“Feira da Praça” traz cultura, artes e lazer

Por: Adriana Vieira, Barbara Bastos, Catharina Figueiredo, Giovana Costa, Ingrid Duarte e Maria Victória Gonzalez

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Desde 1987, a “Feira da Praça” acontece na Benedito Calixto e atrai muitas famílias, comerciantes, turistas e amantes da cidade de São Paulo. O evento é realizado todos os sábados, das 9 às 19 horas, no bairro de Pinheiros. O clima é de lazer e a diversão fica por conta da diversidade e do contato cultural.

Numa mistura de brechó e antiquário, a feira é famosa pela variedade. Há expositores com artesanato como copos feitos de garrafas de vidro, existem peças decorativas, quadros, sapatos, roupas, bijuterias e muito mais. Outro destaque da feira é o clima nostálgico. A maioria dos expositores vendem artefatos antigos, sejam peças de porcelana e prata, ou itens de colecionadores como brinquedos antigos, moedas de diversos países, discos raros tanto nacionais como internacionais, câmeras fotográficas de todos os tipos e épocas, máquinas de escrever, histórias em quadrinho raras e vitrolas de todos os tamanhos.

 

 

Maurício Tedesco, de 51 anos é artista plástico e expõe seus quadros na Benedito há 8 anos. Segundo ele, é gratificante ver as pessoas visitando a feira: “Exponho aqui desde 2009. Hoje, a feira é frequentada por diversos tipos de pessoas: desde turistas que vêm conhecer a tradição da feira, quanto pessoas quem vêm visitar os bares nos arredores, experimentar a comida. Há também os colecionadores e aqueles que vêm simplesmente para passear. O que é legal da feira é a descontração, as pessoas vêm realmente para relaxar e comprar, estão “desarmadas”, tranquilas, é muito empolgante!”.

Além dos expositores, a feira conta com uma praça de alimentação muito completa e que, costuma agradar todos os públicos. Há apresentações da “Canário e seu Regional”, um trio que embala a praça de alimentação com ritmos brasileiros tocados no chorinho. Entre as opções de comidinhas estão: petiscos, comida portuguesa, doces caseiros, pastel, comida baiana, hot dogs, bebidas feitas com frutas exóticas, bolos caseiros, entre outras. Mariana Manso, de 36 anos, secretária, frequenta a feira a 10 anos e se apaixonou pela praça de alimentação. “Gosto de tudo aqui, desde a praça de alimentação, até o artesanato, mas minha paixão mesmo é a comida, é muito saborosa. Conheci a feira através de uma amiga e sempre que posso estou aqui”, diz Mariana.

Na Benedito Calixto, há também bares e galerias nos arredores que acabam tornando-se uma extensão da feira. Muitas pessoas se reúnem com os amigos para aproveitar o entardecer, conversar e beber nos bares próximos. Muitas famílias visitam as lojas das galerias, que oferecem opções diferenciadas de roupas, acessórios, decorações e até itens para jardinagem. A musicalidade da feira também não se limita ao chorinho, há expositores tocando MPB, enquanto nas galerias também há espaço para outros ritmos como jazz e rock n’ roll, com música ao vivo.

 

 

Luiz Bispo, de 86 anos, cozinheiro e responsável pelo “Portal da Bahia”, barraca famosa pelo acarajé, trabalha há 30 anos na feira e fica muito feliz com a visitação da clientela. “Não tenho reservas em relação a este lugar, nem preconceitos, gosto de tudo aqui! Os clientes são pessoas maravilhosas. Se tem algum que não é bacana, deixo passar, pois entre um que não é legal, existem mil que valem a pena. O que mais me agrada aqui é a diversidade, as pessoas representam a Benedito Calixto”, garante Luiz.

É notável o carinho e a fidelidade do público, já que a feira está sempre cheia e conta com a presença de pessoas de todas as idades. Não há quem não se empolgue com as antiguidades, a comida e toda a valorização cultural que a feira agrega, trata-se de um passeio indispensável e que com certeza representa toda a diversidade cultural de São Paulo.

 

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Feira Boliviana do Canindé

Texto por Maria Victória Gonzalez e fotos por Ingrid Duarte e Giovana Costa.

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Nas barracas há uma grande diversidade de produtos.

