglês, espanhol, francês e árabe começaram em 2015 e tiveram mais de 500 inscritos, apesar de o esperado ser menos de 50. Todos os refugiados interessados são capacitados para dar aula e contam com um material didático próprio, desenvolvido junto com os professores.

A proposta é que as aulas possam ser variadas, envolvendo culinária, danças típicas, debates sobre filmes ou qualquer outra parte de cultura, o que também ajuda a  quebrar barreiras e preconceitos que, muitas vezes, passam despercebidos. O professor de árabe, Ali Jeratli, 29, por exemplo, ensina o alfabeto para os alunos com músicas, mas já garante que pretende dar uma aula mostrando como é a verdadeira comida árabe.

Ali é da Síria e veio para o Brasil por conta da guerra, em 2014. A escolha do país coincidiu com a vontade de assistir um jogo da Copa e ele acabou conseguindo trabalhar como tradutor no estádio assim que chegou aqui. Na época, conheceu muitas pessoas e percebeu que a maioria tinha uma visão “muito errada” de seu país e gostou de poder mostrar como era a Síria que ele conhecia e decidiu ser professor.

Com o Abraço Cultural, Ali conseguiu dar aulas de inglês e árabe para várias turmas, mas contou que também aprendeu muito com seus alunos. A aula acaba ficando parecida com uma roda de amigos, trocando vivências.

Giulia Manccini, 24, escolheu fazer as aulas do novo idioma no Abraço Cultural para poder ter a experiência completa e comentou que “saber da vida do professor colabora para a experiência cultural”. Ela já fez aulas em outras escolas tradicionais, mas prefere esse formato, que, além de estimular o emprego, deixa os alunos muito mais a vontade para tirar dúvidas e conversar.

O Abraço tem hoje 84 turmas, em São Paulo e no Rio de Janeiro e a proposta é crescer ainda mais. No próximo semestre, serão abertas as turmas do Abracinho, com aulas voltadas para crianças de 8 a 12 anos. Para conhecer mais sobre o projeto e se inscrever em uma das turmas é só acessar o site http://abracocultural.com.br/.

Hospital Veterinário Público do Tatuapé

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Na cidade de São Paulo, animais de estimação podem ser atendidos gratuitamente em dois hospitais veterinários públicos existentes na capital, um fica na zona norte e outro na zona leste. A prioridade é para donos de pets com poder aquisitivo limitado, sendo realizados procedimentos variados: de consultas e exames a medicações, cirurgias e internações. Para saber mais detalhes, assista ao vídeo abaixo, com informações sobre o Hospital Veterinário Público do Tatuapé, na zona leste de São Paulo:

“Loucos e Malucos” transforma a vida de jovens no Morro Doce

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Por: Isabella Rocha

Paulo Barbosa Francisco ,54, é o fundador e idealizador do projeto social “Loucos e Malucos”, localizado no Morro Doce, uma região pobre da Zona Oeste de São Paulo. O futebol é uma paixão para o corintiano fanático, que viaja o Brasil inteiro para acompanhar seu time. Além disso, faz parte da sua profissão a educação física, que atualmente está sendo aprimorada no curso de pós-graduação.

Tudo começou em junho de 2015 em uma roda de conversa informal sobre futebol com os amigos. Durante a troca de ideias um dos amigos contava sua experiência em treinar times de futebol. Foi aí que Paulinho, como é carinhosamente chamado pelos alunos, viu a oportunidade de mudar a realidade de mais de 250 adolescentes.

O Morro Doce é um bairro de periferia e precário de educação, saúde e lazer. Isso torna o local extremamente vulnerável à criminalidade e às drogas. Paulinho pode falar dessa questão com propriedade pois ele foi vítima disso. Aos 15 anos conta que começou a beber e fumar maconha, usou várias drogas até chegar no crack. Paralelo a isso cometeu vários delitos. Hoje, ele revela que esse processo foi fundamental para sua reestruturação e encontro com Deus.

A região que o campo está localizado é perto de três favelas, cujo os barracos e casas são extremante pequenos e apertados, além de não ter quintal, tornando os becos e vielas os únicos lugares para as crianças brincarem. Uma coisa que chama muito a atenção do treinador é que a maioria das crianças não tem pai e moram somente com a mãe, que para suprir as necessidades financeiras ficam fora o dia inteiro para trabalhar.

Analisando seu passado e olhando a falta de estrutura por parte do governo ou qualquer outra iniciativa social ele fundou o Loucos e Malucos, que atende meninos e meninas. Os treinos acontecem sempre aos sábados de manhã no C.D.C Coronel Gladiador, divido nas categorias: sub 11, sub 13, sub 15 e sub 17. Para ministrar os treinos ele conta com a ajuda do seu amigo Evandro, sua esposa Luciana e conta com ajuda de alguns pais.

O projeto não possuí nenhum tipo de auxilio externo, todo o dinheiro saí do bolso deles. Paulinho conta que ele e sua esposa recebem seus salários, pagam as despesas da casa e o restante do dinheiro vai para o projeto, seja para comprar instrumentos de trabalho como bolas, cones, coletes ou para comprar o lanche que é servido no final de todos os treinos e jogos. Uma padaria da região faz a doação dos pães, mas o recheio e o suco servido são eles que compram. O educador físico diz que parece uma realidade distante, mas muitas crianças participam do projeto apenas para se alimentar.

Durante o ano eles disputam o Campeonato Estadual, Taça Cidade São Paulo e Recopa. Os atletas são encaminhados para as peneiras dos times de médio e grande porte, além de receber a visita de alguns empresários. Atualmente, duas meninas estão fazendo uma bela campanha no Grêmio Audax e oito meninos estão jogando no time de Caieiras.

Quando isso acontece a felicidade de todos que fazem o projeto acontecer é muito grande, porém formar atletas não é o principal objetivo. Para eles o que realmente importa é tirar aqueles jovens da situação de vulnerabilidade das ruas e fazer com que eles frequentem a escola. Para isso mantém contato direto com as diretoras dos colégios da região para analisar o desempenho escolar de seus atletas. As notas obtidas nas provas não é a coisa de maior valor para eles, mas a frequência e o comportamento sim.

Todos que passam por lá são considerados filhos para Paulinho, que conta que fica até tarde nas redes sociais conversando com os jovens, procurando saber se já estão seguros em casa. O futuro é incerto, mas a única coisa que ele quer fazer é que crianças e adolescentes não se percam.