Hospital Veterinário Público do Tatuapé

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Na cidade de São Paulo, animais de estimação podem ser atendidos gratuitamente em dois hospitais veterinários públicos existentes na capital, um fica na zona norte e outro na zona leste. A prioridade é para donos de pets com poder aquisitivo limitado, sendo realizados procedimentos variados: de consultas e exames a medicações, cirurgias e internações. Para saber mais detalhes, assista ao vídeo abaixo, com informações sobre o Hospital Veterinário Público do Tatuapé, na zona leste de São Paulo:

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Crônica: Os dois lados do guichê

Texto por Daniel Yazbek, Giovanna Cicerelli e Júlia Mesquita

Fotos por Júlia Mesquita

Na antiga gestão de Fernando Haddad, o programa “De Braços Abertos” previu a reinserção social dos usuários de crack e dependentes químicos, dando a eles emprego na área de zeladoria da cidade como garis e outros cargos. Da prefeitura, recebiam um salário mínimo e, além disso, não precisavam dormir nas ruas,  pois o programa também incluía pagamento de estadias nos hotéis da região para que os mesmos tivessem mais dignidade e a oportunidade de dormir em um lugar menos vulnerável que a calçada,  tomar banho e, também, quem optasse poderia procurar as clínicas de reabilitação, nada era forçado e havia diálogo entre os agentes sociais e os moradores em situação de rua.

O projeto desenhado no papel realmente parecia ser um sonho em relação à redução de danos, mas na prática o programa desandou: os traficantes de droga sabiam que aqueles dependentes químicos inscritos no programa receberiam aquele dinheiro todo mês e passaram a vender a droga antecipadamente, o que era muito ruim para os dependentes químicos, pois ficavam sempre em dívida com as quadrilhas.

Foto: Júlia Mesquita / Moradores em situação de rua dormem na calçada do centro de São Paulo.

Ouve-se muito o discurso entre os utilizadores: “a droga é ingrata, ela consome o ser humano de um jeito que a pessoa não consegue ficar sem” e esses encontravam-se sempre nessa situação: vítimas do vício e na mão desses traficantes. Nos hotéis parceiros do programa da Prefeitura, os usuários também enfrentaram problemas de diálogo com os donos e funcionários dos locais. “mas a culpa não é deles” – diz um ex-usuário de drogas e ex-morador em situação de rua, em palestra no Pessoal do Faroeste, centro cultural situado no Parque da Luz – “o problema está em não colocar pessoas preparadas para lidar com moradores de rua e dependentes químicos”.

Os hotéis ficaram sem saber o que fazer com o aumento no número de estupros, prostituição e cenas repentinas de agressividade que aconteciam e enfrentavam dentro de suas paredes, até porque não possuíam estrutura psicológica nem instrução suficiente para lidar com o problema social agora instaurado em seus espaços. Por conta desses e de outros problemas – como a forma que o “De Braços Abertos” era visto pela maioria da população paulistana – o programa recebeu muitas críticas. Inúmeros políticos, principalmente de oposição ao prefeito, apontavam essas falhas, assim, de modo a desmerecer todo projeto cuja ideia era relativamente boa, só precisava de reparos.

Com a nova gestão de João Dória, o projeto de De braços Abertos foi desfeito e colocado outro no lugar, o “Redenção“, resultando em ações truculentas da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da Polícia Militar (PM) com sua Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar). Mas  o que viu-se não foi a tentativa de diálogo, foram viaturas, tratores e policiais armados que pegavam os pertences das pessoas e colocavam nos tratores sem nenhum preparo.

Foto: Júlia Mesquita / Moradores em situação de rua reviram o lixo.

O artista plástico Raphael Escobar, voluntário no antigo De braços abertos, acredita que o estrago na cidade foi bem maior, pois “antes, o ‘fluxo’ [nome dado pelos usuários à super concentração dos mesmos] estava mais localizado naquela região” e “agora está espalhado por toda cidade”.

“O que é mais irônico é que a atual gestão quer vender o peixe de que acabaram com a cracolândia” – completa Escobar, durante escuta do Território com os alunos da PUC-SP, proposição do Memorial da Resistência realizada no dia 21 de setembro na sede do teatro Pessoal do Faroeste.

Com as duas ações – tanto a de Haddad, como a de Dória – fracassadas pelo ponto de vista das políticas públicas e sociais, o combate às droga exige ações da medicina e da área de saúde pública. Os políticos têm de parar de pensar em suas reeleições e começar a pensar na vida das pessoas – não a curto prazo, mas com o objetivo longínquo.