Tendal da Lapa: um coração cultural em São Paulo

Por Emilly Dulce e Natália Novais

Há quase 30 anos o bairro da Lapa abriga um dos centros culturais mais emblemáticos da cidade de São Paulo. O Tendal da Lapa, como é conhecido, é um conjunto arquitetônico tombado desde 2007 e tem a missão de oferecer cultura gratuita a capital paulista, em especial a população lapense. A história do espaço cultural tem forte ligação com o desenvolvimento do bairro no qual está localizado, uma das primeiras regiões ocupadas de São Paulo.

O início das atividades datam de 1989, com uma “invasão cultural” no antigo prédio do mais importante entreposto de carnes da região, que na época era chamado de Fábrica dos Sonhos. O grupo cultural se chamava Teatro Pequeno e as atividades tiveram início em uma tenda, com forte predominância do circo e do teatro, presentes até hoje no local.

O Tendal da Lapa é formado por um espaço amplo, com uma área aproximada de 7.000 m². Em um dos galpões que o compõe, muitos grafites e formas geométricas se vinculam a trilha sonora da linha férrea, que segue seu curso ao fundo.

 

A estrutura do centro cultural permanece caracterizada pelo seu objetivo primário: a circulação, armazenamento e distribuição de carnes no início do século XX. Por isso, é possível observar traços das construções industriais, que devem ser mantidos graças ao tombamento do edifício pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

O espaço, de caráter singular, abriga as mais diversas linguagens artísticas, de palestras a oficinas, que buscam incentivar o aprendizado e valorizar trabalhos que não alcançaram visibilidade e apoio. As oficinas, ministradas por professores voluntários, englobam a música, o teatro, a dança, o esporte, as artes plásticas etc.

Ponto de encontro entre muitos jovens, o Tendal da Lapa recebe cerca de 1.200 pessoas por dia, abrigando também a Prefeitura Regional da Lapa e serviços públicos como Farmácia Popular, a Junta de Serviço Militar e o atendimento da Agência Lapa do IBGE.

 

O Vozes do Bairro conversou com Bel Toledo, gestora do Tendal da Lapa, que conta como é o dia a dia no espaço:

 

SERVIÇO:

Horário: De terça a sexta-feira, das 9h às 22h, sábados e domingos, das 9h às 18h

Telefone: (11) 3862-1837

E-mail: contato.tendal@gmail.com

Site: https://www.facebook.com/espacoculturaltendaldalapa/

Onde: Rua Guaicurus, 1100 – Rua Constança, 72 (estacionamento); CEP: 05033002

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Instituto Tomie Ohtake completa 16 anos neste mês

“O centro cultural é um importante reduto da arte contemporânea”

Texto por Débora Bandeira e Rachel Castilho

Fotos por Beatriz Gimenez e Rachel Castilho

Vídeo por Thalita Archangelo

Instituto Tomie Ohtake

 

Localizado na região de Pinheiros, zona Oeste, entre as avenidas Faria Lima e Pedroso de Moraes, o Instituto Tomie Ohtake, que completa 16 anos no fim do mês, é um importante centro cultural da cidade de São Paulo. Inaugurado em 28 de novembro de 2001, projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake e dirigido por seu irmão Ricardo Ohtake, o prédio se destaca por suas cores em tons de rosa e roxo e por seus traços futuristas destoando dos outros da região e rendeu a Ruy o prêmio da 9ª Bienal de Arquitetura de Buenos Aires.

Seu nome é em homenagem à pintora, escultora e gravadora japonesa naturalizada brasileira Tomie Ohtake, mãe de Ruy e Ricardo, que só se tornou artista aos 40 anos de idade. Nascida em Kyoto no dia 21 de novembro de 1913, ela chegou ao Brasil em 1936, vinda do Japão para visitar um de seus irmãos. Impedida de voltar ao país  por causa da Segunda Guerra, casou-se com um engenheiro agrônomo também japonês, Ushio Ohtake, e formou família com ele no bairro da Mooca, em São Paulo.

Instituto Tomie Ohtake

Considerada a “dama das artes plásticas brasileira”, ela tem mais de 30 obras públicas desenhadas pelas paisagens paulistas, mineiras e paranaenses. Entre elas, uma na Cidade Universitária, feita em 1994 e outra no Auditório do Ibirapuera, realizada em 2004.  Por causa de sua importância para o país, sempre recebia grandes personagens quando visitavam o Brasil, como a Rainha Elizabeth, a artista Yoko Ono e o escritor José Saramago.

No ano de seu centenário, foi homenageada com 17 exposições ao redor do Brasil, inclusive algumas no Instituto Tomie Ohtake. No dia 12 de fevereiro de 2015, faleceu no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, devido a uma pneumonia. Em seus mais de 100 anos, contribuiu de forma expressiva para a arte brasileira, sendo uma grande influência para diversos artistas ainda hoje.

Complexo Cultural Instituto Tomie Ohtake

Inicialmente, o Instituto deveria ter sido inaugurado em 21 de novembro, dia do aniversário de Tomie, para condecorar seus 88 anos. Porém houve atraso e ficou para uma semana depois do previsto. No começo, a ideia era de projetá-lo com o objetivo somente de abrigar obras dela, entretanto o projeto se estendeu e hoje ele apresenta exposições de artistas a partir da década de 50, considerados contemporâneos. “Foi uma forma de homenagear a artista, que começou sua carreira na segunda metade do século XX, e de refletir sobre a arte e cultura do momento”, diz Ricardo Ohtake.

O centro cultural abriga oito salas de exposição, um espaço educativo com cinco salas de ateliê, salas de documentação e de palestras, além de um hall com um café, uma loja e uma livraria.

Hall do Instituto Tomie Ohtake

Cada detalhe do local foi meticulosamente planejado pelos irmãos Ohtake, como paredes de madeiras pintadas de branco, devido à maleabilidade do material e à neutralidade da cor, e o chão, feito de concreto com pó de quartzo, para ser discreto. Tudo isso para que as obras sejam o total foco dos visitantes.

Mais do que isso, a preocupação dos fundadores do Instituto está acima da pura observação passiva da arte. Para eles, o espaço destinado para a criação e participação ativa cumpre um importante papel social. Por isso, o Instituto Tomie Ohtake é um agente importante na inserção cultural das pessoas, por meio do oferecimento de cursos de fotografia, costura e culinária, por exemplo, que visam inserir pessoas em situação de exclusão social no campo artístico de modo direto.

Hall com Café no Instituto Tomie Ohtake

“Além das exposições, temos todas as atividades complementares como o trabalho educativo que consiste em realizar um programa de acompanhar grupos e praticar arte que tem a ver com a mostra, permitindo a acessibilidade de grupos novos, não só os de mobilidade, como os de diversidade sexual, de bebês e idosos, de pobres que não tiveram possibilidade e nem facilidade de comparecer, enfim, de possibilitar a democratização das atividades, mas também fazer atividades de alto nível intelectual com mesas de debates, seminários, cursos e publicações, exposições históricas do pós-II Guerra e algumas anteriores” afirmou Ricardo Ohtake em entrevista para o site Panorama Mercantil.

Assim, perguntamos para os visitantes do Tomie Ohtake o que eles acham do Instituto que, mais do que expor, proporciona contato direto com a arte contemporânea que define o nosso tempo. Confira no vídeo abaixo:

*Vídeo feito de modo experimental pelo celular

 

Exposições atuais no Instituto: