Obra inspirada em Shakespeare, peça sertãohamlet estreia no SESC Pinheiros

Por: Alessandra Monterastelli, Georgia Barcarolo, Julia de Alencar, Letícia Sepúlveda, Luiza Vilela.

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Imagem promocional da peça sertãohamlet

Inspirado na obra shakespeariana Hamlet, sertãohamlet, peça do ator e diretor Guido Campos, estreia no Sesc Pinheiros. Guido é bastante conhecido por seu trabalho como ator, tendo atuado no aclamado Carandiru (2003) e mais recentemente no curta Sagrado Coração (2012).

A Companhia do Sertão Teatro Infinito finaliza, com a peça, uma trilogia realizada sobre a temática do sertão. Contando as primeiras montagens, de A Terceira Margem do Rio – baseado na obra de Graciliano Ramaos – e BOI, o projeto levou 23 anos para ser concluído e tem encerramento com sertãohamlet.  

A extensa pesquisa para o projeto foi realizada no Ceará, na região do Cariri. A proposta é trazer ícones do sertão, incluindo o mito do Lampião. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e o clássico Hamlet se cruzam por terem em comum o assassinato de seus pais e o desejo por vingança.

A cenografia é bastante baseada na região nordestina, assim como seus personagens simples e bastante verossímeis. A peça tem sua primeira passagem por São Paulo tendo como palco o Sesc Pinheiros, em curta temporada de 16/11 a 16/12.

O Sesc Pinheiros

Inaugurado em 2004, o Sesc Pinheiros recebe uma programação diversa e ao mesmo tempo bastante focada em teatro e dança, sendo muitos dos espetáculos estrangeiros.

Sendo um dos maiores da cidade, o Sesc movimenta a região de Pinheiros e tem importância para a comunidade, principalmente devido à programação infantil e à Comedoria, o restaurante do local, com capacidade para servir 3 mil refeições diariamente.

Para os associados do Sesc, as refeições completas e pensadas por nutricionistas saem a preços extremamente acessíveis, como não se encontra em mais nenhum lugar de São Paulo – principalmente em bairros da Zona Oeste.

Além da programação cultural e artística, a instituição oferece uma série de cursos e oficinas profissionalizantes e é um ponto de encontro bastante acessível. Mais que um ambiente fechado, as unidades do Sesc, com ênfase para a unidade Pinheiros por seu tamanho e programação vasta, tornam-se ambiente de convivência e vivência da cidade de São Paulo, contando com Wi-Fi livre e programas de saúde para a população.

Da região

Ao contrário das outras regiões de São Paulo, a Zona Oeste é difícil de ser categorizada de forma única. Cada bairro possui características bastante distintas e perfis muito diferenciados de moradores.

Em Pinheiros, um dos bairros mais antigos de São Paulo, o cenário boêmio e gastronômico chama atenção, mas o cenário cultural, protagonizado pelo Sesc Pinheiros, também é bastante expressivo.

O bairro abriga o instituto Tomie Ohtake, um dos principais museus de São Paulo. Inaugurado em 2001, o espaço destaca-se por suas exposições e mostras estrangeiras que valorizam os últimos 60 anos das artes plásticas – em homenagem à própria artista que dá nome ao instituto  –  e por sua arquitetura única.

A programação aberta ganhou nos últimos anos bastante espaço no bairro, que agora recebe a “praia do largo da batata”, nome dado ao Largo da Batata aos fins de semana, quando o local recebe shows e espetáculos gratuitos, além de disponibilizar cadeiras de praia para o descanso de quem passeia pela região.

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Atelier Primavera de 83

Por: Giulia Bechara, Isabel Rabelo e Victória Gomes

 

O atelier Primavera de 83 é um projeto que foi criado pela economista e artista têxtil Andréa Orue, dedicado à prática de artes manuais, baseadas no conceito de do it yourself (ou faça você mesmo), que influencia bastante na vida das pessoas. Em seu projeto, é visado atividades de bordado livre, ponto cruz, crochê, tricô e costura livre.

O projeto de mulheres criativas, tem o intuito de compartilhar histórias reais de mulheres que se dedicam às artes visuais, fazendo com que nasça uma conexão entre elas, incentivando o autoconhecimento, inspirações, acolhimento e empoderamento.

