“Loucos e Malucos” transforma a vida de jovens no Morro Doce

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Por: Isabella Rocha

Paulo Barbosa Francisco ,54, é o fundador e idealizador do projeto social “Loucos e Malucos”, localizado no Morro Doce, uma região pobre da Zona Oeste de São Paulo. O futebol é uma paixão para o corintiano fanático, que viaja o Brasil inteiro para acompanhar seu time. Além disso, faz parte da sua profissão a educação física, que atualmente está sendo aprimorada no curso de pós-graduação.

Tudo começou em junho de 2015 em uma roda de conversa informal sobre futebol com os amigos. Durante a troca de ideias um dos amigos contava sua experiência em treinar times de futebol. Foi aí que Paulinho, como é carinhosamente chamado pelos alunos, viu a oportunidade de mudar a realidade de mais de 250 adolescentes.

O Morro Doce é um bairro de periferia e precário de educação, saúde e lazer. Isso torna o local extremamente vulnerável à criminalidade e às drogas. Paulinho pode falar dessa questão com propriedade pois ele foi vítima disso. Aos 15 anos conta que começou a beber e fumar maconha, usou várias drogas até chegar no crack. Paralelo a isso cometeu vários delitos. Hoje, ele revela que esse processo foi fundamental para sua reestruturação e encontro com Deus.

A região que o campo está localizado é perto de três favelas, cujo os barracos e casas são extremante pequenos e apertados, além de não ter quintal, tornando os becos e vielas os únicos lugares para as crianças brincarem. Uma coisa que chama muito a atenção do treinador é que a maioria das crianças não tem pai e moram somente com a mãe, que para suprir as necessidades financeiras ficam fora o dia inteiro para trabalhar.

Analisando seu passado e olhando a falta de estrutura por parte do governo ou qualquer outra iniciativa social ele fundou o Loucos e Malucos, que atende meninos e meninas. Os treinos acontecem sempre aos sábados de manhã no C.D.C Coronel Gladiador, divido nas categorias: sub 11, sub 13, sub 15 e sub 17. Para ministrar os treinos ele conta com a ajuda do seu amigo Evandro, sua esposa Luciana e conta com ajuda de alguns pais.

O projeto não possuí nenhum tipo de auxilio externo, todo o dinheiro saí do bolso deles. Paulinho conta que ele e sua esposa recebem seus salários, pagam as despesas da casa e o restante do dinheiro vai para o projeto, seja para comprar instrumentos de trabalho como bolas, cones, coletes ou para comprar o lanche que é servido no final de todos os treinos e jogos. Uma padaria da região faz a doação dos pães, mas o recheio e o suco servido são eles que compram. O educador físico diz que parece uma realidade distante, mas muitas crianças participam do projeto apenas para se alimentar.

Durante o ano eles disputam o Campeonato Estadual, Taça Cidade São Paulo e Recopa. Os atletas são encaminhados para as peneiras dos times de médio e grande porte, além de receber a visita de alguns empresários. Atualmente, duas meninas estão fazendo uma bela campanha no Grêmio Audax e oito meninos estão jogando no time de Caieiras.

Quando isso acontece a felicidade de todos que fazem o projeto acontecer é muito grande, porém formar atletas não é o principal objetivo. Para eles o que realmente importa é tirar aqueles jovens da situação de vulnerabilidade das ruas e fazer com que eles frequentem a escola. Para isso mantém contato direto com as diretoras dos colégios da região para analisar o desempenho escolar de seus atletas. As notas obtidas nas provas não é a coisa de maior valor para eles, mas a frequência e o comportamento sim.

Todos que passam por lá são considerados filhos para Paulinho, que conta que fica até tarde nas redes sociais conversando com os jovens, procurando saber se já estão seguros em casa. O futuro é incerto, mas a única coisa que ele quer fazer é que crianças e adolescentes não se percam.

