Estádio Pacaembu

Por: Augusto Oliveira, Edilson Muniz, Gianluca Florenzano e Victoria Bonachelli

Paulo Machado de Carvalho, popularmente conhecido como Pacaembu, é sem dúvida nenhuma o estádio mais tradicional de São Paulo. Localizado na zona oeste, no bairro em que é apelidado, o estádio é de fácil acesso, pois fica bem próximo ao metrô Clínicas, linha verde. Além da atração de jogos, o campo esportivo possui um museu próprio, que conta a história do futebol no País.

Por esses gramados já passaram diversos craques – Pelé, Sócrates, Ademir da Guia e Leônidas da Silva, são exemplos de atletas renomados que atuaram no local. Sem falar, que o complexo já abrigou jogos de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e da seleção brasileira.

Hoje em dia, o Pacaembu vive um impasse administrativo. Com as arenas modernas construídas pelos grandes clubes da cidade – principalmente o Corinthians que era o seu maior cliente, o estádio acaba por receber poucos jogos. Além do mais, o atual prefeito de São Paulo, João Doria, busca transferir a gestão do estádio para a iniciativa privada.

 

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Samba na ZL: Terreiro de Crioulo

 

Imagens por Clara Marques, Giulia Villa Real, Isabella Rocha e Victoria Bassi

Edição por Isabella Rocha

O Terreiro de Crioulo resgata o samba raiz e as origens africanas na região da Zona Leste de São Paulo.

Localização:

Rua José Pinheiro Bezerra, 100 – Vila Maria Zélia.

Tendal da Lapa: um coração cultural em São Paulo

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Há quase 30 anos o bairro da Lapa abriga um dos centros culturais mais emblemáticos da cidade de São Paulo. O Tendal da Lapa, como é conhecido, é um conjunto arquitetônico tombado desde 2007 e tem a missão de oferecer cultura gratuita a capital paulista, em especial a população lapense. A história do espaço cultural tem forte ligação com o desenvolvimento do bairro no qual está localizado, uma das primeiras regiões ocupadas de São Paulo.

O início das atividades datam de 1989, com uma “invasão cultural” no antigo prédio do mais importante entreposto de carnes da região, que na época era chamado de Fábrica dos Sonhos. O grupo cultural se chamava Teatro Pequeno e as atividades tiveram início em uma tenda, com forte predominância do circo e do teatro, presentes até hoje no local.

O Tendal da Lapa é formado por um espaço amplo, com uma área aproximada de 7.000 m². Em um dos galpões que o compõe, muitos grafites e formas geométricas se vinculam a trilha sonora da linha férrea, que segue seu curso ao fundo.

 

A estrutura do centro cultural permanece caracterizada pelo seu objetivo primário: a circulação, armazenamento e distribuição de carnes no início do século XX. Por isso, é possível observar traços das construções industriais, que devem ser mantidos graças ao tombamento do edifício pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

O espaço, de caráter singular, abriga as mais diversas linguagens artísticas, de palestras a oficinas, que buscam incentivar o aprendizado e valorizar trabalhos que não alcançaram visibilidade e apoio. As oficinas, ministradas por professores voluntários, englobam a música, o teatro, a dança, o esporte, as artes plásticas etc.

Ponto de encontro entre muitos jovens, o Tendal da Lapa recebe cerca de 1.200 pessoas por dia, abrigando também a Prefeitura Regional da Lapa e serviços públicos como Farmácia Popular, a Junta de Serviço Militar e o atendimento da Agência Lapa do IBGE.

 

O Vozes do Bairro conversou com Bel Toledo, gestora do Tendal da Lapa, que conta como é o dia a dia no espaço:

 

SERVIÇO:

Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 22h, sábados e domingos, das 9h às 18h

Telefone: (11) 3862-1837

E-mail: contato.tendal@gmail.com

Site: https://www.facebook.com/espacoculturaltendaldalapa/

Onde: Rua Guaicurus, 1100 – Rua Constança, 72 (estacionamento); CEP: 05033002

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Obra inspirada em Shakespeare, peça sertãohamlet estreia no SESC Pinheiros

Por: Alessandra Monterastelli, Georgia Barcarolo, Julia de Alencar, Letícia Sepúlveda, Luiza Vilela.

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Imagem promocional da peça sertãohamlet

Inspirado na obra shakespeariana Hamlet, sertãohamlet, peça do ator e diretor Guido Campos, estreia no Sesc Pinheiros. Guido é bastante conhecido por seu trabalho como ator, tendo atuado no aclamado Carandiru (2003) e mais recentemente no curta Sagrado Coração (2012).

A Companhia do Sertão Teatro Infinito finaliza, com a peça, uma trilogia realizada sobre a temática do sertão. Contando as primeiras montagens, de A Terceira Margem do Rio – baseado na obra de Graciliano Ramaos – e BOI, o projeto levou 23 anos para ser concluído e tem encerramento com sertãohamlet.  

A extensa pesquisa para o projeto foi realizada no Ceará, na região do Cariri. A proposta é trazer ícones do sertão, incluindo o mito do Lampião. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e o clássico Hamlet se cruzam por terem em comum o assassinato de seus pais e o desejo por vingança.

A cenografia é bastante baseada na região nordestina, assim como seus personagens simples e bastante verossímeis. A peça tem sua primeira passagem por São Paulo tendo como palco o Sesc Pinheiros, em curta temporada de 16/11 a 16/12.

O Sesc Pinheiros

Inaugurado em 2004, o Sesc Pinheiros recebe uma programação diversa e ao mesmo tempo bastante focada em teatro e dança, sendo muitos dos espetáculos estrangeiros.

Sendo um dos maiores da cidade, o Sesc movimenta a região de Pinheiros e tem importância para a comunidade, principalmente devido à programação infantil e à Comedoria, o restaurante do local, com capacidade para servir 3 mil refeições diariamente.

Para os associados do Sesc, as refeições completas e pensadas por nutricionistas saem a preços extremamente acessíveis, como não se encontra em mais nenhum lugar de São Paulo – principalmente em bairros da Zona Oeste.

Além da programação cultural e artística, a instituição oferece uma série de cursos e oficinas profissionalizantes e é um ponto de encontro bastante acessível. Mais que um ambiente fechado, as unidades do Sesc, com ênfase para a unidade Pinheiros por seu tamanho e programação vasta, tornam-se ambiente de convivência e vivência da cidade de São Paulo, contando com Wi-Fi livre e programas de saúde para a população.

Da região

Ao contrário das outras regiões de São Paulo, a Zona Oeste é difícil de ser categorizada de forma única. Cada bairro possui características bastante distintas e perfis muito diferenciados de moradores.

Em Pinheiros, um dos bairros mais antigos de São Paulo, o cenário boêmio e gastronômico chama atenção, mas o cenário cultural, protagonizado pelo Sesc Pinheiros, também é bastante expressivo.

O bairro abriga o instituto Tomie Ohtake, um dos principais museus de São Paulo. Inaugurado em 2001, o espaço destaca-se por suas exposições e mostras estrangeiras que valorizam os últimos 60 anos das artes plásticas – em homenagem à própria artista que dá nome ao instituto  –  e por sua arquitetura única.

A programação aberta ganhou nos últimos anos bastante espaço no bairro, que agora recebe a “praia do largo da batata”, nome dado ao Largo da Batata aos fins de semana, quando o local recebe shows e espetáculos gratuitos, além de disponibilizar cadeiras de praia para o descanso de quem passeia pela região.

“Loucos e Malucos” transforma a vida de jovens no Morro Doce

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Por: Isabella Rocha

Paulo Barbosa Francisco ,54, é o fundador e idealizador do projeto social “Loucos e Malucos”, localizado no Morro Doce, uma região pobre da Zona Oeste de São Paulo. O futebol é uma paixão para o corintiano fanático, que viaja o Brasil inteiro para acompanhar seu time. Além disso, faz parte da sua profissão a educação física, que atualmente está sendo aprimorada no curso de pós-graduação.

Tudo começou em junho de 2015 em uma roda de conversa informal sobre futebol com os amigos. Durante a troca de ideias um dos amigos contava sua experiência em treinar times de futebol. Foi aí que Paulinho, como é carinhosamente chamado pelos alunos, viu a oportunidade de mudar a realidade de mais de 250 adolescentes.

O Morro Doce é um bairro de periferia e precário de educação, saúde e lazer. Isso torna o local extremamente vulnerável à criminalidade e às drogas. Paulinho pode falar dessa questão com propriedade pois ele foi vítima disso. Aos 15 anos conta que começou a beber e fumar maconha, usou várias drogas até chegar no crack. Paralelo a isso cometeu vários delitos. Hoje, ele revela que esse processo foi fundamental para sua reestruturação e encontro com Deus.