A artista plástica leciona cursos e workshops presenciais de bordado e outras artes manuais os quais tem a intenção de transmitir uma ideologia feminista, tanto no atelier principal, localizado na Vila Pompéia, como em várias unidades do Sesc, na Grande São Paulo.

Andréia afirma que foi através das artes manuais que encontrou a si mesma, e com isso, sua verdadeira inspiração e vocação, numa jornada de auto-incentivo e amor próprio.

 

“Feira da Praça” traz cultura, artes e lazer

Por: Adriana Vieira, Barbara Bastos, Catharina Figueiredo, Giovana Costa, Ingrid Duarte e Maria Victória Gonzalez

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Desde 1987, a “Feira da Praça” acontece na Benedito Calixto e atrai muitas famílias, comerciantes, turistas e amantes da cidade de São Paulo. O evento é realizado todos os sábados, das 9 às 19 horas, no bairro de Pinheiros. O clima é de lazer e a diversão fica por conta da diversidade e do contato cultural.

Numa mistura de brechó e antiquário, a feira é famosa pela variedade. Há expositores com artesanato como copos feitos de garrafas de vidro, existem peças decorativas, quadros, sapatos, roupas, bijuterias e muito mais. Outro destaque da feira é o clima nostálgico. A maioria dos expositores vendem artefatos antigos, sejam peças de porcelana e prata, ou itens de colecionadores como brinquedos antigos, moedas de diversos países, discos raros tanto nacionais como internacionais, câmeras fotográficas de todos os tipos e épocas, máquinas de escrever, histórias em quadrinho raras e vitrolas de todos os tamanhos.

 

 

Maurício Tedesco, de 51 anos é artista plástico e expõe seus quadros na Benedito há 8 anos. Segundo ele, é gratificante ver as pessoas visitando a feira: “Exponho aqui desde 2009. Hoje, a feira é frequentada por diversos tipos de pessoas: desde turistas que vêm conhecer a tradição da feira, quanto pessoas quem vêm visitar os bares nos arredores, experimentar a comida. Há também os colecionadores e aqueles que vêm simplesmente para passear. O que é legal da feira é a descontração, as pessoas vêm realmente para relaxar e comprar, estão “desarmadas”, tranquilas, é muito empolgante!”.

Além dos expositores, a feira conta com uma praça de alimentação muito completa e que, costuma agradar todos os públicos. Há apresentações da “Canário e seu Regional”, um trio que embala a praça de alimentação com ritmos brasileiros tocados no chorinho. Entre as opções de comidinhas estão: petiscos, comida portuguesa, doces caseiros, pastel, comida baiana, hot dogs, bebidas feitas com frutas exóticas, bolos caseiros, entre outras. Mariana Manso, de 36 anos, secretária, frequenta a feira a 10 anos e se apaixonou pela praça de alimentação. “Gosto de tudo aqui, desde a praça de alimentação, até o artesanato, mas minha paixão mesmo é a comida, é muito saborosa. Conheci a feira através de uma amiga e sempre que posso estou aqui”, diz Mariana.

Na Benedito Calixto, há também bares e galerias nos arredores que acabam tornando-se uma extensão da feira. Muitas pessoas se reúnem com os amigos para aproveitar o entardecer, conversar e beber nos bares próximos. Muitas famílias visitam as lojas das galerias, que oferecem opções diferenciadas de roupas, acessórios, decorações e até itens para jardinagem. A musicalidade da feira também não se limita ao chorinho, há expositores tocando MPB, enquanto nas galerias também há espaço para outros ritmos como jazz e rock n’ roll, com música ao vivo.

 

 

Luiz Bispo, de 86 anos, cozinheiro e responsável pelo “Portal da Bahia”, barraca famosa pelo acarajé, trabalha há 30 anos na feira e fica muito feliz com a visitação da clientela. “Não tenho reservas em relação a este lugar, nem preconceitos, gosto de tudo aqui! Os clientes são pessoas maravilhosas. Se tem algum que não é bacana, deixo passar, pois entre um que não é legal, existem mil que valem a pena. O que mais me agrada aqui é a diversidade, as pessoas representam a Benedito Calixto”, garante Luiz.