Estima-se que aproximadamente 200 mil bolivianos vivem na cidade de São Paulo atualmente. Grande parte deles estão na região do Pari, centro de SP, na Praça da Kantuta. A feira, que ocorre toda semana, aos domingos das 11h às 19h, faz esquina com a Rua das Olarias e Rua Araguaia. A diversão dominical da comunidade boliviana da cidade conta com diversas barracas de comidas típicas como santeñas, temperos, chás, produtos industrializados da Bolívia, malhas, bordados, vasos etc. Também oferece atração musical e de dança, com uma gama de instrumentos musicais de sopro e as festas folclóricas, que são organizadas em datas comemorativas do país. Além disso, o visitante pode conhecer o serviço de peluqueria (cabeleireiro em português), que possui fila todos os fins de semana para atender os clientes que desejam cortar o cabelo.

Infelizmente os produtos da feira ainda são trazidos pelos estrangeiros de forma irregular e por ônibus, isso porque não possuem autorização para entrarem com as mercadorias no Brasil. A feira Boliviana é discreta e pequena, mas é muito bem organizada. Seus visitantes têm a sensação de estarem em outro país com tamanha diversidade de produtos e cultura que existem no local.

O nome da praça Kantuta, é referência à uma flor que possui o mesmo nome, originária da região antiplano da Bolívia. Com caule amarelo, pétalas vermelhas e folhagem verde, a flor lembra a bandeira boliviana.

Além de ser uma atração turística e cultural, o evento é uma grande oportunidade para os imigrantes da Bolívia, que sofrem muito com a xenofobia existente em nosso país, tanto em relação ao emprego como também aos seus costumes. Além dessa, a feira típica tem outro ponto na zona leste de São Paulo, na Rua Coimbra, entre as ruas Bresser e Dr. Costa Valente, próximo ao metrô Bresser-Mooca (linha vermelha). Funciona aos sábados e domingos das 15h às 21h.

 

O recomeço através da culinária

Por Clara Marques, Elaine Bertoni e Giulia Villa Real

A culinária estrangeira sempre fez sucesso no Brasil, principalmente pelas influências europeias. De uns anos para cá, com as crises políticas e conflitos no Oriente Médio, o número de refugiados aumentou no país e consequentemente a quantidade de restaurantes típicos. A cidade de São Paulo recebeu muitos desses restaurantes, sobretudo na região central.

Em 2016 foram reconhecidos um total de 9.552 refugiados de 82 nacionalidades, de acordo com os dados do CONARE (Comitê Nacional para Refugiados). Países como Síria e Palestina são os que tem o maior número de refugiados reconhecidos no Brasil.

Os donos dos restaurantes New Shawarma, Ogarett e Al Janiah fazem parte desses números. Para eles, o recomeço em um país diferente veio através da gastronomia. Ambos possuem hoje seu próprio restaurante de comida árabe no centro de São Paulo.

New Shawarma

Foto: Giulia Villa Real/Chefe do New Shawarma, Imad Abouharb

Em 2011, Eyad Abouharb deixou Damasco, capital da Síria, para não servir o exército durante a guerra. “O que acontece lá é um conflito de interesses políticos internacionais”, diz. Chegou no Brasil em 2013, após passar um tempo no Líbano e na Jordânia. Trabalhava como chef de cozinha no seu país e hoje, já bem instalado na cidade, conta também com a ajuda de seu irmão, Imad, no comando do restaurante New Shawarma, em frente à Mesquita do Pari, na Rua Barão de Ladário, 897, desde 2016.

Foto: Giulia Villa Real/Chefe do New Shawarma, Imad Abouharb

Como muçulmanos, eles afirmam que nunca sofreram discriminação ou qualquer tipo de preconceito. Quando questionado sobre a escolha da vinda para o Brasil, Eyad não esconde seu sentimento de gratidão, “foi o único país que nos recebeu de coração aberto. Eu amo o povo daqui, não existe igual. ”

Foto: Giulia Villa Real/ Shawarma de frango

Enquanto prepara um dos lanches típicos, o shawarma — sanduíche feito de pão sírio, pasta de alho, picles, frango e batata frita. Ele acrescenta que sua família ainda está na Síria, numa região mais segura, mas pretende trazê-la em breve para São Paulo. “A nossa comida, nosso tempero, vem dos nossos ancestrais, não existe igual”, enfatiza Eyad.
O valor médio dos pratos é de R$10. O local fica aberto de segunda a sábado, das 9h às 18h.

