Estádio Pacaembu

Por: Augusto Oliveira, Edilson Muniz, Gianluca Florenzano e Victoria Bonachelli

Paulo Machado de Carvalho, popularmente conhecido como Pacaembu, é sem dúvida nenhuma o estádio mais tradicional de São Paulo. Localizado na zona oeste, no bairro em que é apelidado, o estádio é de fácil acesso, pois fica bem próximo ao metrô Clínicas, linha verde. Além da atração de jogos, o campo esportivo possui um museu próprio, que conta a história do futebol no País.

Por esses gramados já passaram diversos craques – Pelé, Sócrates, Ademir da Guia e Leônidas da Silva, são exemplos de atletas renomados que atuaram no local. Sem falar, que o complexo já abrigou jogos de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e da seleção brasileira.

Hoje em dia, o Pacaembu vive um impasse administrativo. Com as arenas modernas construídas pelos grandes clubes da cidade – principalmente o Corinthians que era o seu maior cliente, o estádio acaba por receber poucos jogos. Além do mais, o atual prefeito de São Paulo, João Doria, busca transferir a gestão do estádio para a iniciativa privada.

 

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Tendal da Lapa: um coração cultural em São Paulo

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Há quase 30 anos o bairro da Lapa abriga um dos centros culturais mais emblemáticos da cidade de São Paulo. O Tendal da Lapa, como é conhecido, é um conjunto arquitetônico tombado desde 2007 e tem a missão de oferecer cultura gratuita a capital paulista, em especial a população lapense. A história do espaço cultural tem forte ligação com o desenvolvimento do bairro no qual está localizado, uma das primeiras regiões ocupadas de São Paulo.

O início das atividades datam de 1989, com uma “invasão cultural” no antigo prédio do mais importante entreposto de carnes da região, que na época era chamado de Fábrica dos Sonhos. O grupo cultural se chamava Teatro Pequeno e as atividades tiveram início em uma tenda, com forte predominância do circo e do teatro, presentes até hoje no local.

O Tendal da Lapa é formado por um espaço amplo, com uma área aproximada de 7.000 m². Em um dos galpões que o compõe, muitos grafites e formas geométricas se vinculam a trilha sonora da linha férrea, que segue seu curso ao fundo.

 

A estrutura do centro cultural permanece caracterizada pelo seu objetivo primário: a circulação, armazenamento e distribuição de carnes no início do século XX. Por isso, é possível observar traços das construções industriais, que devem ser mantidos graças ao tombamento do edifício pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

O espaço, de caráter singular, abriga as mais diversas linguagens artísticas, de palestras a oficinas, que buscam incentivar o aprendizado e valorizar trabalhos que não alcançaram visibilidade e apoio. As oficinas, ministradas por professores voluntários, englobam a música, o teatro, a dança, o esporte, as artes plásticas etc.

Ponto de encontro entre muitos jovens, o Tendal da Lapa recebe cerca de 1.200 pessoas por dia, abrigando também a Prefeitura Regional da Lapa e serviços públicos como Farmácia Popular, a Junta de Serviço Militar e o atendimento da Agência Lapa do IBGE.

 

O Vozes do Bairro conversou com Bel Toledo, gestora do Tendal da Lapa, que conta como é o dia a dia no espaço:

 

SERVIÇO:

Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 22h, sábados e domingos, das 9h às 18h

Telefone: (11) 3862-1837

E-mail: contato.tendal@gmail.com

Site: https://www.facebook.com/espacoculturaltendaldalapa/

Onde: Rua Guaicurus, 1100 – Rua Constança, 72 (estacionamento); CEP: 05033002

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Obra inspirada em Shakespeare, peça sertãohamlet estreia no SESC Pinheiros

Por: Alessandra Monterastelli, Georgia Barcarolo, Julia de Alencar, Letícia Sepúlveda, Luiza Vilela.

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Imagem promocional da peça sertãohamlet

Inspirado na obra shakespeariana Hamlet, sertãohamlet, peça do ator e diretor Guido Campos, estreia no Sesc Pinheiros. Guido é bastante conhecido por seu trabalho como ator, tendo atuado no aclamado Carandiru (2003) e mais recentemente no curta Sagrado Coração (2012).

