Estádio Pacaembu

Por: Augusto Oliveira, Edilson Muniz, Gianluca Florenzano e Victoria Bonachelli

Paulo Machado de Carvalho, popularmente conhecido como Pacaembu, é sem dúvida nenhuma o estádio mais tradicional de São Paulo. Localizado na zona oeste, no bairro em que é apelidado, o estádio é de fácil acesso, pois fica bem próximo ao metrô Clínicas, linha verde. Além da atração de jogos, o campo esportivo possui um museu próprio, que conta a história do futebol no País.

Por esses gramados já passaram diversos craques – Pelé, Sócrates, Ademir da Guia e Leônidas da Silva, são exemplos de atletas renomados que atuaram no local. Sem falar, que o complexo já abrigou jogos de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e da seleção brasileira.

Hoje em dia, o Pacaembu vive um impasse administrativo. Com as arenas modernas construídas pelos grandes clubes da cidade – principalmente o Corinthians que era o seu maior cliente, o estádio acaba por receber poucos jogos. Além do mais, o atual prefeito de São Paulo, João Doria, busca transferir a gestão do estádio para a iniciativa privada.

 

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Tendal da Lapa: um coração cultural em São Paulo

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Há quase 30 anos o bairro da Lapa abriga um dos centros culturais mais emblemáticos da cidade de São Paulo. O Tendal da Lapa, como é conhecido, é um conjunto arquitetônico tombado desde 2007 e tem a missão de oferecer cultura gratuita a capital paulista, em especial a população lapense. A história do espaço cultural tem forte ligação com o desenvolvimento do bairro no qual está localizado, uma das primeiras regiões ocupadas de São Paulo.

O início das atividades datam de 1989, com uma “invasão cultural” no antigo prédio do mais importante entreposto de carnes da região, que na época era chamado de Fábrica dos Sonhos. O grupo cultural se chamava Teatro Pequeno e as atividades tiveram início em uma tenda, com forte predominância do circo e do teatro, presentes até hoje no local.

O Tendal da Lapa é formado por um espaço amplo, com uma área aproximada de 7.000 m². Em um dos galpões que o compõe, muitos grafites e formas geométricas se vinculam a trilha sonora da linha férrea, que segue seu curso ao fundo.

 

A estrutura do centro cultural permanece caracterizada pelo seu objetivo primário: a circulação, armazenamento e distribuição de carnes no início do século XX. Por isso, é possível observar traços das construções industriais, que devem ser mantidos graças ao tombamento do edifício pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

O espaço, de caráter singular, abriga as mais diversas linguagens artísticas, de palestras a oficinas, que buscam incentivar o aprendizado e valorizar trabalhos que não alcançaram visibilidade e apoio. As oficinas, ministradas por professores voluntários, englobam a música, o teatro, a dança, o esporte, as artes plásticas etc.

Ponto de encontro entre muitos jovens, o Tendal da Lapa recebe cerca de 1.200 pessoas por dia, abrigando também a Prefeitura Regional da Lapa e serviços públicos como Farmácia Popular, a Junta de Serviço Militar e o atendimento da Agência Lapa do IBGE.

 

O Vozes do Bairro conversou com Bel Toledo, gestora do Tendal da Lapa, que conta como é o dia a dia no espaço:

 

SERVIÇO:

Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 22h, sábados e domingos, das 9h às 18h

Telefone: (11) 3862-1837

E-mail: contato.tendal@gmail.com

Site: https://www.facebook.com/espacoculturaltendaldalapa/

Onde: Rua Guaicurus, 1100 – Rua Constança, 72 (estacionamento); CEP: 05033002

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Obra inspirada em Shakespeare, peça sertãohamlet estreia no SESC Pinheiros

Por: Alessandra Monterastelli, Georgia Barcarolo, Julia de Alencar, Letícia Sepúlveda, Luiza Vilela.

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Imagem promocional da peça sertãohamlet

Inspirado na obra shakespeariana Hamlet, sertãohamlet, peça do ator e diretor Guido Campos, estreia no Sesc Pinheiros. Guido é bastante conhecido por seu trabalho como ator, tendo atuado no aclamado Carandiru (2003) e mais recentemente no curta Sagrado Coração (2012).

