Cores, cordas e tambores: os novos instrumentos da educação

Texto por Daniel Yazbek, Giovanna Cicerelli e Júlia Mesquita

Vídeo e foto por Júlia Mesquita

A escola Antônio Alves Cruz seria fechada em 2001 por falta de alunos, até que nasceu projeto “cores, cordas e tambores” e revolucionou a forma de educar. A escola  pública Alves Cruz, fundada em 1964, era uma escola diferente das demais por ser considerada “livre”- havia uma cultura artística e musical muito expressiva em meio a um dos momentos mais críticos da história política do Brasil: a ditadura militar.

Apesar da censura, o ensino tinha muita qualidade e, dentro da instituição, existia um espaço para que os alunos pudessem se expressar, o que não acontecia nas demais escolas, tanto é que saíram da “Alves Cruz”  alguns cineastas, fotógrafos, atores e o grupos musicais como “Rumo” e “A Palavra Cantada”.

Segundo o ex-diretor da escola na época, Ary de Rezende, a maioria dos professores eram contra a ditadura e o mesmo chegou a ser afastado da direção por não aceitar determinadas condutas, como o caso da professora Elaine Maria Rebaldo, que perdeu seu marido assassinado no Chile e depois foi dado como desaparecido. Somente depois de vinte anos, a família ficou sabendo o que de fato tinha ocorrido.

No fim da ditadura militar, muitos professores da escola pública começaram a migrar para as escolas particulares e os alunos começaram a migrar também, o que fez com que a escola “Alves Cruz” perdesse muitos alunos e, em 2001, o colégio ficou com seis salas de aula no período da manhã e duas durante a noite, o que a ameaçou de fechamento.  Isso chegou nos ouvidos dos ex-alunos e eles juntos com alguns alunos na época se uniram para especialmente criar uma associação e evitar o fechamento.

A primeira iniciativa foi criar um fórum, para realmente ver o que a escola precisava e os integrantes chegaram a conclusão de que seria importante ocupar a escola nos finais de semana para não perder sua história de luta e resistência. Os integrantes do Fórum, criaram a ONG Fênix, com o intuito de, como os mesmos falam, “colocar a boca no trombone”, pois tinham uma escola pública prestes a ser fechada e isso não podia ser aceitável, ou seja, deixar que tirassem mais um espaço conquistado para promover a educação aos que mais necessitam. 

A ONG Fênix começou a buscar patrocinadores para manter oficinas de vela, fotografia, teatro e música. Hoje, as únicas que sobrevivem são as aulas de instrumentos musicais depois das aulas normais e as aulas de japonês [aos domingos de manhã]. O projeto batizado de “Calo na Mão”, tornou-se referência no ensino de maracatu, com oficinas aos sábados e domingos a partir das 14h. Os ensaios do “Bloco de Pedra”, que antecede a oficina de abertura, estão abertos para qualquer pessoa que queira tocar os instrumentos. O projeto, que reúne em média 400 pessoas nas apresentações busca incentivá-las a ter um primeiro contato com o maracatu, 

fonte: Vídeo feito com Iphone de Júlia Mesquita/ Bloco de Pedra durante oficina aberta.

O projeto “Calo na Mão” toca maracatu de baque virado, conhecido em Recife também como maracatu nação. Historicamente, o maracatu começa a aparecer em 1850, mais como os rituais de reis negros com batuque, desfile de nobres. Hoje, esse modelo é mais visto em Pernambuco. Essa cultura que nasce das senzalas é uma cultura que, antes de qualquer coisa, é de resistência, isto porque houve a troca culturas dos escravos vindos de diferentes partes do continente africano que quando chegavam no Brasil, criavam uma espécie de identidade nova.

O “Bloco de Pedra” se denomina como grupo – não como nação – o que não faz deles menos fiéis ao maracatu de Pernambuco, que tem as cortes e os personagens. Na verdade, o grupo pega algumas particularidades de certas nações e faz uma adaptação com a sua cara. O mais importante no maracatu é o mestre de batuque, porque é ele que vai realmente comandar todos os instrumentos: alfaia, gonguê, caixa, age, mineiro e o atabaque, além de ajudar a rainha a gerenciar.