A Companhia do Sertão Teatro Infinito finaliza, com a peça, uma trilogia realizada sobre a temática do sertão. Contando as primeiras montagens, de A Terceira Margem do Rio – baseado na obra de Graciliano Ramaos – e BOI, o projeto levou 23 anos para ser concluído e tem encerramento com sertãohamlet.  

A extensa pesquisa para o projeto foi realizada no Ceará, na região do Cariri. A proposta é trazer ícones do sertão, incluindo o mito do Lampião. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e o clássico Hamlet se cruzam por terem em comum o assassinato de seus pais e o desejo por vingança.

A cenografia é bastante baseada na região nordestina, assim como seus personagens simples e bastante verossímeis. A peça tem sua primeira passagem por São Paulo tendo como palco o Sesc Pinheiros, em curta temporada de 16/11 a 16/12.

O Sesc Pinheiros

Inaugurado em 2004, o Sesc Pinheiros recebe uma programação diversa e ao mesmo tempo bastante focada em teatro e dança, sendo muitos dos espetáculos estrangeiros.

Sendo um dos maiores da cidade, o Sesc movimenta a região de Pinheiros e tem importância para a comunidade, principalmente devido à programação infantil e à Comedoria, o restaurante do local, com capacidade para servir 3 mil refeições diariamente.

Para os associados do Sesc, as refeições completas e pensadas por nutricionistas saem a preços extremamente acessíveis, como não se encontra em mais nenhum lugar de São Paulo – principalmente em bairros da Zona Oeste.

Além da programação cultural e artística, a instituição oferece uma série de cursos e oficinas profissionalizantes e é um ponto de encontro bastante acessível. Mais que um ambiente fechado, as unidades do Sesc, com ênfase para a unidade Pinheiros por seu tamanho e programação vasta, tornam-se ambiente de convivência e vivência da cidade de São Paulo, contando com Wi-Fi livre e programas de saúde para a população.

Da região

Ao contrário das outras regiões de São Paulo, a Zona Oeste é difícil de ser categorizada de forma única. Cada bairro possui características bastante distintas e perfis muito diferenciados de moradores.

Em Pinheiros, um dos bairros mais antigos de São Paulo, o cenário boêmio e gastronômico chama atenção, mas o cenário cultural, protagonizado pelo Sesc Pinheiros, também é bastante expressivo.

O bairro abriga o instituto Tomie Ohtake, um dos principais museus de São Paulo. Inaugurado em 2001, o espaço destaca-se por suas exposições e mostras estrangeiras que valorizam os últimos 60 anos das artes plásticas – em homenagem à própria artista que dá nome ao instituto  –  e por sua arquitetura única.

A programação aberta ganhou nos últimos anos bastante espaço no bairro, que agora recebe a “praia do largo da batata”, nome dado ao Largo da Batata aos fins de semana, quando o local recebe shows e espetáculos gratuitos, além de disponibilizar cadeiras de praia para o descanso de quem passeia pela região.

Hospital Veterinário Público do Tatuapé

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Na cidade de São Paulo, animais de estimação podem ser atendidos gratuitamente em dois hospitais veterinários públicos existentes na capital, um fica na zona norte e outro na zona leste. A prioridade é para donos de pets com poder aquisitivo limitado, sendo realizados procedimentos variados: de consultas e exames a medicações, cirurgias e internações. Para saber mais detalhes, assista ao vídeo abaixo, com informações sobre o Hospital Veterinário Público do Tatuapé, na zona leste de São Paulo:

Instituto Tomie Ohtake completa 16 anos neste mês

“O centro cultural é um importante reduto da arte contemporânea”

Texto por Débora Bandeira e Rachel Castilho

Fotos por Beatriz Gimenez e Rachel Castilho

Vídeo por Thalita Archangelo

Instituto Tomie Ohtake

 

Localizado na região de Pinheiros, zona Oeste, entre as avenidas Faria Lima e Pedroso de Moraes, o Instituto Tomie Ohtake, que completa 16 anos no fim do mês, é um importante centro cultural da cidade de São Paulo. Inaugurado em 28 de novembro de 2001, projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake e dirigido por seu irmão Ricardo Ohtake, o prédio se destaca por suas cores em tons de rosa e roxo e por seus traços futuristas destoando dos outros da região e rendeu a Ruy o prêmio da 9ª Bienal de Arquitetura de Buenos Aires.