A Companhia do Sertão Teatro Infinito finaliza, com a peça, uma trilogia realizada sobre a temática do sertão. Contando as primeiras montagens, de A Terceira Margem do Rio – baseado na obra de Graciliano Ramaos – e BOI, o projeto levou 23 anos para ser concluído e tem encerramento com sertãohamlet.  

A extensa pesquisa para o projeto foi realizada no Ceará, na região do Cariri. A proposta é trazer ícones do sertão, incluindo o mito do Lampião. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e o clássico Hamlet se cruzam por terem em comum o assassinato de seus pais e o desejo por vingança.

A cenografia é bastante baseada na região nordestina, assim como seus personagens simples e bastante verossímeis. A peça tem sua primeira passagem por São Paulo tendo como palco o Sesc Pinheiros, em curta temporada de 16/11 a 16/12.

O Sesc Pinheiros

Inaugurado em 2004, o Sesc Pinheiros recebe uma programação diversa e ao mesmo tempo bastante focada em teatro e dança, sendo muitos dos espetáculos estrangeiros.

Sendo um dos maiores da cidade, o Sesc movimenta a região de Pinheiros e tem importância para a comunidade, principalmente devido à programação infantil e à Comedoria, o restaurante do local, com capacidade para servir 3 mil refeições diariamente.

Para os associados do Sesc, as refeições completas e pensadas por nutricionistas saem a preços extremamente acessíveis, como não se encontra em mais nenhum lugar de São Paulo – principalmente em bairros da Zona Oeste.

Além da programação cultural e artística, a instituição oferece uma série de cursos e oficinas profissionalizantes e é um ponto de encontro bastante acessível. Mais que um ambiente fechado, as unidades do Sesc, com ênfase para a unidade Pinheiros por seu tamanho e programação vasta, tornam-se ambiente de convivência e vivência da cidade de São Paulo, contando com Wi-Fi livre e programas de saúde para a população.

Da região

Ao contrário das outras regiões de São Paulo, a Zona Oeste é difícil de ser categorizada de forma única. Cada bairro possui características bastante distintas e perfis muito diferenciados de moradores.

Em Pinheiros, um dos bairros mais antigos de São Paulo, o cenário boêmio e gastronômico chama atenção, mas o cenário cultural, protagonizado pelo Sesc Pinheiros, também é bastante expressivo.

O bairro abriga o instituto Tomie Ohtake, um dos principais museus de São Paulo. Inaugurado em 2001, o espaço destaca-se por suas exposições e mostras estrangeiras que valorizam os últimos 60 anos das artes plásticas – em homenagem à própria artista que dá nome ao instituto  –  e por sua arquitetura única.

A programação aberta ganhou nos últimos anos bastante espaço no bairro, que agora recebe a “praia do largo da batata”, nome dado ao Largo da Batata aos fins de semana, quando o local recebe shows e espetáculos gratuitos, além de disponibilizar cadeiras de praia para o descanso de quem passeia pela região.

Instituto Tomie Ohtake completa 16 anos neste mês

“O centro cultural é um importante reduto da arte contemporânea”

Texto por Débora Bandeira e Rachel Castilho

Fotos por Beatriz Gimenez e Rachel Castilho

Vídeo por Thalita Archangelo

Instituto Tomie Ohtake

 

Localizado na região de Pinheiros, zona Oeste, entre as avenidas Faria Lima e Pedroso de Moraes, o Instituto Tomie Ohtake, que completa 16 anos no fim do mês, é um importante centro cultural da cidade de São Paulo. Inaugurado em 28 de novembro de 2001, projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake e dirigido por seu irmão Ricardo Ohtake, o prédio se destaca por suas cores em tons de rosa e roxo e por seus traços futuristas destoando dos outros da região e rendeu a Ruy o prêmio da 9ª Bienal de Arquitetura de Buenos Aires.