Cada baque tem o seu suingue, há uma célula rítmica que é a base do maracatu e, por isso, se faz presente em todos os baques, independentemente da nação, porque é esse trabalho, essa relação que vai caracterizar aquele grupo como uma espécie de maracatu. Nos anos 1980, o maracatu começou a ser revigorado, por conta, do movimento “Mangue Beat” – com Chico Science & Nação Zumbi – que deu mais visibilidade para a cultura popular, até por isso que pode ser visto influências de maracatu em algumas músicas de hip-hop.

 

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O por do sol e a metrópole

Crônica por Luiza Schiff e Ulisses Lopresti 

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Se você estiver no Rio de Janeiro e bater aquela vontade de curtir a paz e a beleza de um por do sol, o endereço mais provável vai ser o do Arpoador. Se estiver em Santos, vai ser na plataforma do Emissário Submarino, no José Menino. Por do sol combina muito com praia e com lugares onde você pode chegar caminhando, ou de bicicleta.

E em São Paulo? Será que tem algum lugar para curtir um por do sol que combina com metrôs apressados, ônibus lotados e dificuldade para estacionar automóveis?

A resposta, até certo ponto surpreendente para essa questão, é afirmativa. São Paulo tem, sim, pontos de um por do sol poético e desestressado.

O mais descolado deles teria de ser, quase obrigatoriamente, vizinho da descolada Vila Madalena. E é mesmo. A geografia preparou e a selvageria da especulação imobiliária preservou – provavelmente sem querer – a Praça Custódio Fernandes Pinheiros, no Alto de Pinheiros.

Nossos avós provavelmente diziam que ali era um outeiro ou uma colina. Você vai dizer que é o alto de uma ladeira. Eles certamente tinham mais oportunidades e mais lugares e menos necessidade de levar uma câmera fotográfica para registrar a beleza que se renova todos os dias do sol se escondendo da gente aos pouquinhos, enquanto o nosso hemisfério prepara a noite. Você vai clicar no celular e postar para matar de inveja quem engoliu um sanduíche depois do trabalho e foi correndo para a faculdade ou para a academia.

O espetáculo diário é tão bonito que muda o nome da praça. Ela vira Praça do Por do Sol e faz você esquecer, por um breve momento, que a menos de dois quilômetros dali estão pulsando a estação Faria Lima da Linha Amarela do metrô e a estação Vila Madalena, da Linha Verde.

O cheiro de maconha, as vagas para estacionar ali perto todas ocupadas e os cliques de celulares não deixam esquecer que estamos na São Paulo do século 21.

Mas você tem a opção da bicicleta. E, se relaxar um pouquinho, concentrar-se na beleza natural e colocar o celular no vibra, vai se lembrar que ali é um outeiro, ou uma colina, e sentir a paz que seus avós, provavelmente, muitas e muitas vezes também sentiram.

“Mooca é Mooca e o resto é bairro”

Por: Gianluca Florenzano

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Divulgação: Site Oficial Clube Atlético Juventus

Brás, Bixiga e Mooca são sinônimos de bairros italianos em São Paulo.  A história do Clube Atlético Juventus e do distrito se confundem. Ambos foram fundados por imigrantes italianos, atraídos para a capital pela numerosa oferta de trabalho que havia nas indústrias. A faixa com o dizer “Mooca é Mooca e o resto é bairro” está sempre nos jogos do Juventus, um dos times mais tradicionais da cidade. Ela mostra o profundo sentimento de brandura que seus torcedores possuem sobre o bairro da zona leste.

Uma das figuras de maior destaque desse local foi o Conde Rodolfo Crespi, dono da Cotoníficio Crespi, que chegou a ser a maior tecelagem de São Paulo. A maioria dos imigrantes vindos da Itália, que se estabeleceram na Mooca, trabalhava nessa manufatura, tanto que em 1924 nascia o Cotoníficio Rodolfo Crespi Futebol Clube, formado exclusivamente por operários da fábrica de tecelagem do Conde. Em 1930, a assembleia da instituição futebolística se reuniu e resolveu rebatizar o time. Surgia então o Clube Atlético Juventus, nome dado em homenagem ao Juventus da Itália. Crespi cedeu um espaço que tinha no distrito, para que ali fosse construída a nova casa da agremiação. Localizada entre a Rua Javari e Rua dos trilhos, o campo esportivo leva seu nome, Estádio Rodolfo Crespi, mas é popularmente conhecido como Javari.

