Hospital Veterinário Público do Tatuapé

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Na cidade de São Paulo, animais de estimação podem ser atendidos gratuitamente em dois hospitais veterinários públicos existentes na capital, um fica na zona norte e outro na zona leste. A prioridade é para donos de pets com poder aquisitivo limitado, sendo realizados procedimentos variados: de consultas e exames a medicações, cirurgias e internações. Para saber mais detalhes, assista ao vídeo abaixo, com informações sobre o Hospital Veterinário Público do Tatuapé, na zona leste de São Paulo:

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Moradores de Ermelino Matarazzo podem perder local de cultura

Texto por Thalita Archangelo

Fotos por Débora Bandeira e Thalita Archangelo

Podcast por Beatriz Gimenez e Rachel Castilho

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O movimento cultural da zona leste enfrenta mais um obstáculo – dessa vez diretamente ligado ao seu funcionamento. No dia 30 de outubro, funcionários da Prefeitura Regional de Ermelino Matarazzo foram até o local entregar um ofício de interdição imediata alegando problemas estruturais do prédio.

A Ocupação Cultural de Ermelino Matarazzo, nomeada de Mateus Santos, possui um laudo emitido em setembro, onde são atestadas as boas condições do prédio. William da Silva Santos*, membro do Movimento Cultural de Ermelino Matarazzo desde sua inauguração, afirma haver perseguição política por parte da prefeitura. Ele lembra do episódio, ocorrido em maio, onde o Secretário Municipal de Cultura André Sturm ameaçou “quebrar a cara” de um dos membros do Movimento durante uma reunião sobre renovação de parceria para administração do local. “Depois do episódio, o secretário ficou chateado com a gente”, afirmou Santos.

Literatura Periférica no Movimento Cultural Ermelino Matarazzo.

Ainda sobre o ofício de interdição, o integrante do Movimento afirma que “não há indícios de rachaduras, de trincas, de descolamentos de placas (..)Tem um laudo da Prefeitura e um laudo nosso, independente. Eles se conflitam. Ambos indicam que há necessidade de reformas no prédio, mas as coisas deveriam ser feitas em parceria”.

O próximo passo para barrar a ordem da prefeitura para o fechamento do local já está sendo tomado. As pessoas podem de forma voluntária colocar e compartilhar vídeos dizendo ‘não’ à interdição através da hashtag #OcupaErmelinoResiste. “Não é um grupo de cinco ou seis pessoas como se imagina. São vários coletivos, com várias pessoas, com apoiadores do bairro. (…) A gente tem a população do nosso lado”. Depois de diversas tentativas, a reportagem não conseguiu contato com a Prefeitura Regional do bairro para comentar sobre o impasse.

Campanha feita pelo Movimento.

Não é de agora que a Ocupação Mateus Santos passa por uma série de burocracias com a Prefeitura Municipal e Regional. Depois de fazer parte da Rede Cultura ZL, os membros da Ocupação Cultural notaram que a luta deveria ser mais regional e rebatizaram de Movimento Cultural de Ermelino Matarazzo.

Através do grupo Balaio foram convidados a ocupar a praça central do bairro, entre 2014 e 2015 a fim de pressionar a Prefeitura Regional para que um espaço no fosse direcionado à cultura. A ocupação do prédio público fechado há 20 anos onde hoje funciona o Centro Cultural foi autorizada pelo antigo prefeito regional Alberto Santos. O local foi sede da Subprefeitura de Ermelino Matarazzo e está ocupado a pouco mais de um ano.

Santos lembra que durante a gestão do antigo prefeito, Fernando Haddad (PT), foi iniciado um projeto piloto de co-patrocínio. Nele, foram repassados para o Movimento cerca de 110 mil reais que serviram para a manutenção do espaço físico e dos projetos durante um período de seis meses. “A ideia da Prefeitura da gestão Haddad era através de um baixo custo gerar um espaço em parceria com os coletivos, o que é muito mais econômico”, declara Santos.