Seu nome é em homenagem à pintora, escultora e gravadora japonesa naturalizada brasileira Tomie Ohtake, mãe de Ruy e Ricardo, que só se tornou artista aos 40 anos de idade. Nascida em Kyoto no dia 21 de novembro de 1913, ela chegou ao Brasil em 1936, vinda do Japão para visitar um de seus irmãos. Impedida de voltar ao país  por causa da Segunda Guerra, casou-se com um engenheiro agrônomo também japonês, Ushio Ohtake, e formou família com ele no bairro da Mooca, em São Paulo.

Instituto Tomie Ohtake

Considerada a “dama das artes plásticas brasileira”, ela tem mais de 30 obras públicas desenhadas pelas paisagens paulistas, mineiras e paranaenses. Entre elas, uma na Cidade Universitária, feita em 1994 e outra no Auditório do Ibirapuera, realizada em 2004.  Por causa de sua importância para o país, sempre recebia grandes personagens quando visitavam o Brasil, como a Rainha Elizabeth, a artista Yoko Ono e o escritor José Saramago.

No ano de seu centenário, foi homenageada com 17 exposições ao redor do Brasil, inclusive algumas no Instituto Tomie Ohtake. No dia 12 de fevereiro de 2015, faleceu no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, devido a uma pneumonia. Em seus mais de 100 anos, contribuiu de forma expressiva para a arte brasileira, sendo uma grande influência para diversos artistas ainda hoje.

Complexo Cultural Instituto Tomie Ohtake

Inicialmente, o Instituto deveria ter sido inaugurado em 21 de novembro, dia do aniversário de Tomie, para condecorar seus 88 anos. Porém houve atraso e ficou para uma semana depois do previsto. No começo, a ideia era de projetá-lo com o objetivo somente de abrigar obras dela, entretanto o projeto se estendeu e hoje ele apresenta exposições de artistas a partir da década de 50, considerados contemporâneos. “Foi uma forma de homenagear a artista, que começou sua carreira na segunda metade do século XX, e de refletir sobre a arte e cultura do momento”, diz Ricardo Ohtake.

O centro cultural abriga oito salas de exposição, um espaço educativo com cinco salas de ateliê, salas de documentação e de palestras, além de um hall com um café, uma loja e uma livraria.

Hall do Instituto Tomie Ohtake

Cada detalhe do local foi meticulosamente planejado pelos irmãos Ohtake, como paredes de madeiras pintadas de branco, devido à maleabilidade do material e à neutralidade da cor, e o chão, feito de concreto com pó de quartzo, para ser discreto. Tudo isso para que as obras sejam o total foco dos visitantes.

Mais do que isso, a preocupação dos fundadores do Instituto está acima da pura observação passiva da arte. Para eles, o espaço destinado para a criação e participação ativa cumpre um importante papel social. Por isso, o Instituto Tomie Ohtake é um agente importante na inserção cultural das pessoas, por meio do oferecimento de cursos de fotografia, costura e culinária, por exemplo, que visam inserir pessoas em situação de exclusão social no campo artístico de modo direto.

Hall com Café no Instituto Tomie Ohtake

“Além das exposições, temos todas as atividades complementares como o trabalho educativo que consiste em realizar um programa de acompanhar grupos e praticar arte que tem a ver com a mostra, permitindo a acessibilidade de grupos novos, não só os de mobilidade, como os de diversidade sexual, de bebês e idosos, de pobres que não tiveram possibilidade e nem facilidade de comparecer, enfim, de possibilitar a democratização das atividades, mas também fazer atividades de alto nível intelectual com mesas de debates, seminários, cursos e publicações, exposições históricas do pós-II Guerra e algumas anteriores” afirmou Ricardo Ohtake em entrevista para o site Panorama Mercantil.

Assim, perguntamos para os visitantes do Tomie Ohtake o que eles acham do Instituto que, mais do que expor, proporciona contato direto com a arte contemporânea que define o nosso tempo. Confira no vídeo abaixo:

*Vídeo feito de modo experimental pelo celular

 

Exposições atuais no Instituto:

 

BUM, BUM, BUM, CASTELO RÁ – TIM – BUM!