De acordo com os moradores da região, o amor pelo clube é passado de geração em geração. “O nosso amor e tão grande pelo Juventus e pelo bairro, pois ele foi fundado praticamente pela nossa família. Os bisavôs de todos aqui do bairro que fundaram os dois (distrito e time), por isso têm esse carinho todo”, disse Beatriz da Silva Paiva, uma torcedora do time. Angélica Brandão, sua amiga também fã do Moleque Travesso, como é conhecido à instituição futebolística, complementa: “a Mooca criou o Juventus. Nos jogos do time é como se todos daqui estivessem na Javari. Por isso que é um bairro tão especial, pois temos um clube que é só nosso”, discursa.

E, de fato, o amor da torcida tanto pelo lugar como pela equipe é grande. Nos jogos da agremiação em seu estádio, é possível ouvir os cânticos dos adeptos venerando o reduto de italianos: “somos do bairro da Mooca; bairro de luta e tradição” e “por toda a minha vida; moleque travesso; da Mooca querida”.

A atmosfera nos jogos do clube é algo extraordinário como costuma relatar os juventinos. “A Javari é um lugar único, aqui torcemos a moda antiga”, fala Paiva, “mantemos a tradição de torcer, nos recusamos a ser padrão FIFA”. A torcedora se refere ao fato de equipes grandes de São Paulo, principalmente Corinthians e Palmeiras, terem arenas modernas que não possuem mais o “cimentão”, todos os setores têm cadeiras, o que inibe, de certa maneira, de os adeptos pularem durante os jogos.  Nas partidas do Juventus é comum escutar o grito “ódio eterno ao futebol moderno”. “Nenhum lugar da Javari têm cadeiras, aqui somos ‘uma geral’ (setor do estádio onde a plateia assiste ao jogo de pé, e onde geralmente ficam as torcidas organizadas), e queremos que permaneça assim, não queremos nos transformar em torcedores ‘coxinhas’”, enfatiza a amiga.

O time da Mooca não conseguiu ganhar nenhum título de grande relevância – as principais conquistas foram o Campeonato Brasileiro da Série B em 1983, e a Série A2 do Paulista em 1929 e 2005 -, mas isso pouco importa para a sua torcida apaixonada, “torcemos por um time e não por conquistas”, ressalta Brandão. Atualmente, o Juventus não está em nenhuma divisão, disputa a Copa Paulista que dá acesso para a Série D. Outros clubes tradicionais de São Paulo estão nesse torneio, como a Portuguesa, o São Caetano do Sul e Ferroviária.


Colaboradores: Edilson Henrique Silva Muniz, Augusto Godoy e Victória Bonachelli

A vila dos encantos

Por: Luiza Schiff 

Antes de ganhar o status atual, de charme e boemia, a Vila Madalena foi rebatizada. No início do século passado, era conhecida como Vila dos Farrapos.

Zona Oeste de São Paulo, distrito de Pinheiros, os farrapos do nome faziam bullying com as casas mais baratas, procuradas por quem não tinha cacife para morar no Jardim América.

Madalena, como também as vizinhas Beatriz e Ida, eram os nomes das filhas de um dos grandes loteadores de terrenos desses três bairros.

A proximidade da Cidade Universitária, da USP, moldou o jeito metropolitano da Vila Madalena. Estudantes de outras cidades e também professores universitários foram atraídos pelos preços dos aluguéis e imóveis, pela proximidade do campus e pela facilidade de transporte.

Deu no que deu. O bairro foi aprendendo, pelo método de tentativa e erro, a satisfazer o bom gosto eclético desse pessoalzinho.

Hoje você encontra de tudo por lá. De naturebices e roupas de grifes internacionais, de cerveja artesanal a empanada argentina.

Se você trafega na ala alternativa, não tem nenhum lugar de São Paulo que vá disponibilizar tantas opções de yoga e alimentação natural nem tantas galerias de arte despojadas.