A região que o campo está localizado é perto de três favelas, cujo os barracos e casas são extremante pequenos e apertados, além de não ter quintal, tornando os becos e vielas os únicos lugares para as crianças brincarem. Uma coisa que chama muito a atenção do treinador é que a maioria das crianças não tem pai e moram somente com a mãe, que para suprir as necessidades financeiras ficam fora o dia inteiro para trabalhar.

Analisando seu passado e olhando a falta de estrutura por parte do governo ou qualquer outra iniciativa social ele fundou o Loucos e Malucos, que atende meninos e meninas. Os treinos acontecem sempre aos sábados de manhã no C.D.C Coronel Gladiador, divido nas categorias: sub 11, sub 13, sub 15 e sub 17. Para ministrar os treinos ele conta com a ajuda do seu amigo Evandro, sua esposa Luciana e conta com ajuda de alguns pais.

O projeto não possuí nenhum tipo de auxilio externo, todo o dinheiro saí do bolso deles. Paulinho conta que ele e sua esposa recebem seus salários, pagam as despesas da casa e o restante do dinheiro vai para o projeto, seja para comprar instrumentos de trabalho como bolas, cones, coletes ou para comprar o lanche que é servido no final de todos os treinos e jogos. Uma padaria da região faz a doação dos pães, mas o recheio e o suco servido são eles que compram. O educador físico diz que parece uma realidade distante, mas muitas crianças participam do projeto apenas para se alimentar.

Durante o ano eles disputam o Campeonato Estadual, Taça Cidade São Paulo e Recopa. Os atletas são encaminhados para as peneiras dos times de médio e grande porte, além de receber a visita de alguns empresários. Atualmente, duas meninas estão fazendo uma bela campanha no Grêmio Audax e oito meninos estão jogando no time de Caieiras.

Quando isso acontece a felicidade de todos que fazem o projeto acontecer é muito grande, porém formar atletas não é o principal objetivo. Para eles o que realmente importa é tirar aqueles jovens da situação de vulnerabilidade das ruas e fazer com que eles frequentem a escola. Para isso mantém contato direto com as diretoras dos colégios da região para analisar o desempenho escolar de seus atletas. As notas obtidas nas provas não é a coisa de maior valor para eles, mas a frequência e o comportamento sim.

Todos que passam por lá são considerados filhos para Paulinho, que conta que fica até tarde nas redes sociais conversando com os jovens, procurando saber se já estão seguros em casa. O futuro é incerto, mas a única coisa que ele quer fazer é que crianças e adolescentes não se percam.

Cores, cordas e tambores: os novos instrumentos da educação

Texto por Daniel Yazbek, Giovanna Cicerelli e Júlia Mesquita

Vídeo e foto por Júlia Mesquita

A escola Antônio Alves Cruz seria fechada em 2001 por falta de alunos, até que nasceu projeto “cores, cordas e tambores” e revolucionou a forma de educar. A escola  pública Alves Cruz, fundada em 1964, era uma escola diferente das demais por ser considerada “livre”- havia uma cultura artística e musical muito expressiva em meio a um dos momentos mais críticos da história política do Brasil: a ditadura militar.

Apesar da censura, o ensino tinha muita qualidade e, dentro da instituição, existia um espaço para que os alunos pudessem se expressar, o que não acontecia nas demais escolas, tanto é que saíram da “Alves Cruz”  alguns cineastas, fotógrafos, atores e o grupos musicais como “Rumo” e “A Palavra Cantada”.

Segundo o ex-diretor da escola na época, Ary de Rezende, a maioria dos professores eram contra a ditadura e o mesmo chegou a ser afastado da direção por não aceitar determinadas condutas, como o caso da professora Elaine Maria Rebaldo, que perdeu seu marido assassinado no Chile e depois foi dado como desaparecido. Somente depois de vinte anos, a família ficou sabendo o que de fato tinha ocorrido.

No fim da ditadura militar, muitos professores da escola pública começaram a migrar para as escolas particulares e os alunos começaram a migrar também, o que fez com que a escola “Alves Cruz” perdesse muitos alunos e, em 2001, o colégio ficou com seis salas de aula no período da manhã e duas durante a noite, o que a ameaçou de fechamento.  Isso chegou nos ouvidos dos ex-alunos e eles juntos com alguns alunos na época se uniram para especialmente criar uma associação e evitar o fechamento.