Escrito por Carolina Gomes e Júlia Castello

Vídeo por Letícia Nascimento e Catharina Figueiredo

Fotos por Nádya Duarte

Produzida e exibida pela TV Cultura nos anos de 1994 até 1997, a série infanto-juvenil mais famosa da televisão brasileira ganhou uma exposição no Memorial da América Latina que vai até o dia 4 de fevereiro de 2018. A exibição, chamada “Rá – Tim – Bum, o Castelo”, já contou com mais de 570 mil visitantes desde sua estreia, em março deste ano.

O programa foi criado pelo dramaturgo Flavio de Souza, com direção assinada por Cao Hamburguer, roteiro de Jacob Dionisio, Cláudia Dalla Verde e Anna Muylaert. Esta franquia se caracteriza por ser um produto audiovisual educativo e, por isso, teve parceria entre a Fiesp e a TV Cultura representando um grande marco para os telespectadores entre três a oito anos, chegando a alcançar 12 pontos de audiência entre os jovens e 14 em reprises de episódios, tornando-se um filme em 1999.

Contando com 90 episódios e mais um especial, a série retratava a história de Nino, um garoto de 300 anos que vivia em um castelo com seu tio, o Doutor Victor, e com sua tia-avó Morgana, uma feiticeira. O menino, por se sentir muito sozinho, realiza um feitiço e consegue receber três estudantes (Zequinha, Biba e Pedro) diariamente em sua residência nada comum.

Seus pais estão no espaço-sideral com seus irmãos mais novos e para preencher seu tempo, convive com os jovens que acabaram de sair da escola, o maligno Dr. Abobrinha que quer destruir o castelo para construir um prédio no lugar, o Etevaldo, um E.T, o entregador de pizza (Bongô) e Penélope, uma charmosa repórter.

A história ganhou diversas premiações, como APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e o Sharp de Música. Além disso, a produção televisa chegou a ser transmitida, também, em inúmeros países da América Latina, alcançando Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela e muitos outros países.

E por isso que a exposição do Castelo Rá – Tim- Bum no Memorial se torna nostálgica e imperdível para os fãs. Comemorando os mais de 20 anos da série, o público vai encontrar no local vários itens e ambientes em tamanho real do acervo da TV Cultura e Fundação Padre Anchieta. É possível passear dentro da cozinha do famoso Castelo, onde Nino personagem principal da série fazia suas receitas malucas. Além disso, é possível conhecer uma das personagens mais amadas da série, a cobra Celeste e sua árvore que ficava no centro do salão de entrada do Castelo.

Caroline Fagundes, 25 anos, visitou a exposição e confessa que assistiu a série até os 20 anos. Diz que se a série voltasse para a programação da TV Cultura, não teria tanto interesse em assistir por considerar o conteúdo mais infantil, mas que com certeza incentivaria seus filhos a assistir, pelo programa ser muito educativo e por estimular a imaginação. Seus personagens favoritos eram o Bongô, (interpretado por Eduardo Silva da série que era considerado o melhor entregador de pizza do Brasil) e a bruxa Morgana, interpretado pela jornalista Rosi Campos.

Já para a estudante, Laura Zemella, que assistiu a série até seus 7 anos, quando a série acabou, diz que a ida a exposição foi um retorno para a infância: “Fui conferir a exposição porque era fã, mas também não lembrava muita coisa do programa. Ver a exposição refrescou minha memória e me transportou pra momentos que estavam escondidos em minha cabeça”.

Seu personagem favorito, o ratinho, era para ela o momento mais divertido da série, pois era possível aprender por meio de músicas: “Todo o enredo do Castelo Rá – Tim – Bum é muito bom. Todos os seus personagens são encantadores, e todas as histórias eram muito bem feitas e possuíam um tom educativo, que nenhum outro desenho da TV brasileira possui”.

Para saber mais da série televisiva, assista aos bastidores da exposição “Rá – Tim – Bum, o Castelo”.