Se gosta de badalação – tanto a arrumadinha como a mais escrachada – é lá.

As opções são para todas as tribos e todos os horários. Café da manhã? A Vila oferece ótimas padarias. Fome depois da balada? Lugares que varam as madrugadas. Samba? Tem. Jazz? Também.

Mais recentemente, a Vila Madalena encasquetou de colecionar premiações: o melhor café, o melhor hambúrguer e até o troféu mais disputado do mundo: a melhor pizza na cidade das melhores pizzas.

Para descobrir todos os infinitos segredos da Vila Madalena, não precisa de guia nem de roteiro. É só ir andando pelas ruas de nomes diferentes (Aspicuelta, Purpurina, Simpatia…) ou bem brasileiros: Fradique Coutinho, Belmiro Braga, Cardeal Arcoverde…

A Vila Madalena vai se apresentando sozinha para os não-iniciados. Um dia você vai se referir a ela como Vila Madá. Se você fizer isso com naturalidade e não com aquela horrorosa falsa intimidade, o processo está completo. A Vila já adotou você.

Compaixão ativa para o bem

Texto por Daniel Yazbek, Giovanna Cicerelli e Júlia Mesquita

Fotos por Sonhar Acordado São Paulo 

Formar consciência social, através de ações positivas a favor da infância necessitada’ é o lema da ONG Sonhar Acordado que no ano de 2018 completará 20 anos.

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Foto e Logo do Sonhar Acordado.

Fundada por uma iniciativa juvenil da cidade de Monterrey, no México, e com o objetivo de unir pessoas dispostas a fazer o bem, a organização (Soñar Despierto, em espanhol) chegou no Brasil, exatamente na cidade do Rio de Janeiro, no ano 2000. Entretanto, foi só em 2001, em Curitiba – no dia 21 de Maio – que o Sonhar Acordado oficializou sua criação. A idéia foi tão boa, que em 2010, recebera o reconhecimento – e a honra – do Governo Federal por ser considerada uma instituição de Utilidade Pública.

Em 2016, um levantamento realizado pelo próprio Sonhar apontou que, dentre seus quatro programas contínuos de voluntariado, 500 crianças são atendidas em um total de 13 instituições espalhadas por 10 estados brasileiros. Estima-se que com o trabalho dos 500 voluntários sonhadores – nome carinhoso dado aos adeptos da ONG – 8.970 pessoas ao todo são impactadas.

Os programas contínuos consistem em participar uma vez por mês, semestralmente, das atividades e formações voltadas para os valores e virtudes que são o foco do trabalho feito com as crianças e adolescentes. Entre esses programas estão:

Amigos Para Sempre (APS), que desenvolve e estimula o aprendizado de valores, como caridade, esperança e dignidade, em crianças que se encontram em estado de vulnerabilidade social, através de um laço de amizade estabelecido entre o jovem e o voluntário, surgiu daí o nome do programa;

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Foto: Sonhar Acordado/ Festival de mensagens boas no evento do APS-4.

Sonhando Juntos (SJ), este que tem como missão levar alegria a crianças com algum tido de síndrome, doença crônico-degenerativa ou em fase terminal – conforme os jovens se relacionam com os voluntários sonhadores, ambos constroem entre si uma relação de confiança, a fim de identificar seus maiores sonhos para que assim esses se realizem – o objetivo não poderia ser outro, trazer esperança que muitas vezes é abalada em tais situações difíceis;

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Foto: Sonhar Acordado/ Criança participante do programa Sonhando Juntos.

Preparando Para o Futuro (PPF), este programa visa orientar adolescentes também em situação de vulnerabilidade social para que esses construam suas identidades e tomem decisões tão importantes nessa fase da vida, além de estimulá-los a tornarem-se agentes transformadores de realidades que conhecem. Autoconhecimento e autoestima são dois dos valores trabalhados pelos voluntários com os jovens;

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Foto: Sonhar Acordado/ Voluntários Sonhadores e jovem do Preparando Para o Futuro.