A primeira iniciativa foi criar um fórum, para realmente ver o que a escola precisava e os integrantes chegaram a conclusão de que seria importante ocupar a escola nos finais de semana para não perder sua história de luta e resistência. Os integrantes do Fórum, criaram a ONG Fênix, com o intuito de, como os mesmos falam, “colocar a boca no trombone”, pois tinham uma escola pública prestes a ser fechada e isso não podia ser aceitável, ou seja, deixar que tirassem mais um espaço conquistado para promover a educação aos que mais necessitam. 

A ONG Fênix começou a buscar patrocinadores para manter oficinas de vela, fotografia, teatro e música. Hoje, as únicas que sobrevivem são as aulas de instrumentos musicais depois das aulas normais e as aulas de japonês [aos domingos de manhã]. O projeto batizado de “Calo na Mão”, tornou-se referência no ensino de maracatu, com oficinas aos sábados e domingos a partir das 14h. Os ensaios do “Bloco de Pedra”, que antecede a oficina de abertura, estão abertos para qualquer pessoa que queira tocar os instrumentos. O projeto, que reúne em média 400 pessoas nas apresentações busca incentivá-las a ter um primeiro contato com o maracatu, 

fonte: Vídeo feito com Iphone de Júlia Mesquita/ Bloco de Pedra durante oficina aberta.

O projeto “Calo na Mão” toca maracatu de baque virado, conhecido em Recife também como maracatu nação. Historicamente, o maracatu começa a aparecer em 1850, mais como os rituais de reis negros com batuque, desfile de nobres. Hoje, esse modelo é mais visto em Pernambuco. Essa cultura que nasce das senzalas é uma cultura que, antes de qualquer coisa, é de resistência, isto porque houve a troca culturas dos escravos vindos de diferentes partes do continente africano que quando chegavam no Brasil, criavam uma espécie de identidade nova.

O “Bloco de Pedra” se denomina como grupo – não como nação – o que não faz deles menos fiéis ao maracatu de Pernambuco, que tem as cortes e os personagens. Na verdade, o grupo pega algumas particularidades de certas nações e faz uma adaptação com a sua cara. O mais importante no maracatu é o mestre de batuque, porque é ele que vai realmente comandar todos os instrumentos: alfaia, gonguê, caixa, age, mineiro e o atabaque, além de ajudar a rainha a gerenciar.

Cada baque tem o seu suingue, há uma célula rítmica que é a base do maracatu e, por isso, se faz presente em todos os baques, independentemente da nação, porque é esse trabalho, essa relação que vai caracterizar aquele grupo como uma espécie de maracatu. Nos anos 1980, o maracatu começou a ser revigorado, por conta, do movimento “Mangue Beat” – com Chico Science & Nação Zumbi – que deu mais visibilidade para a cultura popular, até por isso que pode ser visto influências de maracatu em algumas músicas de hip-hop.

 

O por do sol e a metrópole

Crônica por Luiza Schiff e Ulisses Lopresti 

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Se você estiver no Rio de Janeiro e bater aquela vontade de curtir a paz e a beleza de um por do sol, o endereço mais provável vai ser o do Arpoador. Se estiver em Santos, vai ser na plataforma do Emissário Submarino, no José Menino. Por do sol combina muito com praia e com lugares onde você pode chegar caminhando, ou de bicicleta.

E em São Paulo? Será que tem algum lugar para curtir um por do sol que combina com metrôs apressados, ônibus lotados e dificuldade para estacionar automóveis?

A resposta, até certo ponto surpreendente para essa questão, é afirmativa. São Paulo tem, sim, pontos de um por do sol poético e desestressado.

O mais descolado deles teria de ser, quase obrigatoriamente, vizinho da descolada Vila Madalena. E é mesmo. A geografia preparou e a selvageria da especulação imobiliária preservou – provavelmente sem querer – a Praça Custódio Fernandes Pinheiros, no Alto de Pinheiros.

Nossos avós provavelmente diziam que ali era um outeiro ou uma colina. Você vai dizer que é o alto de uma ladeira. Eles certamente tinham mais oportunidades e mais lugares e menos necessidade de levar uma câmera fotográfica para registrar a beleza que se renova todos os dias do sol se escondendo da gente aos pouquinhos, enquanto o nosso hemisfério prepara a noite. Você vai clicar no celular e postar para matar de inveja quem engoliu um sanduíche depois do trabalho e foi correndo para a faculdade ou para a academia.