 

S.O.S: PARQUE TIQUATIRA

 

Texto escrito por Julia Castello Goulart e Carolina Gomes

Podcast por Letícia Nascimento e Carolina Gomes

Fotos por Nádya Duarte

Imagens das áreas do parque com acúmulo de lixo

O Parque Linear Eng⁰ Werner Eugênio Zulauf, conhecido apenas como Parque Tiquatira, se localiza no bairro da Penha, na Zona Leste da cidade de São Paulo. O parque separa as duas vias da avenida Governador Carvalho Pinto e sua extensão vai do final do viaduto General Milton Tavares de Souza até a avenida São Miguel.

Com mais de 3 Km de extensão, calcula-se que este parque abrigue 20 espécies de aves e sua vegetação é composta por áreas ajardinadas, gramados, bosques heterogêneos e arborização esparsa.

Além de ser conhecido por ser uma área de preservação de espécies vegetais e animais, o parque conta com vários espaços de lazer, como pista de skate, quadras, campo de futebol, pista de Cooper e caminhada, Ciclofaixa, anfiteatro aberto e áreas de convivência como quiosques com mesas e bancos.  Em vários períodos do dia é comum ver a própria população local utilizando o parque, principalmente aposentados e animais de estimação com seus donos.

O parque foi inaugurado em 2007 e é o primeiro parque linear da capital paulista, pois foi feito seguindo as margens do córrego Tiquatira. A intenção é exatamente garantir a preservação do córrego, por meio de ajardinamento e arborização de faixa mínima ao longo das margens.

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Córrego do parque Tiquatira

 A área é considerada pelo Código Florestal como “área de preservação permanente” que deve ser coibido o despejo de esgoto e lixo no parque e no próprio córrego através de educação ambiental e uso adequado do espaço público. Mas a realidade do parque hoje está muito diferente do que a prevista.

Entre as variedades de plantas e espécies animais, o lixo se tornou normal na paisagem do parque.Acompanhados de uma discutível vista que mescla árvores frutíferas, aparelhos para exercitar os músculos, garrafas, sacos de lixo, caixas de remédio, restos de comida e preservativos usados, os moradores da região utilizam do que resta de área limpa e conservada do parque Tiquatira para se exercitar ou apenas fazer uma simples caminhada com o seu cão, como é o exemplo de Ricardo Luíz Miguel.

Ele passeia com seu pitbull todas as manhãs e declara que o estado atual do parque a respeito da manutenção “é muito ruim, é muito sujo”. Aponta que a prefeitura carece de atenção com o espaço e quando há uma coleta de lixo feita pela mesma, a sujeira é deslocada para as ruas de cima aos gramados que, no decorrer do tempo, desce com o barranco por causa do mal tempo. Ou seja, o problema não é solucionado, mas sim, transferido de lugar, temporariamente.

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Ricardo Luíz Miguel passeando com seu cachorro.

 A aposentada e ex-funcionária pública, Maria de Lurdes de Almeida da Silva Pereira, frequentadora esporádica do parque, indica outro aspecto inadequado da área: a falta de acesso a cestos de lixos ou caçambas. A ausência desses itens leva as pessoas a descartar o lixo no chão ou até colocar seus descartes em sacolas plásticas amarradas nos troncos das árvores. Conclui que se houvesse uma atenção maior da prefeitura, iria ter uma preservação e valorização melhor ao parque. “Quando o poder público está frequentemente observando as necessidades, ele iria observar a quantidade de lixo no parque e ver as necessidades do local.”

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Grafite na área de convivência do parque.

Fernando Teixeira de Araújo que corre algumas manhãs pelo parque acredita em um conjunto de vilões para a poluição da área: as pessoas que frequentam o parque a noite, o lixo que o córrego traz quando enche por causa das chuvas, dos moradores que põe os sacos de lixo para fora de casa no dia errado da coleta, os motoristas e os habitantes da região. “O povo é meio sem educação”. O parque Tiquatira grita por atenção e espera que junto ao poder público, a comunidade ajude a preservar suas extensões.