Contando Sonhos (CS), o qual objetiva guiar, novamente, jovens em situação de vulnerabilidade social, durante esta fase da vida, a fim de transmitir valores humanos e desenvolver a alfabetização por meio do contar histórias, o que por sua vez incentiva as crianças a descobrirem o poder de sua voz. Durante seis meses voluntários trabalham para as histórias criadas pelas crianças e o resultado é o chamado Big Show – que já está na sua oitava edição em São Paulo – um evento de teatro com 10 peças escritas e dirigidas por crianças e com atores profissionais que as encenam.

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Foto: Sonhar Acordado/ Voluntário e criança durante o Contando Sonhos.

Um dos cinco programas APS de São Paulo, no caso o terceiro, que existe desde o final de 2008 e atende sua a terceira instituição diferente, e tem somente mais um encontro neste ano de 2017, pois por ser um programa contínuo e com crianças, este, além de seus eventos mensais, também participa das Grandes Festas (GF) aos finais de cada semestre.

O Centro da Criança e Adolescente (CCA) que o APS 3 atende atualmente leva o nome do anjo São Miguel, contudo este não é o nome do bairro em que se situa, apenas uma homenagem à uma figura católica. A CCA – São Miguel se encontra entre as rodovias Raposo Tavares e Francisco Morato, mais precisamente no Jardim Guaraú – próximo ao Jardim das Esmeraldas – zona oeste de São Paulo, e pelo menos 50 crianças e 50 voluntários realizam o projeto com o pessoal de lá uma vez por mês.

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Foto: Sonhar Acordado/ Voluntários e crianças do Aps-3 no CCA-São Miguel.

O último encontro para todos os programas de APS e aproximadamente mais 1.000 crianças que não participam de projeto algum, em um total de aproximadamente 1.400, será a Festa de Natal. Esse ano a temática da festa será Games e acontecerá no dia 10 de dezembro das 09h às 18h no Colégio Pio XII.

O evento reúne as crianças para um dia divertido com brinquedos infláveis, comidas gostosas, oficinas interativas – desta vez sobre Games – atividades e brincadeiras. Ao final do dia juntamente com a presença do Papai Noel, recebem os presentes que pediram através de cartas para o “bom velhinho”.

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Foto: Pridia/ Encerramento da Festa de Natal de 2016.

Quem desejar participar pode se inscrever no site da Festa, comparecer à uma formação sobre a mesma e contribuir com R$ 50,00 – sem contar as outras formas de doações opcionais, como os presentes que o papai noel dá para as crianças, simples doações por meio de rifas ou também pelo site de financiamento coletivo Juntos. Vale lembrar que uma festança dessas custa caro e os voluntários sonhadores trabalham intensamente para a diversão ser completa e tornar o dia de uma criança inesquecível.

Atelier Primavera de 83

Por: Giulia Bechara, Isabel Rabelo e Victória Gomes

 

O atelier Primavera de 83 é um projeto que foi criado pela economista e artista têxtil Andréa Orue, dedicado à prática de artes manuais, baseadas no conceito de do it yourself (ou faça você mesmo), que influencia bastante na vida das pessoas. Em seu projeto, é visado atividades de bordado livre, ponto cruz, crochê, tricô e costura livre.

O projeto de mulheres criativas, tem o intuito de compartilhar histórias reais de mulheres que se dedicam às artes visuais, fazendo com que nasça uma conexão entre elas, incentivando o autoconhecimento, inspirações, acolhimento e empoderamento.

A artista plástica leciona cursos e workshops presenciais de bordado e outras artes manuais os quais tem a intenção de transmitir uma ideologia feminista, tanto no atelier principal, localizado na Vila Pompéia, como em várias unidades do Sesc, na Grande São Paulo.

Andréia afirma que foi através das artes manuais que encontrou a si mesma, e com isso, sua verdadeira inspiração e vocação, numa jornada de auto-incentivo e amor próprio.

 

Instituto Tomie Ohtake completa 16 anos neste mês

“O centro cultural é um importante reduto da arte contemporânea”

Texto por Débora Bandeira e Rachel Castilho

Fotos por Beatriz Gimenez e Rachel Castilho

Vídeo por Thalita Archangelo

Instituto Tomie Ohtake

 

Localizado na região de Pinheiros, zona Oeste, entre as avenidas Faria Lima e Pedroso de Moraes, o Instituto Tomie Ohtake, que completa 16 anos no fim do mês, é um importante centro cultural da cidade de São Paulo. Inaugurado em 28 de novembro de 2001, projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake e dirigido por seu irmão Ricardo Ohtake, o prédio se destaca por suas cores em tons de rosa e roxo e por seus traços futuristas destoando dos outros da região e rendeu a Ruy o prêmio da 9ª Bienal de Arquitetura de Buenos Aires.