Arte realizada pelos integrantes.

Já na gestão de João Doria (PSDB), Santos afirma que o secretário municipal de cultura, André Sturm começou com um diálogo muito bom, mas “infelizmente ele [o secretário] deu a entender que não tem um tato para lidar com o ‘não’. A gente fez uma negativa e ao invés de tentar gerar um comum acordo, ele se exaltou e gerou o que gerou”. O membro do movimento lembra ainda do congelamento feito pela Prefeitura de 43,5% da verba destinada à pasta. “A gente sabe que essa verba não vai deixar de ser investida em espaços grandes, mas sim em espaços pequenos. Parece que há uma tentativa de enxugar o que já vinha de uma necessidade de ampliação”.

Apesar das diversas dificuldades que enfrentam com o poder público, Santos ressalta que existem políticos sensíveis à causa do Movimento Cultural. “Tem alguns políticos que entendem que a causa é justa, mas vou preservar os nomes para não dar a entender que somos ligados a eles. ” Ele declarou ainda que em nenhum momento houve pedido de apoio. “O político veio aqui e ofereceu: ‘sou sensível a sua causa’ (…) a gente foi muito claro: não vamos levantar bandeira para nenhum partido e nenhum político (…) a gente conversou que isso deveria ser preservado para não dar a entender que há uma parceria política e a gente ser rotulado como alguma coisa”.

De acordo com Santos, hoje o Centro Cultural conta com o trabalho de voluntários, a venda de camisetas e de artigos das exposições que abrigam e arrecadações em eventos fora do Centro Cultural. Além disso, eles aguardam a liberação da terceira parcela referente a um edital no qual foram contemplados.

Interior da ocupação.

Em outubro, André Sturm afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que “aquele rapaz muito gentil de Ermelino Matarazzo [se referindo ao desentendimento que teve com um dos membros do grupo] recebeu da secretaria R$ 400 mil em 12 meses. Foram R$ 400 mil numa casa de cultura com quatro pessoas”. Quanto a essa declaração, Santos desmente o secretário afirmando que “nós não recebemos R$ 400 mil. É colocado como se esse dinheiro fosse para aquelas pessoas [citadas na matéria do jornal]. Todo o dinheiro foi feito prestação de conta. Todo recurso que foi aplicado aqui foi prestado conta”.

No local são realizadas oficinas de fotografia, grafite, exposições, cine debate, sarau, além da biblioteca que fica disponível para qualquer pessoa que queira pegar um livro – basta deixar seu nome e um telefone para contato. De acordo com o membro do movimento, o fluxo de pessoas que passa pelo Centro Cultural é muito grande. Pensando nas mais diversas atividades e no trânsito de membros de outros projetos e coletivos, Santos estima que o número de pessoas circulando por mês na Ocupação chegue a mil.

A importância de um espaço cultural como esse na região se dá, para Santos, porque “Ermelino tem um potencial enorme cultural. São dezenas de grupos que estão procurando um lugar”. Ele também aponta para a troca de experiências e a interação como ponto importante a ser lembrado “Não só agir em rede como ter um espaço que seja compartilhado pela rede e aberto a todos tem uma importância incalculável”.

Gisele Miranda de Oliveira, estudante de letras, é frequentadora do Centro Cultural há quatro meses e ajuda com as fotografias dos eventos. Oliveira ressalta que “além de trazer a oportunidade a poetas e artistas da periferia, ter um espaço para divulgar o seu trabalho também enriquece no conhecimento e cultura do bairro”.

Gisele Miranda de Oliveira e William da Silva Santos no Movimento Cultural Ermelino Matarazzo.

 

Ermelino Matarazzo

Distrito situado na zona leste da capital paulista, Ermelino Matarazzo tem 8,70 Km² de área e 113.615 moradores (2010), de acordo com a Prefeitura Regional do bairro. Abriga desde 2005 o campus EACH-USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo) e é cortado pela linha 12-Safira da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Embora seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) seja de 0.801, considerado elevado, a principal carência da região é a de empregos. 97% da população (censo 2010) não trabalha no distrito, o que faz com que haja grande necessidade de locomoção por parte desses trabalhadores.