Seu nome é em homenagem à pintora, escultora e gravadora japonesa naturalizada brasileira Tomie Ohtake, mãe de Ruy e Ricardo, que só se tornou artista aos 40 anos de idade. Nascida em Kyoto no dia 21 de novembro de 1913, ela chegou ao Brasil em 1936, vinda do Japão para visitar um de seus irmãos. Impedida de voltar ao país  por causa da Segunda Guerra, casou-se com um engenheiro agrônomo também japonês, Ushio Ohtake, e formou família com ele no bairro da Mooca, em São Paulo.

Instituto Tomie Ohtake

Considerada a “dama das artes plásticas brasileira”, ela tem mais de 30 obras públicas desenhadas pelas paisagens paulistas, mineiras e paranaenses. Entre elas, uma na Cidade Universitária, feita em 1994 e outra no Auditório do Ibirapuera, realizada em 2004.  Por causa de sua importância para o país, sempre recebia grandes personagens quando visitavam o Brasil, como a Rainha Elizabeth, a artista Yoko Ono e o escritor José Saramago.

No ano de seu centenário, foi homenageada com 17 exposições ao redor do Brasil, inclusive algumas no Instituto Tomie Ohtake. No dia 12 de fevereiro de 2015, faleceu no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, devido a uma pneumonia. Em seus mais de 100 anos, contribuiu de forma expressiva para a arte brasileira, sendo uma grande influência para diversos artistas ainda hoje.

Complexo Cultural Instituto Tomie Ohtake

Inicialmente, o Instituto deveria ter sido inaugurado em 21 de novembro, dia do aniversário de Tomie, para condecorar seus 88 anos. Porém houve atraso e ficou para uma semana depois do previsto. No começo, a ideia era de projetá-lo com o objetivo somente de abrigar obras dela, entretanto o projeto se estendeu e hoje ele apresenta exposições de artistas a partir da década de 50, considerados contemporâneos. “Foi uma forma de homenagear a artista, que começou sua carreira na segunda metade do século XX, e de refletir sobre a arte e cultura do momento”, diz Ricardo Ohtake.

O centro cultural abriga oito salas de exposição, um espaço educativo com cinco salas de ateliê, salas de documentação e de palestras, além de um hall com um café, uma loja e uma livraria.

Hall do Instituto Tomie Ohtake

Cada detalhe do local foi meticulosamente planejado pelos irmãos Ohtake, como paredes de madeiras pintadas de branco, devido à maleabilidade do material e à neutralidade da cor, e o chão, feito de concreto com pó de quartzo, para ser discreto. Tudo isso para que as obras sejam o total foco dos visitantes.

Mais do que isso, a preocupação dos fundadores do Instituto está acima da pura observação passiva da arte. Para eles, o espaço destinado para a criação e participação ativa cumpre um importante papel social. Por isso, o Instituto Tomie Ohtake é um agente importante na inserção cultural das pessoas, por meio do oferecimento de cursos de fotografia, costura e culinária, por exemplo, que visam inserir pessoas em situação de exclusão social no campo artístico de modo direto.

Hall com Café no Instituto Tomie Ohtake

“Além das exposições, temos todas as atividades complementares como o trabalho educativo que consiste em realizar um programa de acompanhar grupos e praticar arte que tem a ver com a mostra, permitindo a acessibilidade de grupos novos, não só os de mobilidade, como os de diversidade sexual, de bebês e idosos, de pobres que não tiveram possibilidade e nem facilidade de comparecer, enfim, de possibilitar a democratização das atividades, mas também fazer atividades de alto nível intelectual com mesas de debates, seminários, cursos e publicações, exposições históricas do pós-II Guerra e algumas anteriores” afirmou Ricardo Ohtake em entrevista para o site Panorama Mercantil.