É notável o carinho e a fidelidade do público, já que a feira está sempre cheia e conta com a presença de pessoas de todas as idades. Não há quem não se empolgue com as antiguidades, a comida e toda a valorização cultural que a feira agrega, trata-se de um passeio indispensável e que com certeza representa toda a diversidade cultural de São Paulo.

 

BUM, BUM, BUM, CASTELO RÁ – TIM – BUM!

Escrito por Carolina Gomes e Júlia Castello

Vídeo por Letícia Nascimento e Catharina Figueiredo

Fotos por Nádya Duarte

Produzida e exibida pela TV Cultura nos anos de 1994 até 1997, a série infanto-juvenil mais famosa da televisão brasileira ganhou uma exposição no Memorial da América Latina que vai até o dia 4 de fevereiro de 2018. A exibição, chamada “Rá – Tim – Bum, o Castelo”, já contou com mais de 570 mil visitantes desde sua estreia, em março deste ano.

O programa foi criado pelo dramaturgo Flavio de Souza, com direção assinada por Cao Hamburguer, roteiro de Jacob Dionisio, Cláudia Dalla Verde e Anna Muylaert. Esta franquia se caracteriza por ser um produto audiovisual educativo e, por isso, teve parceria entre a Fiesp e a TV Cultura representando um grande marco para os telespectadores entre três a oito anos, chegando a alcançar 12 pontos de audiência entre os jovens e 14 em reprises de episódios, tornando-se um filme em 1999.

Contando com 90 episódios e mais um especial, a série retratava a história de Nino, um garoto de 300 anos que vivia em um castelo com seu tio, o Doutor Victor, e com sua tia-avó Morgana, uma feiticeira. O menino, por se sentir muito sozinho, realiza um feitiço e consegue receber três estudantes (Zequinha, Biba e Pedro) diariamente em sua residência nada comum.

Seus pais estão no espaço-sideral com seus irmãos mais novos e para preencher seu tempo, convive com os jovens que acabaram de sair da escola, o maligno Dr. Abobrinha que quer destruir o castelo para construir um prédio no lugar, o Etevaldo, um E.T, o entregador de pizza (Bongô) e Penélope, uma charmosa repórter.

A história ganhou diversas premiações, como APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e o Sharp de Música. Além disso, a produção televisa chegou a ser transmitida, também, em inúmeros países da América Latina, alcançando Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela e muitos outros países.

E por isso que a exposição do Castelo Rá – Tim- Bum no Memorial se torna nostálgica e imperdível para os fãs. Comemorando os mais de 20 anos da série, o público vai encontrar no local vários itens e ambientes em tamanho real do acervo da TV Cultura e Fundação Padre Anchieta. É possível passear dentro da cozinha do famoso Castelo, onde Nino personagem principal da série fazia suas receitas malucas. Além disso, é possível conhecer uma das personagens mais amadas da série, a cobra Celeste e sua árvore que ficava no centro do salão de entrada do Castelo.

Caroline Fagundes, 25 anos, visitou a exposição e confessa que assistiu a série até os 20 anos. Diz que se a série voltasse para a programação da TV Cultura, não teria tanto interesse em assistir por considerar o conteúdo mais infantil, mas que com certeza incentivaria seus filhos a assistir, pelo programa ser muito educativo e por estimular a imaginação. Seus personagens favoritos eram o Bongô, (interpretado por Eduardo Silva da série que era considerado o melhor entregador de pizza do Brasil) e a bruxa Morgana, interpretado pela jornalista Rosi Campos.

Já para a estudante, Laura Zemella, que assistiu a série até seus 7 anos, quando a série acabou, diz que a ida a exposição foi um retorno para a infância: “Fui conferir a exposição porque era fã, mas também não lembrava muita coisa do programa. Ver a exposição refrescou minha memória e me transportou pra momentos que estavam escondidos em minha cabeça”.

Seu personagem favorito, o ratinho, era para ela o momento mais divertido da série, pois era possível aprender por meio de músicas: “Todo o enredo do Castelo Rá – Tim – Bum é muito bom. Todos os seus personagens são encantadores, e todas as histórias eram muito bem feitas e possuíam um tom educativo, que nenhum outro desenho da TV brasileira possui”.

Para saber mais da série televisiva, assista aos bastidores da exposição “Rá – Tim – Bum, o Castelo”.

 

Exposição: Migrações à Mesa

Por: Adriana Vieira, Barbara Bastos, Ingrid Duarte, Giovana Costa e Maria Victória Gonçalves

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo é uma instituição pública que é vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Localizado na Mooca, ele conta com diversas exposições. O edifício é um patrimônio histórico tombado e a princípio, era abrigo para os imigrantes que chegavam no Brasil, em condições precárias de vida e moradia. Hoje em dia, o local oferece a oportunidade de refletir e compreender o processo migratório de milhares de pessoas, seja através de exposições ou do próprio ambiente de nostalgia criado.

Os primeiros imigrantes italianos começaram a chegar ao Brasil em maior fluxo entre as décadas de 1880 e 1910, principalmente, para as regiões sul e sudeste do país. Grandes partes de italianos que migrou para o Brasil eram de origem humilde, principalmente de regiões rurais da Itália. O Brasil era visto como uma terra nova, repleta de oportunidades e precisava de mão de obra. O Estado de São Paulo recebeu 70% de todos os imigrantes italianos.  Hoje possui cerca de 12 milhões de italianos e descendentes, representando 30% da população. A cidade de São Paulo possui cerca de 11 milhões de habitantes, sendo que seis milhões são italianos ou descendentes, aproximadamente 55% da população da cidade são de origem italiana, de acordo com o site Debates Culturais.

Contemplando a trajetória dos migrantes, a exposição “Migrações à mesa”, iniciada em 2016, aborda a relação entre os costumes e a história das pessoas que chegaram no Brasil em busca de condições melhores de vida. Além da culinária, cadernos de receitas típicas e registros históricos de cada família, a é possível ver fotos, vídeos e informações aprofundadas sobre as condições de vida dos migrantes. O Museu também conta com uma grande quantidade de conteúdo sobre as terras de origem e as peculiaridades daquele povo. É notável como os tesouros afetivos que as receitas e registros guardam não se limitam aos dados e cadernos, ocupam também importantes espaços na memória de quem visita o local.

Em entrevista com o engenheiro Luiz Claudio Gonzalez, de descendência espanhola e italiana, ele conta um pouco sobre a vinda de sua família ao Brasil e também, sobre os principais registros encontrados no Museu da Imigração, bem como a importância desses documentos.

Confira o podcast na íntegra:

S.O.S: PARQUE TIQUATIRA

 

Texto escrito por Julia Castello Goulart e Carolina Gomes

Podcast por Letícia Nascimento e Carolina Gomes

Fotos por Nádya Duarte

Imagens das áreas do parque com acúmulo de lixo

O Parque Linear Eng⁰ Werner Eugênio Zulauf, conhecido apenas como Parque Tiquatira, se localiza no bairro da Penha, na Zona Leste da cidade de São Paulo. O parque separa as duas vias da avenida Governador Carvalho Pinto e sua extensão vai do final do viaduto General Milton Tavares de Souza até a avenida São Miguel.

Com mais de 3 Km de extensão, calcula-se que este parque abrigue 20 espécies de aves e sua vegetação é composta por áreas ajardinadas, gramados, bosques heterogêneos e arborização esparsa.

Além de ser conhecido por ser uma área de preservação de espécies vegetais e animais, o parque conta com vários espaços de lazer, como pista de skate, quadras, campo de futebol, pista de Cooper e caminhada, Ciclofaixa, anfiteatro aberto e áreas de convivência como quiosques com mesas e bancos.  Em vários períodos do dia é comum ver a própria população local utilizando o parque, principalmente aposentados e animais de estimação com seus donos.

O parque foi inaugurado em 2007 e é o primeiro parque linear da capital paulista, pois foi feito seguindo as margens do córrego Tiquatira. A intenção é exatamente garantir a preservação do córrego, por meio de ajardinamento e arborização de faixa mínima ao longo das margens.

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Córrego do parque Tiquatira

 A área é considerada pelo Código Florestal como “área de preservação permanente” que deve ser coibido o despejo de esgoto e lixo no parque e no próprio córrego através de educação ambiental e uso adequado do espaço público. Mas a realidade do parque hoje está muito diferente do que a prevista.

Entre as variedades de plantas e espécies animais, o lixo se tornou normal na paisagem do parque.Acompanhados de uma discutível vista que mescla árvores frutíferas, aparelhos para exercitar os músculos, garrafas, sacos de lixo, caixas de remédio, restos de comida e preservativos usados, os moradores da região utilizam do que resta de área limpa e conservada do parque Tiquatira para se exercitar ou apenas fazer uma simples caminhada com o seu cão, como é o exemplo de Ricardo Luíz Miguel.

Ele passeia com seu pitbull todas as manhãs e declara que o estado atual do parque a respeito da manutenção “é muito ruim, é muito sujo”. Aponta que a prefeitura carece de atenção com o espaço e quando há uma coleta de lixo feita pela mesma, a sujeira é deslocada para as ruas de cima aos gramados que, no decorrer do tempo, desce com o barranco por causa do mal tempo. Ou seja, o problema não é solucionado, mas sim, transferido de lugar, temporariamente.

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Ricardo Luíz Miguel passeando com seu cachorro.

 A aposentada e ex-funcionária pública, Maria de Lurdes de Almeida da Silva Pereira, frequentadora esporádica do parque, indica outro aspecto inadequado da área: a falta de acesso a cestos de lixos ou caçambas. A ausência desses itens leva as pessoas a descartar o lixo no chão ou até colocar seus descartes em sacolas plásticas amarradas nos troncos das árvores. Conclui que se houvesse uma atenção maior da prefeitura, iria ter uma preservação e valorização melhor ao parque. “Quando o poder público está frequentemente observando as necessidades, ele iria observar a quantidade de lixo no parque e ver as necessidades do local.”

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Grafite na área de convivência do parque.

Fernando Teixeira de Araújo que corre algumas manhãs pelo parque acredita em um conjunto de vilões para a poluição da área: as pessoas que frequentam o parque a noite, o lixo que o córrego traz quando enche por causa das chuvas, dos moradores que põe os sacos de lixo para fora de casa no dia errado da coleta, os motoristas e os habitantes da região. “O povo é meio sem educação”. O parque Tiquatira grita por atenção e espera que junto ao poder público, a comunidade ajude a preservar suas extensões.

Saiba mais sobre os problemas do Parque Tiquatira:

O estádio das contradições

Por Elaine Bertoni

A presença da sede oficial do clube de futebol Corinthians no bairro do Tatuapé e a Arena Corinthians em Itaquera, ambos bairros da Zona Leste, é um dos principais motivos da forte identificação de grande parte dos moradores da região com a instituição e fazem com que haja uma grande ligação, dentro do imaginário popular, entre os moradores da Zona Leste e os torcedores da equipe paulista.

Por várias décadas, dirigentes do Corinthians prometeram construir um novo estádio para o clube, já que o Estádio do Parque São Jorge tem capacidade inferior a 18 mil espectadores. Entre as décadas de 1950 e 1960, o presidente Vicente Matheus sonhava em construir um estádio para mais de 200 mil torcedores, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Como o plano exigia uma grande área, Matheus solicitou à prefeitura um terreno localizado em Itaquera e uma projeção de construir o estádio entre três a cinco anos. Em novembro de 1978, o pedido foi atendido pelo prefeito Olavo Setúbal, que aprovou a concessão de uma área de 197 mil metros quadrados, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo. Sem obter financiamento, o projeto de Matheus acabou sendo arquivado.

Em agosto de 2010, o presidente Sanches revelou em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, um novo projeto para um estádio corintiano. Aníbal Coutinho, arquiteto responsável pela obra, projetou o estádio para ser “um estádio que iria ajudar os torcedores, que poderia auxiliar a equipe a vencer as partidas, eu queria fazer os torcedores chegarem em campo”. Ele liderou uma equipe de 25 arquitetos, com número máximo de trabalhadores no local de 2300 pessoas. O campo fica a exatamente a 777 metros acima do mar, como explicado por ele “o número 77 é considerado de sorte para o time. O clube está localizado no número 777 da Rua São Jorge, o que traz à mente 1977, quando eles ganharam um de seus campeonatos mais famosos de todos os tempos (o Campeonato Paulista de Futebol de 1977)”.

A estimativa de que a abertura da Copa do Mundo FIFA de 2014 traria quase 31 bilhões de reais em 10 anos para o município de São Paulo estimulou a cidade a sediar o jogo de abertura. Para sediar a partida de abertura foi necessário realizar modificações no projeto original, o que elevou o custo original de 335 milhões de reais para 1,2 bilhão de reais para atender aos requisitos da FIFA. Além disso, devido a acordos da FIFA com o Brasil, todas as construções relacionadas com a Copa do Mundo não podem ser tributadas pelo governo federal brasileiro. Por contrato, o Corinthians é obrigado a destinar toda a receita do estádio, incluindo bilheteria, propriedades comerciais (como camarotes e lojas) e naming rights, inicialmente para pagar a dívida contraída com o BNDES.

Inicialmente, a Odebrecht previa entregar a Arena Corinthians em dezembro de 2013. Contudo, o cronograma de entrega sofreu atrasos por conta de acidentes na obra e a construtora entregou oficialmente o estádio em abril de 2014. No dia 1 de maio ocorreu uma partida entre operários que trabalharam na construção da arena, com entradas limitadas e distribuídas pela Odebrecht somente a funcionários e aos seus familiares. A partida inaugural ocorreu no dia 10 de maio, com a realização de uma partida entre “Corinthians x Corinthians”, que reuniu antigos atletas do clube, como Basílio, Wladimir, Vampeta, Marcelinho Carioca, entre outros.

Uma série de problemas foram enfrentados pelo Estádio do Corinthians, como buracos em pisos, um grande vazamento de água e até mesmo possíveis abalos em arquibancadas. O cenário descrito era de risco de acidentes e suspeita de falhas de montagem e uso de materiais de baixa qualidade durante a obra. Uma auditoria externa contratada pelo Corinthians apontou diversos problemas na construção e omissão de acabamentos e trechos de obras do estádio. Como resultado ocorreram infiltrações em partes de paredes e tetos e um pedaço do teto do saguão principal da Arena Corinthians desabou.

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Feira Boliviana do Canindé

Texto por Maria Victória Gonzalez e fotos por Ingrid Duarte e Giovana Costa.

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Nas barracas há uma grande diversidade de produtos.

Estima-se que aproximadamente 200 mil bolivianos vivem na cidade de São Paulo atualmente. Grande parte deles estão na região do Pari, centro de SP, na Praça da Kantuta. A feira, que ocorre toda semana, aos domingos das 11h às 19h, faz esquina com a Rua das Olarias e Rua Araguaia. A diversão dominical da comunidade boliviana da cidade conta com diversas barracas de comidas típicas como santeñas, temperos, chás, produtos industrializados da Bolívia, malhas, bordados, vasos etc. Também oferece atração musical e de dança, com uma gama de instrumentos musicais de sopro e as festas folclóricas, que são organizadas em datas comemorativas do país. Além disso, o visitante pode conhecer o serviço de peluqueria (cabeleireiro em português), que possui fila todos os fins de semana para atender os clientes que desejam cortar o cabelo.

Infelizmente os produtos da feira ainda são trazidos pelos estrangeiros de forma irregular e por ônibus, isso porque não possuem autorização para entrarem com as mercadorias no Brasil. A feira Boliviana é discreta e pequena, mas é muito bem organizada. Seus visitantes têm a sensação de estarem em outro país com tamanha diversidade de produtos e cultura que existem no local.

O nome da praça Kantuta, é referência à uma flor que possui o mesmo nome, originária da região antiplano da Bolívia. Com caule amarelo, pétalas vermelhas e folhagem verde, a flor lembra a bandeira boliviana.

Além de ser uma atração turística e cultural, o evento é uma grande oportunidade para os imigrantes da Bolívia, que sofrem muito com a xenofobia existente em nosso país, tanto em relação ao emprego como também aos seus costumes. Além dessa, a feira típica tem outro ponto na zona leste de São Paulo, na Rua Coimbra, entre as ruas Bresser e Dr. Costa Valente, próximo ao metrô Bresser-Mooca (linha vermelha). Funciona aos sábados e domingos das 15h às 21h.