O espetáculo diário é tão bonito que muda o nome da praça. Ela vira Praça do Por do Sol e faz você esquecer, por um breve momento, que a menos de dois quilômetros dali estão pulsando a estação Faria Lima da Linha Amarela do metrô e a estação Vila Madalena, da Linha Verde.

O cheiro de maconha, as vagas para estacionar ali perto todas ocupadas e os cliques de celulares não deixam esquecer que estamos na São Paulo do século 21.

Mas você tem a opção da bicicleta. E, se relaxar um pouquinho, concentrar-se na beleza natural e colocar o celular no vibra, vai se lembrar que ali é um outeiro, ou uma colina, e sentir a paz que seus avós, provavelmente, muitas e muitas vezes também sentiram.

“Mooca é Mooca e o resto é bairro”

Por: Gianluca Florenzano

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Divulgação: Site Oficial Clube Atlético Juventus

Brás, Bixiga e Mooca são sinônimos de bairros italianos em São Paulo.  A história do Clube Atlético Juventus e do distrito se confundem. Ambos foram fundados por imigrantes italianos, atraídos para a capital pela numerosa oferta de trabalho que havia nas indústrias. A faixa com o dizer “Mooca é Mooca e o resto é bairro” está sempre nos jogos do Juventus, um dos times mais tradicionais da cidade. Ela mostra o profundo sentimento de brandura que seus torcedores possuem sobre o bairro da zona leste.

Uma das figuras de maior destaque desse local foi o Conde Rodolfo Crespi, dono da Cotoníficio Crespi, que chegou a ser a maior tecelagem de São Paulo. A maioria dos imigrantes vindos da Itália, que se estabeleceram na Mooca, trabalhava nessa manufatura, tanto que em 1924 nascia o Cotoníficio Rodolfo Crespi Futebol Clube, formado exclusivamente por operários da fábrica de tecelagem do Conde. Em 1930, a assembleia da instituição futebolística se reuniu e resolveu rebatizar o time. Surgia então o Clube Atlético Juventus, nome dado em homenagem ao Juventus da Itália. Crespi cedeu um espaço que tinha no distrito, para que ali fosse construída a nova casa da agremiação. Localizada entre a Rua Javari e Rua dos trilhos, o campo esportivo leva seu nome, Estádio Rodolfo Crespi, mas é popularmente conhecido como Javari.

De acordo com os moradores da região, o amor pelo clube é passado de geração em geração. “O nosso amor e tão grande pelo Juventus e pelo bairro, pois ele foi fundado praticamente pela nossa família. Os bisavôs de todos aqui do bairro que fundaram os dois (distrito e time), por isso têm esse carinho todo”, disse Beatriz da Silva Paiva, uma torcedora do time. Angélica Brandão, sua amiga também fã do Moleque Travesso, como é conhecido à instituição futebolística, complementa: “a Mooca criou o Juventus. Nos jogos do time é como se todos daqui estivessem na Javari. Por isso que é um bairro tão especial, pois temos um clube que é só nosso”, discursa.

E, de fato, o amor da torcida tanto pelo lugar como pela equipe é grande. Nos jogos da agremiação em seu estádio, é possível ouvir os cânticos dos adeptos venerando o reduto de italianos: “somos do bairro da Mooca; bairro de luta e tradição” e “por toda a minha vida; moleque travesso; da Mooca querida”.

A atmosfera nos jogos do clube é algo extraordinário como costuma relatar os juventinos. “A Javari é um lugar único, aqui torcemos a moda antiga”, fala Paiva, “mantemos a tradição de torcer, nos recusamos a ser padrão FIFA”. A torcedora se refere ao fato de equipes grandes de São Paulo, principalmente Corinthians e Palmeiras, terem arenas modernas que não possuem mais o “cimentão”, todos os setores têm cadeiras, o que inibe, de certa maneira, de os adeptos pularem durante os jogos.  Nas partidas do Juventus é comum escutar o grito “ódio eterno ao futebol moderno”. “Nenhum lugar da Javari têm cadeiras, aqui somos ‘uma geral’ (setor do estádio onde a plateia assiste ao jogo de pé, e onde geralmente ficam as torcidas organizadas), e queremos que permaneça assim, não queremos nos transformar em torcedores ‘coxinhas’”, enfatiza a amiga.