Seu nome é em homenagem à pintora, escultora e gravadora japonesa naturalizada brasileira Tomie Ohtake, mãe de Ruy e Ricardo, que só se tornou artista aos 40 anos de idade. Nascida em Kyoto no dia 21 de novembro de 1913, ela chegou ao Brasil em 1936, vinda do Japão para visitar um de seus irmãos. Impedida de voltar ao país  por causa da Segunda Guerra, casou-se com um engenheiro agrônomo também japonês, Ushio Ohtake, e formou família com ele no bairro da Mooca, em São Paulo.

Instituto Tomie Ohtake

Considerada a “dama das artes plásticas brasileira”, ela tem mais de 30 obras públicas desenhadas pelas paisagens paulistas, mineiras e paranaenses. Entre elas, uma na Cidade Universitária, feita em 1994 e outra no Auditório do Ibirapuera, realizada em 2004.  Por causa de sua importância para o país, sempre recebia grandes personagens quando visitavam o Brasil, como a Rainha Elizabeth, a artista Yoko Ono e o escritor José Saramago.

No ano de seu centenário, foi homenageada com 17 exposições ao redor do Brasil, inclusive algumas no Instituto Tomie Ohtake. No dia 12 de fevereiro de 2015, faleceu no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, devido a uma pneumonia. Em seus mais de 100 anos, contribuiu de forma expressiva para a arte brasileira, sendo uma grande influência para diversos artistas ainda hoje.

Complexo Cultural Instituto Tomie Ohtake

Inicialmente, o Instituto deveria ter sido inaugurado em 21 de novembro, dia do aniversário de Tomie, para condecorar seus 88 anos. Porém houve atraso e ficou para uma semana depois do previsto. No começo, a ideia era de projetá-lo com o objetivo somente de abrigar obras dela, entretanto o projeto se estendeu e hoje ele apresenta exposições de artistas a partir da década de 50, considerados contemporâneos. “Foi uma forma de homenagear a artista, que começou sua carreira na segunda metade do século XX, e de refletir sobre a arte e cultura do momento”, diz Ricardo Ohtake.

O centro cultural abriga oito salas de exposição, um espaço educativo com cinco salas de ateliê, salas de documentação e de palestras, além de um hall com um café, uma loja e uma livraria.

Hall do Instituto Tomie Ohtake

Cada detalhe do local foi meticulosamente planejado pelos irmãos Ohtake, como paredes de madeiras pintadas de branco, devido à maleabilidade do material e à neutralidade da cor, e o chão, feito de concreto com pó de quartzo, para ser discreto. Tudo isso para que as obras sejam o total foco dos visitantes.

Mais do que isso, a preocupação dos fundadores do Instituto está acima da pura observação passiva da arte. Para eles, o espaço destinado para a criação e participação ativa cumpre um importante papel social. Por isso, o Instituto Tomie Ohtake é um agente importante na inserção cultural das pessoas, por meio do oferecimento de cursos de fotografia, costura e culinária, por exemplo, que visam inserir pessoas em situação de exclusão social no campo artístico de modo direto.

Hall com Café no Instituto Tomie Ohtake

“Além das exposições, temos todas as atividades complementares como o trabalho educativo que consiste em realizar um programa de acompanhar grupos e praticar arte que tem a ver com a mostra, permitindo a acessibilidade de grupos novos, não só os de mobilidade, como os de diversidade sexual, de bebês e idosos, de pobres que não tiveram possibilidade e nem facilidade de comparecer, enfim, de possibilitar a democratização das atividades, mas também fazer atividades de alto nível intelectual com mesas de debates, seminários, cursos e publicações, exposições históricas do pós-II Guerra e algumas anteriores” afirmou Ricardo Ohtake em entrevista para o site Panorama Mercantil.