Assim, perguntamos para os visitantes do Tomie Ohtake o que eles acham do Instituto que, mais do que expor, proporciona contato direto com a arte contemporânea que define o nosso tempo. Confira no vídeo abaixo:

*Vídeo feito de modo experimental pelo celular

 

Exposições atuais no Instituto:

 

BUM, BUM, BUM, CASTELO RÁ – TIM – BUM!

Escrito por Carolina Gomes e Júlia Castello

Vídeo por Letícia Nascimento e Catharina Figueiredo

Fotos por Nádya Duarte

Produzida e exibida pela TV Cultura nos anos de 1994 até 1997, a série infanto-juvenil mais famosa da televisão brasileira ganhou uma exposição no Memorial da América Latina que vai até o dia 4 de fevereiro de 2018. A exibição, chamada “Rá – Tim – Bum, o Castelo”, já contou com mais de 570 mil visitantes desde sua estreia, em março deste ano.

O programa foi criado pelo dramaturgo Flavio de Souza, com direção assinada por Cao Hamburguer, roteiro de Jacob Dionisio, Cláudia Dalla Verde e Anna Muylaert. Esta franquia se caracteriza por ser um produto audiovisual educativo e, por isso, teve parceria entre a Fiesp e a TV Cultura representando um grande marco para os telespectadores entre três a oito anos, chegando a alcançar 12 pontos de audiência entre os jovens e 14 em reprises de episódios, tornando-se um filme em 1999.

Contando com 90 episódios e mais um especial, a série retratava a história de Nino, um garoto de 300 anos que vivia em um castelo com seu tio, o Doutor Victor, e com sua tia-avó Morgana, uma feiticeira. O menino, por se sentir muito sozinho, realiza um feitiço e consegue receber três estudantes (Zequinha, Biba e Pedro) diariamente em sua residência nada comum.

Seus pais estão no espaço-sideral com seus irmãos mais novos e para preencher seu tempo, convive com os jovens que acabaram de sair da escola, o maligno Dr. Abobrinha que quer destruir o castelo para construir um prédio no lugar, o Etevaldo, um E.T, o entregador de pizza (Bongô) e Penélope, uma charmosa repórter.

A história ganhou diversas premiações, como APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e o Sharp de Música. Além disso, a produção televisa chegou a ser transmitida, também, em inúmeros países da América Latina, alcançando Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela e muitos outros países.

E por isso que a exposição do Castelo Rá – Tim- Bum no Memorial se torna nostálgica e imperdível para os fãs. Comemorando os mais de 20 anos da série, o público vai encontrar no local vários itens e ambientes em tamanho real do acervo da TV Cultura e Fundação Padre Anchieta. É possível passear dentro da cozinha do famoso Castelo, onde Nino personagem principal da série fazia suas receitas malucas. Além disso, é possível conhecer uma das personagens mais amadas da série, a cobra Celeste e sua árvore que ficava no centro do salão de entrada do Castelo.

Caroline Fagundes, 25 anos, visitou a exposição e confessa que assistiu a série até os 20 anos. Diz que se a série voltasse para a programação da TV Cultura, não teria tanto interesse em assistir por considerar o conteúdo mais infantil, mas que com certeza incentivaria seus filhos a assistir, pelo programa ser muito educativo e por estimular a imaginação. Seus personagens favoritos eram o Bongô, (interpretado por Eduardo Silva da série que era considerado o melhor entregador de pizza do Brasil) e a bruxa Morgana, interpretado pela jornalista Rosi Campos.

Já para a estudante, Laura Zemella, que assistiu a série até seus 7 anos, quando a série acabou, diz que a ida a exposição foi um retorno para a infância: “Fui conferir a exposição porque era fã, mas também não lembrava muita coisa do programa. Ver a exposição refrescou minha memória e me transportou pra momentos que estavam escondidos em minha cabeça”.

Seu personagem favorito, o ratinho, era para ela o momento mais divertido da série, pois era possível aprender por meio de músicas: “Todo o enredo do Castelo Rá – Tim – Bum é muito bom. Todos os seus personagens são encantadores, e todas as histórias eram muito bem feitas e possuíam um tom educativo, que nenhum outro desenho da TV brasileira possui”.

Para saber mais da série televisiva, assista aos bastidores da exposição “Rá – Tim – Bum, o Castelo”.