O time da Mooca não conseguiu ganhar nenhum título de grande relevância – as principais conquistas foram o Campeonato Brasileiro da Série B em 1983, e a Série A2 do Paulista em 1929 e 2005 -, mas isso pouco importa para a sua torcida apaixonada, “torcemos por um time e não por conquistas”, ressalta Brandão. Atualmente, o Juventus não está em nenhuma divisão, disputa a Copa Paulista que dá acesso para a Série D. Outros clubes tradicionais de São Paulo estão nesse torneio, como a Portuguesa, o São Caetano do Sul e Ferroviária.


Colaboradores: Edilson Henrique Silva Muniz, Augusto Godoy e Victória Bonachelli

A vila dos encantos

Por: Luiza Schiff 

Antes de ganhar o status atual, de charme e boemia, a Vila Madalena foi rebatizada. No início do século passado, era conhecida como Vila dos Farrapos.

Zona Oeste de São Paulo, distrito de Pinheiros, os farrapos do nome faziam bullying com as casas mais baratas, procuradas por quem não tinha cacife para morar no Jardim América.

Madalena, como também as vizinhas Beatriz e Ida, eram os nomes das filhas de um dos grandes loteadores de terrenos desses três bairros.

A proximidade da Cidade Universitária, da USP, moldou o jeito metropolitano da Vila Madalena. Estudantes de outras cidades e também professores universitários foram atraídos pelos preços dos aluguéis e imóveis, pela proximidade do campus e pela facilidade de transporte.

Deu no que deu. O bairro foi aprendendo, pelo método de tentativa e erro, a satisfazer o bom gosto eclético desse pessoalzinho.

Hoje você encontra de tudo por lá. De naturebices e roupas de grifes internacionais, de cerveja artesanal a empanada argentina.

Se você trafega na ala alternativa, não tem nenhum lugar de São Paulo que vá disponibilizar tantas opções de yoga e alimentação natural nem tantas galerias de arte despojadas.

Se gosta de badalação – tanto a arrumadinha como a mais escrachada – é lá.

As opções são para todas as tribos e todos os horários. Café da manhã? A Vila oferece ótimas padarias. Fome depois da balada? Lugares que varam as madrugadas. Samba? Tem. Jazz? Também.

Mais recentemente, a Vila Madalena encasquetou de colecionar premiações: o melhor café, o melhor hambúrguer e até o troféu mais disputado do mundo: a melhor pizza na cidade das melhores pizzas.

Para descobrir todos os infinitos segredos da Vila Madalena, não precisa de guia nem de roteiro. É só ir andando pelas ruas de nomes diferentes (Aspicuelta, Purpurina, Simpatia…) ou bem brasileiros: Fradique Coutinho, Belmiro Braga, Cardeal Arcoverde…

A Vila Madalena vai se apresentando sozinha para os não-iniciados. Um dia você vai se referir a ela como Vila Madá. Se você fizer isso com naturalidade e não com aquela horrorosa falsa intimidade, o processo está completo. A Vila já adotou você.

Compaixão ativa para o bem

Texto por Daniel Yazbek, Giovanna Cicerelli e Júlia Mesquita

Fotos por Sonhar Acordado São Paulo 

Formar consciência social, através de ações positivas a favor da infância necessitada’ é o lema da ONG Sonhar Acordado que no ano de 2018 completará 20 anos.

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Foto e Logo do Sonhar Acordado.

Fundada por uma iniciativa juvenil da cidade de Monterrey, no México, e com o objetivo de unir pessoas dispostas a fazer o bem, a organização (Soñar Despierto, em espanhol) chegou no Brasil, exatamente na cidade do Rio de Janeiro, no ano 2000. Entretanto, foi só em 2001, em Curitiba – no dia 21 de Maio – que o Sonhar Acordado oficializou sua criação. A idéia foi tão boa, que em 2010, recebera o reconhecimento – e a honra – do Governo Federal por ser considerada uma instituição de Utilidade Pública.

Em 2016, um levantamento realizado pelo próprio Sonhar apontou que, dentre seus quatro programas contínuos de voluntariado, 500 crianças são atendidas em um total de 13 instituições espalhadas por 10 estados brasileiros. Estima-se que com o trabalho dos 500 voluntários sonhadores – nome carinhoso dado aos adeptos da ONG – 8.970 pessoas ao todo são impactadas.