Saiba mais sobre os problemas do Parque Tiquatira:

Raphael Escobar: um artista de direitos humanos

  Escrito por Julia Castello Goulart

Podcast por Carolina Gomes e Letícia Nascimento

Fotos  por Nádya Duarte

Raphael Escobar em seu atêlie                               

Artista plástico há sete anos, em cinco deles, Raphael Escobar envolve a sua arte com projetos culturais ligados a uma região específica de sua comunidade, muitas vezes, menosprezada pela população brasileira: a Cracolândia, território que tem uma história antiga de imigração e exclusão social.

Os imigrantes que vinham para São Paulo atraídos pelo “milagre econômico” e não conseguiam arrumar emprego, acabavam morando em cortiços na região do centro, perto da rodoviária da Luz. Esse território foi inicialmente dado como “agradecimento” do Estado aos soldados que lutaram na guerra do Paraguai. A região acabou sendo ocupada por esses soldados, tornando-se uma área de moradia para milhares de pessoas,especialmente em cortiços.

Assim, muito antes de ser chamado de “Cracolândia”, a região era chamada de “Boca do Lixo”. Não era ocupado, ainda, por usuários de drogas, mas já acolhia prostitutas e ex-presidiários. “É necessário entender toda essa construção, para entender a Cracolândia; mas antes de tudo, a gente tem que entender, que a Cracolândia, existia antes de existir o crack. Ela existia enquanto álcool, enquanto maconha, enquanto cocaína, enquanto prostituição, enquanto som, enquanto curtição, enquanto cinema, tudo isso que existe hoje.  O Estado precisa arrumar um inimigo sempre.  O inimigo da vez foi e é o usuário de crack”, declara Escobar.  

 Raphael trabalhou, primeiramente, com oficinas relacionadas a crianças e adolescentes no projeto “Braços Abertos” no centro até realmente perceber que precisava levar essas propostas para dentro da região conhecida como “fluxo”, parte da Cracolândia que abriga a maior parte dos usuários de drogas. Sua oficina com adultos gerou o bloco de samba da Cracolândia, que já existe há três anos, e o Jornal da Cracolândia.

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Artista plástico, Raphael Escobar.

 Raphael também conta que além de oficinas, ele era um dos responsáveis por distribuir charutos e agulhas. Ele diz que essa iniciativa representa a política de “Redução de danos”, usados não só no Brasil, mas em muitos outros países como na Holanda.

No Brasil, quando teve um grande surto de HIV, o serviço de saúde pública começou a distribuir novas agulhas para usuários de drogas injetáveis, ou esterilizavam as agulhas e as devolviam. O artista plástico diz que há muito preconceito ainda com essa política. “Tem um trabalho meu que chama ‘Estratégia de cuidado’; são 400 cachimbos  de cobre com piteira de silicone que serão distribuídas  na Cracolândia”, ele conta, “eles estão em exposição no Sesc  24 de Maio.”

Escobar ainda conta que o preconceito com essa iniciativa é grande porque grande parte das pessoas não compreendem que o projeto não visa estimular o uso de entorpecentes, mas evitar que os usuários peguem doenças ao utilizar agulhas infectadas e sujas. “No momento em que você distribui agulha, cachimbo, é como distribuir camisinha. Camisinha tudo bem, mas cachimbo e agulha é muito mais complicado, a galera fica chocada”. Ele ainda ressalta a importância dos funcionários no de Braços Abertos para a política surtir efeito:  “O vínculo é a maior estratégia de cuidado que existe.  Eu com os outros funcionários e com as pessoas que vivem lá”.

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Um dos projetos do artista.

 Apesar de sentir que sofre duplo preconceito, por ser artista plástico e ainda trabalhar com usuários de drogas na região da Cracolândia, Raphael Escobar afirma que o aprendizado na região e com quem vive nela é diário. Conta ainda que uma vez, depois de algum tempo longe por causa de seus projetos artísticos, ele retornou à região, e teve medo de não ser reconhecido e acontecer algo com ele. “Meu coração tranquilizou quando, logo que entrei no fluxo, alguém gritou: ‘e aí amigo?!’, eu me senti reconhecido. Eu me sinto bem aqui dentro”. 