 

Moradores de Ermelino Matarazzo podem perder local de cultura

Texto por Thalita Archangelo

Fotos por Débora Bandeira e Thalita Archangelo

Podcast por Beatriz Gimenez e Rachel Castilho

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O movimento cultural da zona leste enfrenta mais um obstáculo – dessa vez diretamente ligado ao seu funcionamento. No dia 30 de outubro, funcionários da Prefeitura Regional de Ermelino Matarazzo foram até o local entregar um ofício de interdição imediata alegando problemas estruturais do prédio.

A Ocupação Cultural de Ermelino Matarazzo, nomeada de Mateus Santos, possui um laudo emitido em setembro, onde são atestadas as boas condições do prédio. William da Silva Santos*, membro do Movimento Cultural de Ermelino Matarazzo desde sua inauguração, afirma haver perseguição política por parte da prefeitura. Ele lembra do episódio, ocorrido em maio, onde o Secretário Municipal de Cultura André Sturm ameaçou “quebrar a cara” de um dos membros do Movimento durante uma reunião sobre renovação de parceria para administração do local. “Depois do episódio, o secretário ficou chateado com a gente”, afirmou Santos.

Literatura Periférica no Movimento Cultural Ermelino Matarazzo.

Ainda sobre o ofício de interdição, o integrante do Movimento afirma que “não há indícios de rachaduras, de trincas, de descolamentos de placas (..)Tem um laudo da Prefeitura e um laudo nosso, independente. Eles se conflitam. Ambos indicam que há necessidade de reformas no prédio, mas as coisas deveriam ser feitas em parceria”.

O próximo passo para barrar a ordem da prefeitura para o fechamento do local já está sendo tomado. As pessoas podem de forma voluntária colocar e compartilhar vídeos dizendo ‘não’ à interdição através da hashtag #OcupaErmelinoResiste. “Não é um grupo de cinco ou seis pessoas como se imagina. São vários coletivos, com várias pessoas, com apoiadores do bairro. (…) A gente tem a população do nosso lado”. Depois de diversas tentativas, a reportagem não conseguiu contato com a Prefeitura Regional do bairro para comentar sobre o impasse.

Campanha feita pelo Movimento.

Não é de agora que a Ocupação Mateus Santos passa por uma série de burocracias com a Prefeitura Municipal e Regional. Depois de fazer parte da Rede Cultura ZL, os membros da Ocupação Cultural notaram que a luta deveria ser mais regional e rebatizaram de Movimento Cultural de Ermelino Matarazzo.

Através do grupo Balaio foram convidados a ocupar a praça central do bairro, entre 2014 e 2015 a fim de pressionar a Prefeitura Regional para que um espaço no fosse direcionado à cultura. A ocupação do prédio público fechado há 20 anos onde hoje funciona o Centro Cultural foi autorizada pelo antigo prefeito regional Alberto Santos. O local foi sede da Subprefeitura de Ermelino Matarazzo e está ocupado a pouco mais de um ano.

Santos lembra que durante a gestão do antigo prefeito, Fernando Haddad (PT), foi iniciado um projeto piloto de co-patrocínio. Nele, foram repassados para o Movimento cerca de 110 mil reais que serviram para a manutenção do espaço físico e dos projetos durante um período de seis meses. “A ideia da Prefeitura da gestão Haddad era através de um baixo custo gerar um espaço em parceria com os coletivos, o que é muito mais econômico”, declara Santos.

Arte realizada pelos integrantes.

Já na gestão de João Doria (PSDB), Santos afirma que o secretário municipal de cultura, André Sturm começou com um diálogo muito bom, mas “infelizmente ele [o secretário] deu a entender que não tem um tato para lidar com o ‘não’. A gente fez uma negativa e ao invés de tentar gerar um comum acordo, ele se exaltou e gerou o que gerou”. O membro do movimento lembra ainda do congelamento feito pela Prefeitura de 43,5% da verba destinada à pasta. “A gente sabe que essa verba não vai deixar de ser investida em espaços grandes, mas sim em espaços pequenos. Parece que há uma tentativa de enxugar o que já vinha de uma necessidade de ampliação”.