Os programas contínuos consistem em participar uma vez por mês, semestralmente, das atividades e formações voltadas para os valores e virtudes que são o foco do trabalho feito com as crianças e adolescentes. Entre esses programas estão:

Amigos Para Sempre (APS), que desenvolve e estimula o aprendizado de valores, como caridade, esperança e dignidade, em crianças que se encontram em estado de vulnerabilidade social, através de um laço de amizade estabelecido entre o jovem e o voluntário, surgiu daí o nome do programa;

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Foto: Sonhar Acordado/ Festival de mensagens boas no evento do APS-4.

Sonhando Juntos (SJ), este que tem como missão levar alegria a crianças com algum tido de síndrome, doença crônico-degenerativa ou em fase terminal – conforme os jovens se relacionam com os voluntários sonhadores, ambos constroem entre si uma relação de confiança, a fim de identificar seus maiores sonhos para que assim esses se realizem – o objetivo não poderia ser outro, trazer esperança que muitas vezes é abalada em tais situações difíceis;

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Foto: Sonhar Acordado/ Criança participante do programa Sonhando Juntos.

Preparando Para o Futuro (PPF), este programa visa orientar adolescentes também em situação de vulnerabilidade social para que esses construam suas identidades e tomem decisões tão importantes nessa fase da vida, além de estimulá-los a tornarem-se agentes transformadores de realidades que conhecem. Autoconhecimento e autoestima são dois dos valores trabalhados pelos voluntários com os jovens;

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Foto: Sonhar Acordado/ Voluntários Sonhadores e jovem do Preparando Para o Futuro.

Contando Sonhos (CS), o qual objetiva guiar, novamente, jovens em situação de vulnerabilidade social, durante esta fase da vida, a fim de transmitir valores humanos e desenvolver a alfabetização por meio do contar histórias, o que por sua vez incentiva as crianças a descobrirem o poder de sua voz. Durante seis meses voluntários trabalham para as histórias criadas pelas crianças e o resultado é o chamado Big Show – que já está na sua oitava edição em São Paulo – um evento de teatro com 10 peças escritas e dirigidas por crianças e com atores profissionais que as encenam.

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Foto: Sonhar Acordado/ Voluntário e criança durante o Contando Sonhos.

Um dos cinco programas APS de São Paulo, no caso o terceiro, que existe desde o final de 2008 e atende sua a terceira instituição diferente, e tem somente mais um encontro neste ano de 2017, pois por ser um programa contínuo e com crianças, este, além de seus eventos mensais, também participa das Grandes Festas (GF) aos finais de cada semestre.

O Centro da Criança e Adolescente (CCA) que o APS 3 atende atualmente leva o nome do anjo São Miguel, contudo este não é o nome do bairro em que se situa, apenas uma homenagem à uma figura católica. A CCA – São Miguel se encontra entre as rodovias Raposo Tavares e Francisco Morato, mais precisamente no Jardim Guaraú – próximo ao Jardim das Esmeraldas – zona oeste de São Paulo, e pelo menos 50 crianças e 50 voluntários realizam o projeto com o pessoal de lá uma vez por mês.

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Foto: Sonhar Acordado/ Voluntários e crianças do Aps-3 no CCA-São Miguel.

O último encontro para todos os programas de APS e aproximadamente mais 1.000 crianças que não participam de projeto algum, em um total de aproximadamente 1.400, será a Festa de Natal. Esse ano a temática da festa será Games e acontecerá no dia 10 de dezembro das 09h às 18h no Colégio Pio XII.

O evento reúne as crianças para um dia divertido com brinquedos infláveis, comidas gostosas, oficinas interativas – desta vez sobre Games – atividades e brincadeiras. Ao final do dia juntamente com a presença do Papai Noel, recebem os presentes que pediram através de cartas para o “bom velhinho”.

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Foto: Pridia/ Encerramento da Festa de Natal de 2016.

Quem desejar participar pode se inscrever no site da Festa, comparecer à uma formação sobre a mesma e contribuir com R$ 50,00 – sem contar as outras formas de doações opcionais, como os presentes que o papai noel dá para as crianças, simples doações por meio de rifas ou também pelo site de financiamento coletivo Juntos. Vale lembrar que uma festança dessas custa caro e os voluntários sonhadores trabalham intensamente para a diversão ser completa e tornar o dia de uma criança inesquecível.