Foto: Giulia Villa Real/ Cardápio tem preços acessíveis

Ogarett

Foto: Giulia Villa Real/Ogarett, localizado no Pari

Há três anos, Mazen Alkujook veio para o Brasil com sua esposa e três filhos — e hoje com um nascido em São Paulo —, deixando em Damasco dois restaurantes que comandava. Já foi morador de Mogi das Cruzes, logo que chegou ao país, Tatuapé e atualmente possui o restaurante Ogarett na Rua Doutor Ornelas, 150, no bairro do Pari, a poucos quarteirões do New Shawarma.

Foto:Giulia Villa Real/Funcionário preparando um dos pratos

As mesinhas na calçada e o forno não muito convencional dão um ar descontraído ao ambiente que serve pratos típicos do Oriente Médio, entre eles o falafel, esfihas, kafta, sujek (sanduíche de carne picante) e doces como o de gergelim.

Foto:Giulia Villa Real/Falafel, prato típico

Alguns parentes, também vindos da Síria,  tentam ao máximo entender o português, e quando não, apelam para o inglês. As diferenças culturais são muitas e o idioma pode até dificultar o entendimento, mas a sensação de acolhimento faz valer o esforço. Os preços variam de R$4 a R$25. O restaurante fica aberto de segunda à sábado, das 11h às 20h.

Foto: Giulia Villa Real/ Kafta e Fahita são os pratos mais pedidos

Al Janiah

A história desse restaurante é um pouco diferente das outras. Hasan Zarif, filho de país refugiados da Palestina, nasceu em São Paulo. Hoje é um dos organizadores da ocupação Leila Khaled e membro da Mopat (Movimento Popular Palestina Para Todos), teve a necessidade de discutir e esclarecer as questões do refugiado e criou o seu restaurante.

Foto:Estadão Conteúdo/ Hasan Zarif, dono do Al Janiah

O Al Janiah, localizado na rua Rui Barbosa, 269, na Bela Vista, ficou conhecido por ser um ambiente descontraído e com uma ótima comida. Os cozinheiros Mohamad Othman, Mohamad Isa, Wissam e Rami são muçulmanos, mas não se importam com a algazarra e o consumo de álcool no local. Os quatro são refugiados sírios e estão no Brasil desde 2013, quando a guerra civil explodiu.

Foto:Estadão Conteúdo/Cozinheiros do Al Janiah

Falafel, Shawarma, Kafta e outros clássicos são as estrelas do restaurante. Mas não pode deixar de experimentar o Palestina Libre, que mistura araque, uma bebida típica árabe, com cachaça, limão, pimenta-biquinho e zátar verde.

Foto:Estadão Conteúdo/Palestina Libre

Os preços são acessíveis, na média pratos e aperitivos saem por R$15. O restaurante abre de terça-feira a sábado das 18:00 as 00:30.

 

Tradição, boa comida e simpatia

 

Por Gianluca Florenzano

A padaria Santa Tereza, localizada na Praça João Mendes, 150, é um dos pontos mais tradicionais de São Paulo. Foi fundada em 1872, e possui o título de Patrimônio Histórico, mantendo a sua fachada tradicional.

Entrada da Padaria Santa Tereza. Foto: Victoria Bonachelli.

Antônio Pedrosa, 68, conhecido popularmente como seu Antônio, o funcionário mais antigo do estabelecimento – trabalha há 46 anos – nos conta que o comércio surgiu no bairro da Sé. “Ela ficava na Rua Santa Tereza, do lado do cine (cinema) Santa Helena, que era um cine bem famoso e bem popular”, diz ele. “Por isso que ela ganhou o nome de Santa Tereza”.

Antônio Pedrosa, 68, funcionário da padaria Santa Tereza. Foto: Victoria Bonachelli.

Em 1942, os donos da padaria compraram um imóvel na Praça João Mendes, mudando seu endereço. “Lá, (na Rua Santa Tereza) pagava aluguel, por isso resolveram comprar esse imóvel”, relata o funcionário. Haviam se mudado na época da revolução, “segundo o patrão meu, José Maria Rodrigo, já falecido, que me contou”. Ele prossegue, “na época da revolução era muito difícil trabalhar, pegavam muita fila para comprar pão e leite, e era racionado também, quantidade certa, não podia passar daquilo, nem mais nem menos, tinha um limite”. E termina, “já pensou se hoje fosse assim? Com essa população que cresceu tanto assim, o que seria de nós?”.

Em todos os anos que Antônio Pedrosa trabalhou nesse comércio, houve apenas uma única reforma no local. Ela ocorreu de 1999 para 2000, no segundo andar. Conforme seu Antônio relata, a padaria e o restaurante funcionavam em conjunto no primeiro andar, e o segundo andar servia apenas para guardar sucata velha. “Foi uma grande coisa, o que eles fizeram (a reforma)”, diz ele. “Eles não acabaram com a tradição do lugar, eles a mantiveram”.

Interior do restaurante Santa Tereza. Foto: Victoria Bonachelli.

A tradição da padaria Santa Tereza não fica apenas na arquitetura. Os pratos do dia, especialidades da casa, são o que mais atraem a clientela, garante o funcionário. O filé parmegiana, o filé a cubana, o filé grelhado e o filé de pescada são os principais. O primeiro filé é o mais requisitado pelos clientes e traz consumidores até de outras cidades e estados. “A Globo, uma época me chamou para eles gravarem a respeito do filé a parmegiana, e eu propaguei esse filé”, ele conta. “Veio gente do interior me procurar a respeito desse filé”, gente da cidade de Assis e “até uma senhorinha que veio do Paraná me procurar sobre esse filé”, sorri ele.

O único prato que a padaria deixou de fazer é o cassoulet, também conhecido como feijoada branca. Como se fosse uma feijoada tradicional, porém, ao invés do feijão preto o branco, e ao invés dos pedaços de linguiças, pedaços de frangos e também batatas. “Era um pratinho gostoso, você precisava ver”, comenta.

E o prato tinha uma boa fama mesmo. Até hoje clientes antigos vêm procurar seu Antônio atrás do cassoulet. Segundo ele, a feijoada branca era bastante requisitada. “Clientes antigos ainda me perguntam: ainda tem aquele cassoulet? ” e respondo “não, não tem”, narra.

Quadro sobre matéria da Folha de S. Paulo. Foto: Victoria Bonachelli.

Sem dúvida nenhuma, o funcionário mais antigo da padaria é tratado com muito carinho pelos clientes, inclusive pelo atual governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Às vezes ele chega aqui e logo vem me cumprimentar”, explica. “O Geraldo Alckmin gosta muito de mim”. E narra uma vez em que o governador veio na padaria: “Teve um tempo aí que ele perdeu as eleições para presidente, aí ele chegou e bateu ali no vidro, eu levantei cumprimentei ele que me disse: ‘estou desempregado seu Antônio, vim tomar um café aqui’”, lembra-se da história dando risada.

Apesar dos 68 anos, e aposentado desde 2007, o funcionário continua trabalhando no estabelecimento. Perguntado qual é a razão de ele estar ali a tanto tempo, ele responde: “Não tem motivo nenhum para eu não gostar daqui” e, além disso, “fui ficando tão próximo com os clientes, mas tão próximo, que hoje eu me sinto como se eles fossem meus amigos”.

A padaria Santa Tereza e seu Antônio vão seguindo a todo vapor, e conquistando cada vez mais clientes, seja tanto pela sua tradição, como pela comida, e principalmente pela sua simpatia.


Colaboradores da matéria: Edilson Henrique Muniz, Gianluca Florenzano, Augusto Oliveira e Victória Bonachelli

Gastronomia Tradicional do centro de São Paulo

Por: Edilson Henrique Muniz

Uma das primeiras lembranças que temos ao se comentar sobre São Paulo, inevitavelmente, é a gastronomia. A maior cidade do Brasil conta com uma infinidade de opções deliciosas para aquela hora em que a fome aperta e a barriga pede algo para preencher aquele vazio. Seja o bairro que estiver, sempre vai ter por perto uma cantina italiana, um bistrô francês ou uma bela padoca tradicional com o chefe de bigode vistoso e amante da velha Lusa. O mundo gastronômico se reúne na Terra da Garoa e todos têm um pedacinho de sua origem sempre por perto.