Assim, perguntamos para os visitantes do Tomie Ohtake o que eles acham do Instituto que, mais do que expor, proporciona contato direto com a arte contemporânea que define o nosso tempo. Confira no vídeo abaixo:

*Vídeo feito de modo experimental pelo celular

 

Exposições atuais no Instituto:

 

“Feira da Praça” traz cultura, artes e lazer

Por: Adriana Vieira, Barbara Bastos, Catharina Figueiredo, Giovana Costa, Ingrid Duarte e Maria Victória Gonzalez

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Desde 1987, a “Feira da Praça” acontece na Benedito Calixto e atrai muitas famílias, comerciantes, turistas e amantes da cidade de São Paulo. O evento é realizado todos os sábados, das 9 às 19 horas, no bairro de Pinheiros. O clima é de lazer e a diversão fica por conta da diversidade e do contato cultural.

Numa mistura de brechó e antiquário, a feira é famosa pela variedade. Há expositores com artesanato como copos feitos de garrafas de vidro, existem peças decorativas, quadros, sapatos, roupas, bijuterias e muito mais. Outro destaque da feira é o clima nostálgico. A maioria dos expositores vendem artefatos antigos, sejam peças de porcelana e prata, ou itens de colecionadores como brinquedos antigos, moedas de diversos países, discos raros tanto nacionais como internacionais, câmeras fotográficas de todos os tipos e épocas, máquinas de escrever, histórias em quadrinho raras e vitrolas de todos os tamanhos.

 

 

Maurício Tedesco, de 51 anos é artista plástico e expõe seus quadros na Benedito há 8 anos. Segundo ele, é gratificante ver as pessoas visitando a feira: “Exponho aqui desde 2009. Hoje, a feira é frequentada por diversos tipos de pessoas: desde turistas que vêm conhecer a tradição da feira, quanto pessoas quem vêm visitar os bares nos arredores, experimentar a comida. Há também os colecionadores e aqueles que vêm simplesmente para passear. O que é legal da feira é a descontração, as pessoas vêm realmente para relaxar e comprar, estão “desarmadas”, tranquilas, é muito empolgante!”.

Além dos expositores, a feira conta com uma praça de alimentação muito completa e que, costuma agradar todos os públicos. Há apresentações da “Canário e seu Regional”, um trio que embala a praça de alimentação com ritmos brasileiros tocados no chorinho. Entre as opções de comidinhas estão: petiscos, comida portuguesa, doces caseiros, pastel, comida baiana, hot dogs, bebidas feitas com frutas exóticas, bolos caseiros, entre outras. Mariana Manso, de 36 anos, secretária, frequenta a feira a 10 anos e se apaixonou pela praça de alimentação. “Gosto de tudo aqui, desde a praça de alimentação, até o artesanato, mas minha paixão mesmo é a comida, é muito saborosa. Conheci a feira através de uma amiga e sempre que posso estou aqui”, diz Mariana.

Na Benedito Calixto, há também bares e galerias nos arredores que acabam tornando-se uma extensão da feira. Muitas pessoas se reúnem com os amigos para aproveitar o entardecer, conversar e beber nos bares próximos. Muitas famílias visitam as lojas das galerias, que oferecem opções diferenciadas de roupas, acessórios, decorações e até itens para jardinagem. A musicalidade da feira também não se limita ao chorinho, há expositores tocando MPB, enquanto nas galerias também há espaço para outros ritmos como jazz e rock n’ roll, com música ao vivo.

 

 

Luiz Bispo, de 86 anos, cozinheiro e responsável pelo “Portal da Bahia”, barraca famosa pelo acarajé, trabalha há 30 anos na feira e fica muito feliz com a visitação da clientela. “Não tenho reservas em relação a este lugar, nem preconceitos, gosto de tudo aqui! Os clientes são pessoas maravilhosas. Se tem algum que não é bacana, deixo passar, pois entre um que não é legal, existem mil que valem a pena. O que mais me agrada aqui é a diversidade, as pessoas representam a Benedito Calixto”, garante Luiz.