Quer saber mais sobre o Raphael Escobar? Confira o podcast a seguir com alguns relatos da opinião do artista referente as suas obras e sua personalidade ativista.

 

“Sabotagem, sem massagem, na mensagem”

Por Giulia Villa Real e Victoria Bassi

Vídeo por Victoria Bassi / Grito de guerra do Slam Resistência

Criado em 1980 nos Estados Unidos, mais especificamente em Chicago, o SLAM acompanhou o crescimento da cultura hip hop, a qual nasceu como uma forma de oposição ao sistema opressor e precário nos subúrbios negros e latinos de Nova Iorque, e tem como principal objetivo dar voz e visibilidade aos que jamais tiveram, através de batalhas de poesias. O “grito de guerra” diz muito sobre o  Slam, movimento cultural de forte teor político.

Logo após o surgimento do primeiro slam brasileiro – o ZAP! Slam, criado por Roberta Estrela D’Alva (apresentadora do programa de TV “Manos e Minas” na TV Cultura) em ação conjunta com o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos – os seguintes rapidamente foram se consolidando, como é o exemplo do Slam da Guilhermina e do Slam da Roosevelt. O primeiro acontece toda última sexta-feira de cada mês, e o segundo toda primeira segunda-feira do mês, trazendo novos ares para a cultura que muitas vezes falta nas regiões. Os lugares escolhidos não são à toa: buscam ser acessíveis para todos que quiserem participar ou apenas apreciar o momento de expressão e reflexão.

Lucas Afonso, 24, slammer, MC e fundador do Slam da Ponta que acontece em Itaquera, também na Zona Leste de SP, conheceu o ZAP! Slam em 2013 e a partir daí não parou mais de frequentar os eventos. Hoje, já conquistou títulos: foi campeão do Slam BR, campeonato nacional de poesia falada em 2015 e em 2016 foi até a semifinal da Copa do Mundo de Poesias na França.

Slams X Saraus

A poesia falada e a literatura periférica unem os slams aos saraus, já que o público das duas manifestações culturais muitas vezes coincidem. A interação grande entre os participantes, a preocupação com temas culturais, o espaço de expressão, são algumas das características em comum dos dois movimentos. O que os difere é que o slam dialoga mais com o público jovem, talvez pelo caráter “competitivo”, existindo um crescente número que exercita o ouvir. O movimento contribui na autorrepresentação de minorias, como mulheres, negros, lésbicas e gays e moradores das periferias em geral.

“Acredito que o papel dos slams de poesia e dos saraus, seja proporcionar a possibilidade do sujeito de ser ouvido. O acesso à cultura ainda é muito restrito para quem vive às margens. O bairro de São Miguel, onde fica o Jd. São Carlos, tem aproximadamente 400 mil habitantes, uma biblioteca pública e uma casa de cultura”, explica Afonso, que nos pergunta como surge um poeta? Como surge artista em uma região assim?

Arte X Slam

A arte é um dos pilares que mantém o Slam tão vivo e popular, pois homogeneíza o acesso à inclusão, a interpretação de poesias, a arte simbólica e falada. Lucas sempre esteve ligado à arte: “Minha mãe cantava e tocava violão, então desde o útero eu tenho contato com a arte. O contato com a literatura e com a poesia veio na escola, ainda no ensino fundamental. A literatura que me apresentaram, nem sempre me agradava. Um divisor de águas na minha vida, foi quando percebi que as letras de RAP também eram poesia. Inclusive, nela encontrei o meu canal de expressão. Descobri uma forma de ser protagonista da minha verdade”.

Assim como Afonso, os eventos de slam atraíram e atraem mais e mais pessoas. É fácil entender porque as competições se tornaram tão populares. Os slams deram vida à um campo da arte contemporânea que permanecia adormecido e por causa da sua dinamicidade conseguiu envolver um público que mantinha certa distância da arte poética. Mas esse não foi o único motivo do slam ter conquistado tanta popularidade. A diversidade e a inclusão são elementos mandatórios nesses eventos em que pessoas de todas as orientações sexuais, gêneros, classes sociais e crenças se juntam, em comunhão, para contemplar e apreciar as rimas desses artistas. Nesse momento a protagonista passa a ser a poesia. É uma forma de democratizar a poesia que ficou ligada por muito tempo aos intelectuais e dar acesso a uma prática cultural que é pouco incentivada nas quebradas.