Apesar das diversas dificuldades que enfrentam com o poder público, Santos ressalta que existem políticos sensíveis à causa do Movimento Cultural. “Tem alguns políticos que entendem que a causa é justa, mas vou preservar os nomes para não dar a entender que somos ligados a eles. ” Ele declarou ainda que em nenhum momento houve pedido de apoio. “O político veio aqui e ofereceu: ‘sou sensível a sua causa’ (…) a gente foi muito claro: não vamos levantar bandeira para nenhum partido e nenhum político (…) a gente conversou que isso deveria ser preservado para não dar a entender que há uma parceria política e a gente ser rotulado como alguma coisa”.

De acordo com Santos, hoje o Centro Cultural conta com o trabalho de voluntários, a venda de camisetas e de artigos das exposições que abrigam e arrecadações em eventos fora do Centro Cultural. Além disso, eles aguardam a liberação da terceira parcela referente a um edital no qual foram contemplados.

Interior da ocupação.

Em outubro, André Sturm afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que “aquele rapaz muito gentil de Ermelino Matarazzo [se referindo ao desentendimento que teve com um dos membros do grupo] recebeu da secretaria R$ 400 mil em 12 meses. Foram R$ 400 mil numa casa de cultura com quatro pessoas”. Quanto a essa declaração, Santos desmente o secretário afirmando que “nós não recebemos R$ 400 mil. É colocado como se esse dinheiro fosse para aquelas pessoas [citadas na matéria do jornal]. Todo o dinheiro foi feito prestação de conta. Todo recurso que foi aplicado aqui foi prestado conta”.

No local são realizadas oficinas de fotografia, grafite, exposições, cine debate, sarau, além da biblioteca que fica disponível para qualquer pessoa que queira pegar um livro – basta deixar seu nome e um telefone para contato. De acordo com o membro do movimento, o fluxo de pessoas que passa pelo Centro Cultural é muito grande. Pensando nas mais diversas atividades e no trânsito de membros de outros projetos e coletivos, Santos estima que o número de pessoas circulando por mês na Ocupação chegue a mil.

A importância de um espaço cultural como esse na região se dá, para Santos, porque “Ermelino tem um potencial enorme cultural. São dezenas de grupos que estão procurando um lugar”. Ele também aponta para a troca de experiências e a interação como ponto importante a ser lembrado “Não só agir em rede como ter um espaço que seja compartilhado pela rede e aberto a todos tem uma importância incalculável”.

Gisele Miranda de Oliveira, estudante de letras, é frequentadora do Centro Cultural há quatro meses e ajuda com as fotografias dos eventos. Oliveira ressalta que “além de trazer a oportunidade a poetas e artistas da periferia, ter um espaço para divulgar o seu trabalho também enriquece no conhecimento e cultura do bairro”.

Gisele Miranda de Oliveira e William da Silva Santos no Movimento Cultural Ermelino Matarazzo.

 

Ermelino Matarazzo

Distrito situado na zona leste da capital paulista, Ermelino Matarazzo tem 8,70 Km² de área e 113.615 moradores (2010), de acordo com a Prefeitura Regional do bairro. Abriga desde 2005 o campus EACH-USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo) e é cortado pela linha 12-Safira da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Embora seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) seja de 0.801, considerado elevado, a principal carência da região é a de empregos. 97% da população (censo 2010) não trabalha no distrito, o que faz com que haja grande necessidade de locomoção por parte desses trabalhadores.

A produção cultural e artística no bairro é muito intensa. Grupos como Periferia Invisível, Cultura ZL e a própria Ocupação Mateus Santos atuam promovendo a articulação cultural na região há anos. Ermelino Matarazzo é hoje um centro de cultura com cada vez mais potencial de crescimento.

Ocupação Movimento Cultural Ermelino Matarazzo.

*A pedido do entrevistado, fica registrado que todas as declarações são opiniões de William da Silva Santos e não representam todo o grupo.

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Lapa em quadro

Por Edilson Henrique Muniz e Gianluca Florenzano

A diversidade paulistana é reconhecida de longe em muitas áreas; gastronomia, esporte, lazer e outros tantos segmentos que fazem de São Paulo uma cidade cheia de particularidades. E como era de se esperar, a arte não fica de fora. São museus, exposições, concertos e milhares de manifestações ao ar livre espalhadas por toda a capital. Um dos exemplos dessa arte é o grupo CasadaLapa.