Segundo pesquisa realizada pelo Observatório do Turismo, existem mais de 20 mil restaurantes espalhados pela cidade com mais de 50 estilos de cozinhas, vindas de todas as partes do mundo. Turistas se sentem em casa quando vem à São Paulo. Ainda na pesquisa, foi divulgado que 70,1% dos turistas que chegam à capital paulista para negócios e eventos frequentam bares e restaurantes. Já com aqueles que desembarcam em busca de cultura e lazer, o número é ainda maior: são mais de 73% que procuram um bom lugar para fazer suas refeições.

O centro de São Paulo é um dos melhores lugares para se fazer essa viagem de sabores. Lá encontram-se tradicionais restaurantes com as melhores comidas do mundo todo. Um exemplo desses lugares é a Casa Mathilde – Doçaria Tradicional Portuguesa. Localizada na Praça Antônio Prado, zona central da cidade, a doçaria é uma marca de grande renome em Portugal, fundada no ano de 1850 por Mathilde Soares Ribeiro, numa vila portuguesa chamada Sintra. Seu carro-chefe sempre foram as queijadas, no qual pelo grande apreço do Rei D. Fernando II, tornou a Casa Mathilde fornecedora oficial dos quitutes para a Casa Real. Inclusive, concedendo o carimbo metálico que marcaram as mercadorias reais.

Foto por: Victória Bonachelli

 

Já no século XX, a doçaria foi comprada por alguns sócios portugueses que a trouxeram para São Paulo. Com chefes confeiteiros portugueses, não resta dúvida de que os doces de origem lusitana foram trazidas junto com as raízes do estabelecimento. Stefanie, 20 anos, funcionária do local no centro de São Paulo, valoriza a culinária e confia na qualidade do produto. Ela revela o doce mais procurado e alguns diferenciais da marca: “O pastel de Belém é o mais procurado, seguida pelas queijadinhas. A queijada Mathilde não vai queijo, ele é feito com amêndoas e canela”.

Fundada em 1888 na Praça da Sé, o Empório Casa Godinho é mais um exemplo de um comércio remanescente do século XIX na cidade de São Paulo. Aberta por um imigrante português de nome José Maria Godinho, começou como mercearia e, com o tempo, foi se adaptando e tornando-se, também, padaria. O Empório se orgulha de ter clientes antigos que vem em períodos festivos, mesclados aos novos que buscam algo tradicional na cidade. Os mais assíduos vão em busca de vinhos e queijos, clássicos da gastronomia portuguesa. Em 1924, a Casa Godinho se transferiu para a rua Libero Badaró, no centro da cidade, mais precisamente para o edifício Sampaio Moreira, considerado o primeiro arranha-céu de São Paulo e patrimônio tombado pelos órgãos de proteção ao patrimônio histórico. O prédio ainda abrigará, em breve, a Secretaria de Cultura do município.

Foto por: Victória Bonachelli

 

Com a Faculdade São Bento exatamente em frente ao estabelecimento, estudantes costumam ir atrás dos quitutes servidos pela Casa. O lanche mais vendido é o Jamon Espanhol, com base no presunto serrano. Mas seu principal prato é a empada. Feita com ingredientes tradicionais, foi considerada pela Revista Veja a melhor empada de São Paulo, permanecendo, até então, com o título. Além da gastronomia, Miguel Romano, 58 anos, dono da Casa Godinho, atenta-se à sua vizinhança. Já na Libero Badaró há muitos anos, acompanhou de perto as transformações do centro da cidade: “com a saída de grandes indústrias o centro se tornou um pouco mais abandonado. As que vieram eram de porte menor. Isso dificultou um pouco a clientela da loja, mas nada que não superamos”. A Casa Godinho estava de pé quando ocorreu a Revolução Constitucionalista de 1932, também conhecida como Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, que foi o movimento armado ocorrido no estado de São Paulo, entre julho e outubro de 1932.

A cidade de São Paulo é rica em diversos fatores e não decepcionará os amantes das cozinhas clássicas que vem à cidade aproveitar seus infinitos prazeres.


Colaboradores da matéria: Edilson Henrique Muniz, Gianluca Florenzano, Augusto Oliveira e Victória Bonachelli