O crescimento dos Slams

Hoje, os slams de spoken words estão experimentando um momento de ascensão na cena cultural urbana, tendo mais de 25 só aqui na capital paulistana e totalizando mais de 30 em todo o país. “A internet é um instrumento que cria uma extensão para esse movimento. Vou citar, por exemplo, o Slam Resistência, que faz vídeos dos poetas se apresentando e postam no Facebook. Tem vários vídeos com milhões de visualizações. Isso ajuda a criar discussões, reflexões em torno de assuntos que dificilmente seriam pautados em programas de TV, por exemplo”, diz Afonso.

O projeto Slam Resistência surgiu para fortalecer movimentos sociais, protestos e mostrar que todos podem ter voz, incentivando a luta por seus direitos. A tomada de espaços públicos por parte desses movimentos culturais que se estendem desde o centro até as periferias de São Paulo e outras cidades representam um protagonismo artístico diferenciado e muito importante. Essa poesia de transformação e as rimas de quem não se conforma com o sistema preconceituoso e injusto, preenchem o vazio de viver dias sombrios em sociedades desiguais como a nossa. Os slammers, através de sua voz, revelam o que a mídia esconde e faz ver aqueles que ainda permanecem de olhos fechados.

Foto por: Giulia Villa Real / Público do Slam Resistência

Foto por Giulia Villa Real / Organizadores agitando o público

Foto por Giulia Villa Real / Um dos slammers se apresentando

Foto por Giulia Villa Real / Vista da Radial Leste

Foto por Giulia Villa Real / Slammer se apresentando

Feira Boliviana do Canindé

Texto por Maria Victória Gonzalez e fotos por Ingrid Duarte e Giovana Costa.

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Nas barracas há uma grande diversidade de produtos.

Estima-se que aproximadamente 200 mil bolivianos vivem na cidade de São Paulo atualmente. Grande parte deles estão na região do Pari, centro de SP, na Praça da Kantuta. A feira, que ocorre toda semana, aos domingos das 11h às 19h, faz esquina com a Rua das Olarias e Rua Araguaia. A diversão dominical da comunidade boliviana da cidade conta com diversas barracas de comidas típicas como santeñas, temperos, chás, produtos industrializados da Bolívia, malhas, bordados, vasos etc. Também oferece atração musical e de dança, com uma gama de instrumentos musicais de sopro e as festas folclóricas, que são organizadas em datas comemorativas do país. Além disso, o visitante pode conhecer o serviço de peluqueria (cabeleireiro em português), que possui fila todos os fins de semana para atender os clientes que desejam cortar o cabelo.

Infelizmente os produtos da feira ainda são trazidos pelos estrangeiros de forma irregular e por ônibus, isso porque não possuem autorização para entrarem com as mercadorias no Brasil. A feira Boliviana é discreta e pequena, mas é muito bem organizada. Seus visitantes têm a sensação de estarem em outro país com tamanha diversidade de produtos e cultura que existem no local.

O nome da praça Kantuta, é referência à uma flor que possui o mesmo nome, originária da região antiplano da Bolívia. Com caule amarelo, pétalas vermelhas e folhagem verde, a flor lembra a bandeira boliviana.

Além de ser uma atração turística e cultural, o evento é uma grande oportunidade para os imigrantes da Bolívia, que sofrem muito com a xenofobia existente em nosso país, tanto em relação ao emprego como também aos seus costumes. Além dessa, a feira típica tem outro ponto na zona leste de São Paulo, na Rua Coimbra, entre as ruas Bresser e Dr. Costa Valente, próximo ao metrô Bresser-Mooca (linha vermelha). Funciona aos sábados e domingos das 15h às 21h.