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O estádio das contradições

Por Elaine Bertoni

A presença da sede oficial do clube de futebol Corinthians no bairro do Tatuapé e a Arena Corinthians em Itaquera, ambos bairros da Zona Leste, é um dos principais motivos da forte identificação de grande parte dos moradores da região com a instituição e fazem com que haja uma grande ligação, dentro do imaginário popular, entre os moradores da Zona Leste e os torcedores da equipe paulista.

Por várias décadas, dirigentes do Corinthians prometeram construir um novo estádio para o clube, já que o Estádio do Parque São Jorge tem capacidade inferior a 18 mil espectadores. Entre as décadas de 1950 e 1960, o presidente Vicente Matheus sonhava em construir um estádio para mais de 200 mil torcedores, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Como o plano exigia uma grande área, Matheus solicitou à prefeitura um terreno localizado em Itaquera e uma projeção de construir o estádio entre três a cinco anos. Em novembro de 1978, o pedido foi atendido pelo prefeito Olavo Setúbal, que aprovou a concessão de uma área de 197 mil metros quadrados, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo. Sem obter financiamento, o projeto de Matheus acabou sendo arquivado.

Em agosto de 2010, o presidente Sanches revelou em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, um novo projeto para um estádio corintiano. Aníbal Coutinho, arquiteto responsável pela obra, projetou o estádio para ser “um estádio que iria ajudar os torcedores, que poderia auxiliar a equipe a vencer as partidas, eu queria fazer os torcedores chegarem em campo”. Ele liderou uma equipe de 25 arquitetos, com número máximo de trabalhadores no local de 2300 pessoas. O campo fica a exatamente a 777 metros acima do mar, como explicado por ele “o número 77 é considerado de sorte para o time. O clube está localizado no número 777 da Rua São Jorge, o que traz à mente 1977, quando eles ganharam um de seus campeonatos mais famosos de todos os tempos (o Campeonato Paulista de Futebol de 1977)”.

A estimativa de que a abertura da Copa do Mundo FIFA de 2014 traria quase 31 bilhões de reais em 10 anos para o município de São Paulo estimulou a cidade a sediar o jogo de abertura. Para sediar a partida de abertura foi necessário realizar modificações no projeto original, o que elevou o custo original de 335 milhões de reais para 1,2 bilhão de reais para atender aos requisitos da FIFA. Além disso, devido a acordos da FIFA com o Brasil, todas as construções relacionadas com a Copa do Mundo não podem ser tributadas pelo governo federal brasileiro. Por contrato, o Corinthians é obrigado a destinar toda a receita do estádio, incluindo bilheteria, propriedades comerciais (como camarotes e lojas) e naming rights, inicialmente para pagar a dívida contraída com o BNDES.

Inicialmente, a Odebrecht previa entregar a Arena Corinthians em dezembro de 2013. Contudo, o cronograma de entrega sofreu atrasos por conta de acidentes na obra e a construtora entregou oficialmente o estádio em abril de 2014. No dia 1 de maio ocorreu uma partida entre operários que trabalharam na construção da arena, com entradas limitadas e distribuídas pela Odebrecht somente a funcionários e aos seus familiares. A partida inaugural ocorreu no dia 10 de maio, com a realização de uma partida entre “Corinthians x Corinthians”, que reuniu antigos atletas do clube, como Basílio, Wladimir, Vampeta, Marcelinho Carioca, entre outros.

Uma série de problemas foram enfrentados pelo Estádio do Corinthians, como buracos em pisos, um grande vazamento de água e até mesmo possíveis abalos em arquibancadas. O cenário descrito era de risco de acidentes e suspeita de falhas de montagem e uso de materiais de baixa qualidade durante a obra. Uma auditoria externa contratada pelo Corinthians apontou diversos problemas na construção e omissão de acabamentos e trechos de obras do estádio. Como resultado ocorreram infiltrações em partes de paredes e tetos e um pedaço do teto do saguão principal da Arena Corinthians desabou.

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