A produção cultural e artística no bairro é muito intensa. Grupos como Periferia Invisível, Cultura ZL e a própria Ocupação Mateus Santos atuam promovendo a articulação cultural na região há anos. Ermelino Matarazzo é hoje um centro de cultura com cada vez mais potencial de crescimento.

Ocupação Movimento Cultural Ermelino Matarazzo.

*A pedido do entrevistado, fica registrado que todas as declarações são opiniões de William da Silva Santos e não representam todo o grupo.

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Exposição: Migrações à Mesa

Por: Adriana Vieira, Barbara Bastos, Ingrid Duarte, Giovana Costa e Maria Victória Gonçalves

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo é uma instituição pública que é vinculada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Localizado na Mooca, ele conta com diversas exposições. O edifício é um patrimônio histórico tombado e a princípio, era abrigo para os imigrantes que chegavam no Brasil, em condições precárias de vida e moradia. Hoje em dia, o local oferece a oportunidade de refletir e compreender o processo migratório de milhares de pessoas, seja através de exposições ou do próprio ambiente de nostalgia criado.

Os primeiros imigrantes italianos começaram a chegar ao Brasil em maior fluxo entre as décadas de 1880 e 1910, principalmente, para as regiões sul e sudeste do país. Grandes partes de italianos que migrou para o Brasil eram de origem humilde, principalmente de regiões rurais da Itália. O Brasil era visto como uma terra nova, repleta de oportunidades e precisava de mão de obra. O Estado de São Paulo recebeu 70% de todos os imigrantes italianos.  Hoje possui cerca de 12 milhões de italianos e descendentes, representando 30% da população. A cidade de São Paulo possui cerca de 11 milhões de habitantes, sendo que seis milhões são italianos ou descendentes, aproximadamente 55% da população da cidade são de origem italiana, de acordo com o site Debates Culturais.

Contemplando a trajetória dos migrantes, a exposição “Migrações à mesa”, iniciada em 2016, aborda a relação entre os costumes e a história das pessoas que chegaram no Brasil em busca de condições melhores de vida. Além da culinária, cadernos de receitas típicas e registros históricos de cada família, a é possível ver fotos, vídeos e informações aprofundadas sobre as condições de vida dos migrantes. O Museu também conta com uma grande quantidade de conteúdo sobre as terras de origem e as peculiaridades daquele povo. É notável como os tesouros afetivos que as receitas e registros guardam não se limitam aos dados e cadernos, ocupam também importantes espaços na memória de quem visita o local.

Em entrevista com o engenheiro Luiz Claudio Gonzalez, de descendência espanhola e italiana, ele conta um pouco sobre a vinda de sua família ao Brasil e também, sobre os principais registros encontrados no Museu da Imigração, bem como a importância desses documentos.

Confira o podcast na íntegra:

O caos de todo dia

Texto por Daniel Yazbek, Giovanna Cicerelli e Júlia Mesquita

A Zona Leste da cidade de São Paulo é conhecida pelos paulistanos, entre outras coisas, pela dificuldade de locomoção, pelo trânsito caótico e, principalmente, pela quantidade de pessoas nos transportes públicos – trens, ônibus e metrôs. Quando somadas as seis linhas de metrô e trem que percorrem o território, vêm junto as queixas, sobretudo, da Linha 3-Vermelha, que interliga Barra Funda à Itaquera, a qual lidera o ranking de reclamações segundo a própria Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). Só nos primeiros seis meses de 2016, os usuários  registraram 2.398 reclamações no mesma via, isto é, pouco mais do que 13 contestações por dia – em média, a cada um milhão de viagens feitas são registradas 1,6 mil queixas. 

As reclamações variam, vão desde o atendimento pelo funcionário ao usuário, passam pela segurança, e chegam onde não podia faltar: o conforto. A Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM), faz pouco caso, diz que o aumento das queixas em 2016 é “uma pequena oscilação” e joga a culpa nos vendedores ambulantes que, por conta do agravamento da crise, aumentaram nos últimos tempos.

Foto: Secretaria de Transportes Metropolitanos/Mapa do Metrô e Trêm de São Paulo.

Se o assunto é a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a questão fica ainda mais complicada: no período entre 2015 e 2016, a insatisfação do usuário subiu 10,5%, a Linha 12-Safira, que liga a estação Brás à Paranapiacaba, é quem encabeça o quadro de aborrecimentos. A CPTM, assim como Metrô, manifesta seu descaso com o trabalhador quando declara que o descontentamento se dá por conta das obras na via.

Ao tratar do transporte coletivo por intermédio de ônibus, é que se encontra o olho do furacão, isso porque o sistema ponteia o número de queixas na cidade. Com base na pesquisa realizada pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), em 2014, apenas 35% dos usuários classificaram o modelo como bom ou excelente – sabe-se que dez anos antes, em 2004, o índice de aprovação era de quase o dobro: 61%.

As principais reclamações dos usuários são: a lotação dos veículos – que têm gente quase saindo pelas janelas; o tempo de espera nos pontos de ônibus – principal reclamação registrada por passageiros na SPTrans nos primeiros seis meses da gestão de João Dória (4.563 – 27 por dia), que em certos locais, especialmente da Zona Leste, ultrapassam 40 minutos; desrespeito aos assentos preferenciais – o que ocorre igualmente nos trilhos da CPTM e do Metrô; e a falta de educação das pessoas – particularidade quase que intrínseca ao brasileiro. A campeã em reclamações é a linha de ônibus 5630/10 que articula o Terminal Grajaú ao Metrô Brás.

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) atribui a culpa das reclamações aos seus colaboradores e disse em nota que “a empresa promove ações de reciclagem” com os mesmos quando são registradas queixas. Segundo a SPTrans, a fiscalização e vistorias têm se intensificado da mesma forma que o investimento na requalificação de motoristas. Como habitual, a culpa é do empregado, do mecanismo, até mesmo do cliente, mas nunca do patrão.

Contudo, o número de reclamações sobre os ônibus da capital paulista diminuem ano a ano. Em cinco anos – de 2013 a 2017 – reduziu em 70% e destes muito se deve ao ex-prefeito Fernando Haddad que, durante sua administração, superou a meta e entregou 416 quilômetros de faixas de ônibus à cidade, 177% a mais do que o previsto em seu plano de governo.

Ilusões à parte, a população continua insatisfeita. São Paulo, onde se têm uma frota de 8,3 milhões e em média 1,4 ocupantes por carro, segundo balanço realizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), tem o problema de engarrafamentos com origem mais simples do que se parece: a maioria dos motoristas não leva sequer um passageiro no veículo, o que faz a lentidão ser ainda mais caótica.

Isso significa que, apesar de todos esforços feitos com o transporte público, o trabalho continua a ser pouco para dimensão do transtorno, sufoco e complicação que as ruas da cidade vivem, pois não se vai a fundo no problema: as pessoas sabem que o transporte público pode acabar com o trânsito lento e carregado, porém não têm confiança na utilização do mesmo.

A Zona Leste é apenas um recorte da cidade que, há muito tempo, vive uma crise no sistema de mobilidade urbana. Estudar, interpretar e compreender os dados fornecidos pelas companhias, empresas, concessionárias e associações não é uma tarefa fácil. A bagunça da metrópole de São Paulo ultrapassa os limites dos setores previamente divididos. Falar de transporte não é possível sem que se fale de política, sociedade, economia e todos outros âmbitos que compõem a vida. O que resta é debater e em especial instruir-se, bastante e sempre, para que assim se atinja uma comunidade cada vez mais justa e igualitária, talvez desta forma os problemas do meio urbano possam ser resolvidos pouco a pouco, através do diálogo, coisa que está em falta no mercado.  