“A CasadaLapa é uma rede social real”. É assim que Pedro Noizyman, designer de som, DJ e um dos líderes do movimento define a Casa. Ela é formada por vários artistas de áreas diferentes em uma residência localizada no bairro Lapa. “Aqui você pode mostrar seu trabalho para o colega da sala ao lado sem se preocupar com o fato de que ele, muito provavelmente, poderia estar querendo ocupar o seu posto, como ocorre na maioria dos casos nas empresas convencionais”, diz Fernando Sato, designer e um dos pioneiros na iniciativa.

A CasadaLapa é um espaço físico onde todos podem trabalhar livremente, sem a sensação de estar em um escritório em si. Um lugar de criação, teste e divulgação do trabalho de cada um de seus membros. A noção de competitividade, algo comum no ambiente mercadológico, é trocada pela colaboração, muito prezada pelos participantes.

O diferencial desse coletivo se dá pelo fato de que seus membros não fazem questão de se contrapor ou enfrentar diretamente a nenhum órgão, tanto físico como institucional. “É importante entender que não queremos nos contrapor a nada e nem ninguém. Simplesmente funcionamos de forma diferente do sistema, mas sem qualquer ideologia por trás disso”, diz Fernando Coster, cineasta e um dos residentes da Casa.

Um dos projetos mais recentes do coletivo é o Enquadro. Ele é um projeto colaborativo dos integrantes que envolve grafite, música, vídeo, foto entre outros tipos de manifestações artísticas. Eles são expostos em espaços públicos da cidade de São Paulo, o que corrobora com a noção colaborativa do movimento.

Ver São Paulo com outros olhos. É o que promete essa iniciativa. De acordo com os idealizadores, o intuito é reocupar as ruas. Para eles, devido à falta de tempo, e principalmente o medo da violência urbana, fizeram com que os indivíduos não utilizassem mais os espaços públicos. Assim como discursa no documentário Rumos, Cinema e Vídeo, o designer do coletivo Fernando Sato, “cada vez mais percebemos que as pessoas estão saindo das ruas, e temos que ocupar esse espaço, pois é nosso”.

O Enquadro consiste em narrar por meio de diversas mídias, as histórias dos bairros paulistanos, dando enfoque para os atributos próprios de cada vizinhança. Para os artistas por trás dessa ação, se as pessoas conhecem mais sobre o espaço público e sobre os indivíduos em volta, não temem mais ocupar e regressam para as vias urbanas. É uma retomada da cidadania e do sentimento de coletividade, segundo o grupo.

As intervenções realizadas nos lugares públicos é a essência desse empreendimento artístico. Conforme realça o designer, “uma das coisas primordiais do Enquadro é se utilizar da rua”. E complementa, “a gente acha muito importante trabalhar na rua, porque lá é o lugar mais democrático que tem”.

A parte de criação do projeto não segue nenhuma norma particular, todo o processo é coletivo, tanto que os próprios criadores o descrevem como algo desordenado. Assim como conta Sato no documentário, “não tem uma forma fechada, como os grafiteiros vão fazer isso, os fotógrafos vão fazer aquilo, o pessoal de vídeo vai filmar isso, é aberto mesmo, por isso é caótico”. O grupo CasadaLapa prega a concepção de não ter nenhuma hierarquia dentro do grupo, não há cargos de superiores, todos estão no mesmo patamar. “Não tem cargos específicos, a gente sempre assina como CasadaLapa e aliados”, diz o designer. A ação, por enquanto, já abordou os bairros do Brás, Lapa e Itaim Paulista. Mas, o coletivo promete não parar por aí. Eles garantem que vão tocar o projeto a todo vapor.

Uma simples iniciativa pode transformar a visão de mundo de muitas pessoas e a CasadaLapa vem com o objetivo de trazer uma noção mais colaborativa da sociedade. Há espaço para todos no mundo, acha-lo é questão de tempo.