É notável o carinho e a fidelidade do público, já que a feira está sempre cheia e conta com a presença de pessoas de todas as idades. Não há quem não se empolgue com as antiguidades, a comida e toda a valorização cultural que a feira agrega, trata-se de um passeio indispensável e que com certeza representa toda a diversidade cultural de São Paulo.

 

Galeria Choque Cultural

Por Laura Doubek

Fundada em 2004, a Galeria Choque Cultural é um espaço de mostras de arte moderna e contemporânea localizada na Vila Madalena, em São Paulo. Foi fundada pelos arquitetos Mariana Martins e Baixo Ribeiro e o historiador Eduardo Saretta com o objetivo de inserir os jovens e novos nomes no meio artístico. Focado nessa integração, há uma rotação entre as pessoas selecionadas pela curadoria, além de um acervo permanente. Tudo que é exposto no local pode ser comprado na loja, onde também existem pequenos itens à venda sobre a galeria. Hoje, ela é referência global em novas linguagens artísticas e conta com projetos de intercâmbio, imersões, intervenções urbanas, colaborações e exposições externas por toda a cidade.

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A populosa e moderna Lapa paulistana

Texto por Gabriela Fogaça e Sofia Missiato

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A Lapa, lugar populoso e movimentado,  é um distrito localizado na Zona Oeste de São Paulo. Dividida em regiões, ele abrange a Lapa de Baixo, o Bairro da Lapa e o Alto da Lapa. Além de diversas histórias que são vividas lá diariamente, o local também é ponto de cultura, lazer, conhecimento, gastronomia e transporte público.

O bairro vem, nos últimos anos, confirmando sua posição moderna e urbana, principalmente depois da implantação do Terminal da Lapa, com ônibus. Também atende pelas linhas 7-Rubi e 8-Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, respectivamente ramos da São Paulo Railway e Estrada de Ferro Sorocabana, na estação Lapa. Mercado Municipal da Lapa

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Com arquitetura triangular, 4.840m² de área construída e considerado um dos mais modernos na época, o Mercado Municipal da Lapa foi inaugurado em 1954, idealizado pelo vereador Iapeano Ermano Marchetti, projetado e construído pela Prefeitura do Município de São Paulo. Os primeiros clientes do Mercado foram imigrantes europeus, pois podiam encontrar produtos provenientes de suas terras, como vinhos, bacalhau, azeites, entre outros. O horário de funcionamento do Mercado Municipal da Lapa é de segunda-feira a sexta-feira das 8h às 19h e aos sábados das 8h às 18h. Shopping Center Lapa

O Shopping Center Lapa também realça o fato da região ter uma ótima infra-estrutura na cidade. Um dos mais antigos da cidade, o shopping foi inaugurado em 1968 sendo o segundo do município, e hoje abriga cerca de 100 lojas, além de cinema e uma  praça de alimentação. O Shopping Center Lapa funciona todos os dias, das 10h às 22h.

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O amor caminhando em uma tarde de verão

A Rua 12 de Outubro foi palco para o então jovem Luiz Barbosa [hoje com 88 anos] e a moça Maria José [hoje com 86 anos] se reencontrarem mais uma vez. O romance começou em uma noite de festa na Vila Ipojuca, com direito à sanfona, clarinete, pandeiro e violão. Seu Luiz conta que assim que entrou no baile, avistou sua futura esposa e tirou-a para dançar. Ele, um pé de valsa que já havia ganhado vários concursos de dança, mentiu quando ela disse que não sabia dançar. Depois de dançarem a noite inteira, cada um seguiu seu caminho.

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Quatro anos depois, seu Luiz avista Dona Maria caminhando com suas amigas na Rua 12 de Outubro. Desde então, não se separaram mais. Namoraram, casaram e construíram sua casa em um terreno comprado pela mãe de Dona Maria, na Vila Madalena:

– Dona Maria, porque a senhora se apaixonou por seu Luiz?

– Ah, porque ele sempre andava muito bonito e perfumado. Lembro que a música que tocava na noite em que nos conhecemos era Boneca Cobiçada.

– E você, seu Luiz… o que viu na Dona Maria?

– Eu encontrei minha outra metade, né?!

A Lapa foi o cenário da vida deles. Eles tiveram quatro filhos, oito netos e estão casados há mais de 60 anos.