Natureza na cidade

Por Ana Beatriz Pattoli,  Ana Luísa Menechino, Laura Doubek e Paula Zarif

Em uma viela próxima à movimentada Rua da Mooca, na zona leste, uma surpresa: garrafas pet cortadas decoram as paredes. Dentro de cada uma, flores e temperos estão à disposição dos moradores da região. Apesar de ser novidade na Mooca, os jardins e hortas verticais já são um fenômeno e estão presentes em grandes cidades do mundo, como Barcelona e Paris. É comum que eles apareçam em muros cinzas e como uma forma de compensar o pouco verde encontrado na cidade – o que pode ser um problema, como iremos discutir mais abaixo. No caso da rua Iolanda, a pequena viela, a horta trouxe verde e vida. A verdade por trás dos moradores que hoje estão engajados em manter o espaço é uma montanha de lixo, que crescia diariamente e só foi retirada há cerca de um mês.

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No lugar do lixo, a natureza faz presença

“Eu não passava lá; ninguém passava porque dava medo, agora todo mundo passa para ver e até para cortar caminho”, conta Gabriele Macedo, de 33 anos. Com a horta, mais mudanças: uma placa alerta os moradores que haverá uma multa caso seja depositado lixo ou entulho e indica o ecoponto mais próximo. Maria do Rosário, de 60 anos, já viu que a horta vertical chamou mais atenção para sua loja. “Antes o aspecto de sujeira, mas, agora, é muito mais convidativo”, comenta. Hoje, os jardins verticais também estão presentes no Minhocão e na avenida 23 de Maio.

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Os vasinhos nas paredes podem ser até uma forma de chamar atenção para o estabelecimento

A instalação de jardins verticais nas fachadas de prédios, nas colunas de viadutos e em paredões pelas cidades ajuda a melhorar a qualidade de vida e a deixar as metrópoles menos cinza. Só que, quando se fala na construção de paredes verdes como forma de compensar danos ambientais, nem todo mundo é tão favorável assim à medida. A compensação ambiental, como o próprio nome diz, é uma prática que tem como objetivo equilibrar o impacto na natureza causado pela construção de edifícios e outras intervenções nas cidades.

A forma mais tradicional de se fazer isso é com o plantio de árvores, e o ambientalista Ricardo Cardim defende que continue sendo assim. “Os jardins verticais não são páreo para as árvores em melhoria ambiental, durabilidade ou custo. As árvores cortadas por conta de alguma obra só podem ser substituídas por novas árvores. Qualquer solução diferente dessa é tecnicamente errada”, diz ele.

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Além de auxiliarem no meio ambiente, os jardins verticais colorem a cidade

O engenheiro agrônomo e presidente da ONG Iniciativa Verde, Roberto Resende, faz coro: “A tecnologia do jardim vertical é boa e útil, mas jamais terá o mesmo valor ambiental que o plantio de árvores. Para que as paredes verdes servissem como compensação ambiental, seria necessário multiplicar sua extensão em várias vezes”, explica. Os dois profissionais, no entanto, fazem questão de salientar que não estão defendendo a abolição dos jardins verticais nas cidades, apenas o seu uso como forma de compensar danos ao meio ambiente.

“Existem lugares em que as calçadas estreitas impedem qualquer tipo de arborização e, nesses casos, as paredes verdes podem, sim, melhorar a qualidade de vida”, explica Resende. “A técnica traz, sim, benefícios ao ambiente, mas deve ser custeada inteiramente – da plantação à manutenção, que é complexa – por iniciativas privadas, sem recorrer ao dinheiro público, e sem que isso seja considerado compensação ambiental”, reforça Cardim. A posição da dupla, portanto, é clara: plantar árvores para repor o que é tirado da Natureza e, como complemento, criar jardins verticais. Afinal, quanto mais verde nas cidades, melhor para quem vive nelas.

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Especificadas através dos nomes na parede, as plantas são convidativas