 

Colaboradores da matéria: Augusto Oliveira, Edilson Henrique Muniz, Gianluca Florenzano e Victoria Bonachelli

S.O.S: PARQUE TIQUATIRA

 

Texto escrito por Julia Castello Goulart e Carolina Gomes

Podcast por Letícia Nascimento e Carolina Gomes

Fotos por Nádya Duarte

Imagens das áreas do parque com acúmulo de lixo

O Parque Linear Eng⁰ Werner Eugênio Zulauf, conhecido apenas como Parque Tiquatira, se localiza no bairro da Penha, na Zona Leste da cidade de São Paulo. O parque separa as duas vias da avenida Governador Carvalho Pinto e sua extensão vai do final do viaduto General Milton Tavares de Souza até a avenida São Miguel.

Com mais de 3 Km de extensão, calcula-se que este parque abrigue 20 espécies de aves e sua vegetação é composta por áreas ajardinadas, gramados, bosques heterogêneos e arborização esparsa.

Além de ser conhecido por ser uma área de preservação de espécies vegetais e animais, o parque conta com vários espaços de lazer, como pista de skate, quadras, campo de futebol, pista de Cooper e caminhada, Ciclofaixa, anfiteatro aberto e áreas de convivência como quiosques com mesas e bancos.  Em vários períodos do dia é comum ver a própria população local utilizando o parque, principalmente aposentados e animais de estimação com seus donos.

O parque foi inaugurado em 2007 e é o primeiro parque linear da capital paulista, pois foi feito seguindo as margens do córrego Tiquatira. A intenção é exatamente garantir a preservação do córrego, por meio de ajardinamento e arborização de faixa mínima ao longo das margens.

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Córrego do parque Tiquatira

 A área é considerada pelo Código Florestal como “área de preservação permanente” que deve ser coibido o despejo de esgoto e lixo no parque e no próprio córrego através de educação ambiental e uso adequado do espaço público. Mas a realidade do parque hoje está muito diferente do que a prevista.

Entre as variedades de plantas e espécies animais, o lixo se tornou normal na paisagem do parque.Acompanhados de uma discutível vista que mescla árvores frutíferas, aparelhos para exercitar os músculos, garrafas, sacos de lixo, caixas de remédio, restos de comida e preservativos usados, os moradores da região utilizam do que resta de área limpa e conservada do parque Tiquatira para se exercitar ou apenas fazer uma simples caminhada com o seu cão, como é o exemplo de Ricardo Luíz Miguel.

Ele passeia com seu pitbull todas as manhãs e declara que o estado atual do parque a respeito da manutenção “é muito ruim, é muito sujo”. Aponta que a prefeitura carece de atenção com o espaço e quando há uma coleta de lixo feita pela mesma, a sujeira é deslocada para as ruas de cima aos gramados que, no decorrer do tempo, desce com o barranco por causa do mal tempo. Ou seja, o problema não é solucionado, mas sim, transferido de lugar, temporariamente.

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Ricardo Luíz Miguel passeando com seu cachorro.

 A aposentada e ex-funcionária pública, Maria de Lurdes de Almeida da Silva Pereira, frequentadora esporádica do parque, indica outro aspecto inadequado da área: a falta de acesso a cestos de lixos ou caçambas. A ausência desses itens leva as pessoas a descartar o lixo no chão ou até colocar seus descartes em sacolas plásticas amarradas nos troncos das árvores. Conclui que se houvesse uma atenção maior da prefeitura, iria ter uma preservação e valorização melhor ao parque. “Quando o poder público está frequentemente observando as necessidades, ele iria observar a quantidade de lixo no parque e ver as necessidades do local.”

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Grafite na área de convivência do parque.

Fernando Teixeira de Araújo que corre algumas manhãs pelo parque acredita em um conjunto de vilões para a poluição da área: as pessoas que frequentam o parque a noite, o lixo que o córrego traz quando enche por causa das chuvas, dos moradores que põe os sacos de lixo para fora de casa no dia errado da coleta, os motoristas e os habitantes da região. “O povo é meio sem educação”. O parque Tiquatira grita por atenção e espera que junto ao poder público, a comunidade ajude a preservar suas extensões.

Saiba mais sobre os problemas do Parque Tiquatira: